Em VEJA: Contas de energia, combustíveis, água e tarifas de ônibus devem começar a subir logo após as eleições

Publicado em 11/08/2014 12:01 539 exibições
Brasileiro deve começar a sentir no bolso alta de preços logo após as eleições

Inflação: Brasileiro deve começar a sentir no bolso alta de preços logo após as eleições

Contas de energia, combustíveis, água e tarifas de ônibus devem começar a subir ainda este ano

Governo quer evitar que aumento dos preços comprometa reeleição da presidente Dilma

Governo quer evitar que aumento dos preços comprometa reeleição da presidente Dilma (Ueslei Marcelino/Reuters/VEJA)

Logo após o Brasil conhecer o presidente dos próximos quatro anos, é possível que os brasileiros já comecem a sentir no bolso a alta de preços que foi represada pelo governo federal desde 2013. O ajuste nas tarifas de serviços que têm preços regulados pela União (chamados preços administrados), como energia elétrica, combustíveis e transporte, já começou em 2014, mas o ritmo ainda está aquém do ideal. A avaliação de economistas é que pode haver correção até dezembro e, sobretudo, até o fim do próximo ano.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já sinalizou, por exemplo, que haverá reajuste em breve, ao falar que "todos os anos há correção do preço da gasolina, uns mais, outros menos, mas todos os anos tem correção". Para o mercado, ficou mais claro que o governo vai reajustar a gasolina até o fim do ano, mas somente após as eleições, quando não haverá mais risco eleitoral. As ações da Petrobras até subiram no rastro das declarações de Mantega. 

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A última vez que houve reajuste de preços dos combustíveis foi em novembro do ano passado, quando a Petrobras foi autorizada a aumentar em 4% a gasolina e em 8% o diesel, nas refinarias. Desde 2013 o preço vem sendo segurado pelo governo para ajudar no controle da inflação, movimento que prejudicou as contas da estatal. Em 12 meses até julho, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já subiu 6,5%.

Boa parte do represamento que ocorreu em 2013 começou a ser diluído a partir de outubro do ano passado. A alta dos preços administrados, que desacelerou para 1,54% em 2013, já subiu para 4,63% em 12 meses até julho, segundo um integrante da equipe econômica de Dilma. "O ajuste está ocorrendo. No caso de energia elétrica está claro que não há represamento. As tarifas estão subindo", destacou a fonte. Em julho, o custo da energia residencial subiu 4,52% somente em julho e 9,73% no ano. Até o final do ano, o BC, de acordo com a mesma fonte, espera um reajuste total de 14% da conta de luz. 

A alta conta que as distribuidoras de energia estão pagando com dinheiro emprestado, e que foi impedida de ser repassada integralmente aos consumidores, virá nos próximos anos. O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, divulgou um calendário com o impacto na tarifa de energia das duas operações de crédito às distribuidoras, que somam 17,8 bilhões de reais. O cronograma prevê alta de 2,6% em 2015, 5,6% em 2016 e 1,4% em 2017. Os valores já levam em consideração o efeito positivo da renovação de concessões de usinas hidrelétricas. Sem essa renovação, o reajuste seria de 25% durante os próximos três anos. O ministério tenta conter a proliferação de previsões de alta de energia que ganharam força nos últimos dias, em meio à campanha eleitoral. 

Mas, mesmo com o cronograma divulgado, há ainda incertezas sobre o impacto da entrada em funcionamento da chamada bandeira tarifária, a partir de janeiro de 2015, no setor elétrico. Este é um mecanismo que repassa rapidamente para a tarifa de luz o aumento do custo da energia. A bandeira vermelha, por exemplo, indica que as térmicas mais caras, movidas a diesel e óleo combustível, estão ligadas, o que adiciona um custo extra já na conta do mês seguinte. 

Eleições - Com o risco da ameaça de 'tarifaço' (aumento muito alto de preços) comprometer a campanha à reeleição, o governo saiu a campo e começou a sinalizar um cronograma gradual de aumento dos preços administrados para um eventual segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. A estratégia visa afastar o fantasma de que depois das eleições o governo promoverá um choque nos preços, medida impopular que poderia tirar votos da presidente na eleição de outubro. 

O governo também quer tornar os reajustes mais previsíveis e evitar que as expectativas de inflação sejam ainda mais contaminadas pelas incertezas em relação ao realinhamento dos preços - termo usado pelo Banco Central e os economistas de mercado para indicar o processo de correção da defasagem nas tarifas, que foi acentuado em 2013. Essas expectativas têm poder de influenciar a inflação corrente, porque os agentes econômicos se antecipam e remarcam os preços com medo do aumento do custos.

Contudo, enquanto o Banco Central espera uma alta de 6% dos preços administrados, estimativas do setor privado apontam que o o represamento de preços adotado pela presidente Dilma Rousseff exigirá um reajuste médio de 12,64% nas tarifas em 2015. Essa recomposição de preços, se for dada na totalidade, poderá resultar em um aumento adicional de 3 pontos porcentuais no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2015, colocando em risco o cumprimento da meta de inflação no primeiro ano do próximo governo, de até 6,5%.

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Cálculos feitos pela SulAmérica Investimentos, considerando a defasagem de preços dos últimos anos, indicam a necessidade de um reajuste de 20% na gasolina, que hoje é comprada pela Petrobras no exterior por um valor superior ao de revenda no mercado doméstico. 

Também há perspectiva de alta em relação a dois preços administrados que têm peso importante na inflação: água e ônibus paulistanos. As passagens de ônibus do município de São Paulo estão há dois anos congeladas e a tarifa de água deve aumentar no ano que vem, em função do problema de abastecimento. Segundo a SulAmérica Investimentos, no caso das tarifas de ônibus, a defasagem é de 18%.

(Com Estadão Conteúdo)

Emprego

Desaceleração da economia corta 83,6 mil vagas no comércio no 1º semestre

Só na capital paulista, ocorreram 63,3 mil homologações no sindicato dos comerciários entre janeiro e junho

O vaivém na rua 25 de Março, coração do comércio popular do Centro de São Paulo

O vaivém na rua 25 de Março, coração do comércio popular do Centro de São Paulo (Danilo Valentini/VEJA)

A desaceleração nas vendas do comércio que bateu forte no varejo especialmente na época da Copa do Mundo (entre 12 de junho e 13 de julho) teve impacto negativo no emprego do setor. De janeiro a junho, as lojas fecharam com um saldo de vagas formais de menos 83,6 mil, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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“Não foi só a indústria que demitiu mais que contratou nos últimos meses, mas o comércio também. Foi o pior resultado do saldo de postos de trabalho do setor desde 2007 para um 1º semestre”, observa Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Só na capital paulista, ocorreram 63,3 mil homologações no sindicato dos comerciários no primeiro semestre. É um número 2,7% maior em relação ao mesmo período de 2013.

O impacto da queda nas vendas do setor vestuário no emprego é confirmado pelo Sindicato dos Comerciários de São Paulo. Entre as 21 empresas que fizeram homologações no 1º semestre, o setor predomina em cinco delas; seguidos pelos supermercados, com quatro companhias e pelas revendas de veículos e autopeças, com três empresas.

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veja.com.br

2 comentários

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    O Sr. Salomao, juntamente com o Sr. Bombardelli, são duas almas caridosas, o Sr. Bombardelli veio nos ensinar a pensar, e o Sr. Salomao, nos abrir os olhos para o fato de que a revista veja e consequentemente o site Noticias Agricolas, que faz divulgação de reportagens e blogs da revista, tem interesse em causar prejuízos aos produtores e consumidores pela divulgação de dados, de órgãos do estado, negativos ao governo. De minha parte penso que isso não passa de uma tentativa patética de tentar transferir a responsabilidade real sobre os prejuízos causados aos trabalhadores que aplicaram seu FGTS em empresas como Eletrobrás e Petrobras. Aliàs, chega a ser nojento a forma com que o governo tenta transferir culpas. Fica então evidente que o interesse do governo, principalmente neste ano de eleição, è que os dados negativos não sejam divulgados. Tapar o sol com a peneira, varrer a sujeira para baixo do tapete, eis o interesse do governo. Não è a Veja a culpada pelos dados alarmantes de uma economia em cacos, assim como não è culpa do Noticias Agricolas, a Petrobras e Eletrobrás não conseguirem gerar caixa nem para pagar os juros da divida que possuem (qualquer semelhança com muitos “produtores” è mera coincidência) . O PT, juntamente com o PMDB è que estão administrando essas estatais. Administram mal e mandam a conta para que os consumidores paguem, e ao fazerem isso arrasam o Paìs, mas sempre em nome da “justiça social”, do emprego e renda.

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  • Jose C Salomão Campestre - MG

    As pessoas de bom senso não podem se deixar levar por notícias de Veja, principalmente da área econômica, sob risco de grandes prejuízos. Os interesses que pautam as notícias daquela revista não são os interesses dos produtores nem mesmo dos consumidores.

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