Dilma na Expointer defende subsídios à agricultura e Código Florestal

Publicado em 05/09/2014 19:58 701 exibições
na veja.com

No Sul, Dilma vira 'ruralista' contra Marina

Presidente visita feira do agronegócio para tentar ampliar a rejeição do setor à adversária Marina Silva; segundo o Datafolha, a petista tem 38% de intenções de voto no eleitorado gaúcho, e Marina, 30%

Marcela Mattos, de Porto Alegre
Presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff na abertura da Expointer em Esteio (RS)

Presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff é recebida com protestos na abertura da Expointer em Esteio (RS)(Ivan Pacheco/VEJA.com)

Em visita à Expointer, no Rio Grande do Sul, a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) "vestiu a camisa" do agronegócio nesta sexta-feira numa tentativa de reforçar a rejeição do setor à adversária Marina Silva (PSB). Em discurso, a petista fez questão de elogiar o Código Florestal, tratado como um avanço para os produtores, exaltou os subsídios oferecidos pelo governo federal e defendeu a expansão dos programas lançados pelo Ministério da Agricultura. Marina esteve na feira nesta quinta-feira e trocou o palanque por conversas com entidades representativas dos produtores.

“Eu sou velha de idade e velha de tempo que venho na Expointer. Eu sei a importância dessa feira tanto no que se refere ao que há de mais moderno, que é a inovação, ao que se refere na agricultura familiar. Quem não valoriza a nossa agropecuária não entende a importância de valorizar o Brasil”, afirmou Dilma.

Durante o pronunciamento de quase trinta minutos, ela buscou se aproximar do agronegócio citando números de investimentos do governo e rebateu uma das principais críticas de seus adversários – principalmente Marina Silva e Aécio Neves – sobre o excesso de subsídios oferecidos pela gestão petista. “Eu queria destacar um ponto: no caso do agronegócio, 85% dos recursos são com juros subsidiados. Ou seja, 132 bilhões de reais. Nós temos recebido críticas sobre esse subsídio ao crédito, seja na agricultura, no agronegócio, aos pequenos e médios produtores”, disse Dilma. “Eu e meu governo consideramos que tais críticas desconhecem o papel da agropecuária para o Brasil, ignoram que esse setor gera renda, gera empregos, gera tecnologia, gera saldo comercial positivo e também gera muito orgulho para o Brasil e para os brasileiros”, continuou.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, a petista tem 38% de intenções de voto no eleitorado gaúcho, e Marina, 30%. Apesar de liderar nas pesquisas, Dilma foi recebida com vaias nesta manhã.

Em novo afago aos agricultores, Dilma afirmou que na safra 2014/2015 o governo federal elevou o limite de crédito para o custeio e investimento dos produtores e que também ampliou o seguro do programa agrícola. Em ataque direto à Marina Silva, Dilma lembrou que foi no governo dela que o Código Florestal foi aprovado – a época, a ambientalista foi contra o projeto. “Nós aprovamos por meio do diálogo no Congresso Nacional o melhor e mais importante código. Nós temos agora uma legislação que garante segurança para o produtor e estamos implementando-o para garantir que essa segurança seja cada vez maior”, disse, voltando a adotar em seus discursos a tese de que Marina teria dificuldades para governar, já que não tem ampla base de apoio no Parlamento.

Dilma é vaiada antes de evento em seu berço político

Presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff é recebida com protestos na abertura da Expointer em Esteio (RS)

Presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff é recebida com protestos na abertura da Expointer em Esteio (RS)(Ivan Pacheco/VEJA.com)

A presidente-candidata Dilma Rousseff foi recebida sob forte vaia por um grupo de grevistas do Judiciário Federal na manhã desta sexta-feira em Esteio, no Rio Grande do Sul, Estado que é berço político da petista. Os manifestantes reivindicam reajuste salarial e creditam a Dilma a responsabilidade pelo congelamento de suas remunerações. "Dilma a culpa é sua. Trabalhador na rua", gritaram. Os protestos logo foram abafados por militantes pró-Dilma, que imediatamente a aplaudiram. Ao lado do governador Tarso Genro, Dilma faz uma visita a Expointer, tradicional feira de agronegócio, nesta manhã. O tucano Aécio Neves também visitará o evento nesta sexta. Marina Silva esteve na feira na tarde desta quinta-feira. (Marcela Mattos, de Esteio)

 

ExpoDilma: pode isso, Arnaldo?

Recebi de duas fontes distintas a mesma informação e prova: o PT transformou a Expointer no Rio Grande do Sul em evento partidário. As leis eleitorais proíbem isso claramente. Vejam os crachás que foram distribuídos para jornalistas da imprensa:

ExpoDilma

ExpoDilma

Pode isso, Arnaldo? Não, não pode! Mas será que Dias Toffoli vai fazer algo a respeito? Onde está o TSE? Isso é campanha escancarada com verba pública. Jornalistas deveriam receber crachás isentos. Como pode ter IMPRENSA estampado ao lado do nome e do número da candidata do PT? Isso é um absurdo!

Falta mais vigilância e firmeza por parte de nossa oposição também. Por acaso, no mesmo evento, um grupo de pensadores (do qual faço parte, apesar de não ser gaúcho) resolveu entregar ao candidato tucano uma carta cobrando mais veemência no ataque ao aspecto político em jogo nessa eleição. Vejam a mensagem:

SENADOR AÉCIO NEVES

Somos um grupo de intelectuais, jornalistas e empreendedores do Rio Grande do Sul que, não possuindo em comum qualquer preferência partidária, mas valores democrático-constitucionais intransigíveis, apoia com veemência a sua candidatura em virtude de uma convicção fundamental e grave: entendemos que é absolutamente necessário interromper a ciclo de poder monolítico do Partido do Trabalhadores que, claramente, há mais de uma década, tem ameaçado – e nestes últimos anos do governo Dilma ameaça com maior clareza e profundidade – a sobrevivência da democracia representativa e constitucional brasileira.

A firmeza de nosso apoio resulta de que, crendo nos valores do liberalismo político, estamos convictos de que a próxima eleição presidencial será muito provavelmente a última oportunidade de interromper o crescente cerco petista à institucionalidade democrática de direito.

São esses os motivos, ilustre Senador, em virtude dos quais tomamos a liberdade de afirmar que as últimas pesquisas de intenção de voto têm demonstrado que, tratando-se a candidatura de Vossa Excelência de uma candidatura de oposição, representativa também de setores expressivos da sociedade para os quais valores políticos liberais e conservadores são inegociáveis, deveria, denunciar o governo Dilma, questionando-o propositiva e firmemente, sobre os elementos que concernem às  suas medidas mais do que suspeitas, quer quanto à política interna,  quer quanto às relações internacionais.

Consideramos que o debate eleitoral atual restringe-se quase exclusivamente aos aspectos da política econômica e da gestão pública, relegando-se o debate político e ideológico propriamente dito a um segundo e inaceitável segundo plano, porque é este o cerne de todo o drama civilizatório.

Neste sentido, também deve ser o discurso em relação à candidata Marina Silva.

POLÍTICA INTERNA

Quanto à política interna, basta mencionar o recente Decreto 8243 que, certamente redigido pelos ideólogos proto-totalitários que ora ocupam o Palácio do Planalto e enviado ao Congresso pela Presidente em 23 de maio de 2014, institui a Política Nacional de Participação Social. Sabe Vossa Excelência que o famigerado decreto submete a atividade de cada uma das instituições públicas do país ao monitoramento de conselhos populares, sob o controle da Secretaria Geral do Governo. Lembramos que a arquitetura jurídico-política deste ato inconstitucional foi identificada pela Revista Veja como um mecanismo de sovietização da política brasileira.

POLÍTICA EXTERNA

Quanto à política de relações internacionais, basta afirmar o fato estranho de que ela possui uma direção dual: de um lado o Ministro da Pasta e o Itamarati, de outro Marco Aurélio Garcia, conhecido comunista, assessor especial dos governos Lula e Dilma e, nesta condição, fundador e articulador do Foro de São Paulo, que reúne a elite do proto-comunismo venezuelano, boliviano, equatoriano e argentino.

Neste sentido, pelo respeito que temos pela história de Vossa Excelência e pela defesa dos princípios que, sabemos, nos são comuns, é que nos associamos a todos que esperam, da sua candidatura, que seja portadora da contundência política indispensável para apear do poder o projeto de controle petista do Estado brasileiro. 

Porto Alegre, 5 de setembro de 2014.

Rodrigo Constantino

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Fonte:
veja.com

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