Petrolão: Empreiteiras e contas no exterior serão foco das investigações

Publicado em 07/09/2014 09:08 936 exibições
na Folha de S. Paulo,edição deste domingo

Empreiteiras e contas no exterior serão foco agora

Os próximos passos da Operação Lava Jato devem ser investigar empreiteiras, diretores dessas empresas e contas no exterior usadas para o pagamento de propinas a partir de negócios da Petrobras.

Essa é a convicção de um "pool" inédito de advogados e consultores a serviço de várias empreiteiras que estão citadas na investigação. A Folha falou com várias pessoas desse grupo, que trocam informações entre si e com os familiares de presos por causa da Operação Lava Jato.

Nunca as empreiteiras se juntaram em "pool" para usar uma estratégia comum de defesa. Só esse fato já demonstra como consideram grave o episódio atual.

No depoimento de Paulo Roberto Costa, há elementos que indicam de maneira detalhada como eram abertas contas bancárias no exterior. Ele detalhou quais são as empreiteiras, quem eram os diretores e presidentes dessas empresas que tratavam do assunto, onde são as contas bancárias e quem eram os beneficiários dos desvios.

Os recursos eram pagos no exterior, pois as empreiteiras têm subsidiárias em vários países. Assim ficam menos rastros dos pagamentos. O retorno das propinas ao Brasil era feito por meio de um esquema com doleiros.

Os advogados e consultores com quem a Folha falou não sabem como agir porque o juiz encarregado do caso, Sérgio Moro, está tendo o cuidado de impedir falhas processuais que permitam a paralisação do processo.

A parte mais visível da investigação, com o envolvimento de congressistas e partidos, foi remetida ao STF, pois esse é o foro adequado.

Nenhum réu pode tentar melar apuração sob o argumento de que está sendo incluído em um processo de maneira indevida.

Já a investigação sobre as empreiteiras continua com Sérgio Moro, em Curitiba.

Os advogados das empresas estavam neste fim de semana sob tensão máxima e aguardam a qualquer momento uma operação de busca e apreensão nas casas e escritórios de seus clientes.

Alguns desses diretores já estariam procurando fazer viagens ao exterior para evitar uma prisão inesperada.

A linha de instrução do processo é considerada inédita pelos advogados, pois o juiz Sérgio Moro dá sinais de estar mais preocupado em buscar os pagadores das propinas (empreiteiras) do que os recebedores do dinheiro.

Um elo ainda a ser fechado é como o doleiro Alberto Youssef atuou. Costa está detalhando nos seus depoimentos como era a gênese do propinoduto na Petrobras. Já é muita coisa, pois ele sabe quem pagou e quem recebeu.

Ocorre que apenas Youssef será capaz de completar a narrativa, dizendo como exatamente internalizou o dinheiro no Brasil, como efetuou pagamentos, fornecendo datas e locais. O doleiro tem resistido a colaborar.

Seus parentes mandam cartas recomendando que conte o que sabe, o que até agora ainda não aconteceu.

'Petrolão', eleição e mudança,  

VINICIUS TORRES FREIRE

Novo escândalo da Petrobras deve aumentar repulsa ao padrão de política dos últimos 20 anos

DILMA ROUSSEFF pretendia acusar Marina Silva de fazer pouco do petróleo do pré-sal, uma das frentes de ataque petista aos votos da candidata do PSB. O programa econômico de Marina, aliás, mereceria uma análise. A conversa, no entanto, vai baixar de nível por algum tempo.

Vai se tratar da Petrobras, mas por causa do "escândalo do Petrolão". Programas e mesmo a economia tendem a ficar em segundo plano. Na verdade, de certo modo lá já estavam.

O acaso do acidente horrível com Eduardo Campos repusera o debate político-eleitoral no caminho escolhido por boa parte do eleitorado desde junho de 2013. Isto é: 1) A discussão de alternativas a partidos e políticos dominantes nos últimos 20 anos; 2) O cansaço com o "bacanal" de alianças e negócios partidários, que teve novo clímax na baderna de coligações desta eleição de 2014; 3) A repulsa à corrupção ou, pelo menos, à distância da política-politiqueira em relação a preocupações comuns, à indiferença a mudanças mais substantivas na vida brasileira.

"Petrolão". Na tarde de sexta, era assim que rapazes do mercado financeiro faziam troça animada dos boatos de que um ex-diretor da Petrobras expusera na roda as propinas que políticos governistas levariam de empresas, em troca de negócios com a petroleira. Não era boato.

Mesmo sem saber de detalhes da história, é difícil crer que o caso não venha a envenenar ainda mais os espíritos cansados com o padrão da política-polítiqueira, da "velha política" criticada com oportunidade por Marina Silva, por mais que não se saiba bem qual seja a novidade marinista.

Mais que isso, o veneno poderia escorrer por outros canos e deteriorar ainda mais o humor do eleitorado. Na sexta já se ouvia de governistas muito assustados a intenção de colocar outros escândalos no ventilador, a começar pelo "tremsalão tucano", as propinas pagas por cartéis a integrantes do PSDB paulista.

A eleição deste ano tem um pouco em comum com a de 1989, quando foram de certa forma banidas figuras "velhas", algumas na política desde a República de 1946, outras pelo menos envolvidas com a ditadura de 1964 ou com a redemocratização e seu primeiro governo, desmoralizado pelo fracasso hiperinflacionário do final dos anos 1980 e pelos estelionatos econômico-eleitorais da "Nova República".

No segundo turno de 1989, sobrariam outros dois "outsiders", Collor e Lula.

Obviamente o Brasil de 2014 é muitíssimo melhor que o de 1989. Mas a maior parte dos eleitores não vive na história. Para milhões deles, até o Plano Real é passado remoto. Parece tratar-se de um público impaciente com a desaceleração das mudanças, com a vida intragável nas cidades maiores, um público que chegou ao esgotamento da paciência com o acúmulo de escândalos e coalizões descaradas.

Dizia-se que os mensalões, petistas ou tucanos, e outras bandalhas não tiveram efeito eleitoral. Pontualmente, não tiveram. Mas o efeito cumulativo aparece agora, antes na quantidade maciça de votos brancos e nulos das primeiras pesquisas, ora na votação de Marina. O "petrolão" deve aumentar o descrédito no sistema de política em vigor faz uns 20 anos. Se isso vai levar a mudança de fato, é outra história.

(por VINICIUS TORRES FREIRE)

 

O novo mensalão

BRASÍLIA - Se a Petrobras entrou na eleição de 2010 para aniquilar as chances do PSDB, ela já entrava na de 2014 para enfraquecer a posição do PT e se torna agora um canhão contra o governo e os governistas.

O ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa, que sabe das coisas, aproximou-se do PT, mas está longe de ser um quadro do partido como Delúbio Soares, que aguentou o tranco e foi para o abatedouro sem entregar o resto da boiada.

Com a delação premiada, o ex-diretor deixou claro que sua prioridade é salvar o que for possível da própria pele. Joga uma profusão de nomes e siglas nas páginas da Justiça e nos ares da eleição. Aliás, já que falamos de Delúbio, uma peça-chave nas denúncias é o novo tesoureiro do PT. Está um salve-se quem puder.

Na reta final da campanha, com Marina Silva na cola de Dilma Rousseff e ameaçando o seu antigo partido, o PT. Haja coração! Lula que o diga. Se está complicado para Dilma, seu primeiro poste, e péssimo para Alexandre Padilha, sua derradeira tentativa de poste, pode ficar pior. Tende a chegar no coração do PT e é improvável que Lula passe incólume.

Se a Petrobras já era um campo minado para a imagem de gestora de Dilma, as novas histórias que saem da boca de Paulo Roberto explodem num outro campo muito delicado para os governos do PT: o da ética. Certo ou errado, o fato é que o mensalão, o deputado amigão do doleiro, o vereador aliado ao PCC e as peripécias dos aliados minaram a aura e o discurso petista construídos em décadas. Cada coisa nova só reforça a sensação que se generalizou. E a "coisa", desta vez, é cabeluda.

O único e frágil alívio para Lula, Dilma e o PT é que a citação a Eduardo Campos embaralha as cartas e deixa Marina sem artilharia para atacar, sobretudo depois da história mal contada do avião da campanha do PSB. É difícil reverter o quadro crítico para Aécio Neves, mas, no mínimo, o tucano deve estar pensando: quem ri por último ri melhor.

(por ELIANE CANTANHÊDE)

 

O 'verdadeiro' mensalão

por João Bosco Rabello, de O Estado de S. Paulo

A história política no Brasil não deixa dúvidas quanto aos danos eleitorais provocados por denúncias de corrupção, especialmente aquelas com elementos que lhes dotam de consistência, ainda que dependente de investigações mais aprofundadas.

Não só nas campanhas esse efeito se verifica. Atinge também governos já eleitos, com maior ou menor intensidade, durante ou após seus mandatos, como no impeachment de Fernando Collor e no mensalão, que enterrou o sonho de reeleição no primeiro turno acalentado pelo PT, para ficar nos exemplos recentes.

A campanha atual, já nos seus 30 dias finais, é alcançada pelas primeiras consequências de uma investigação sob condução judicial, que o governo tentou a todo custo, com êxito, sustar na instância parlamentar, obstruindo a CPI da Petrobrás.

As informações prestadas pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, sob o regime da delação premiada, tem potencial devastador e sua influência na eleição começa agora. O dano só poderá ser medido após conhecida a extensão de suas denúncias.

Pelo que já se sabe, o que Costa narra aos seus inquiridores é que a operação montada dentro da Petrobrás reproduz o mecanismo do mensalão, em volume bem maior, com os mesmos partidos da base governista - PT, PP e PMDB -, que tiveram dirigentes condenados e presos.

Por isso, nos meios políticos , o esquema da Petrobrás é tratado como uma extensão do mensalão, por reproduzir meios, fins e personagens envolvidos em desvios de recursos públicos para financiamento de campanhas e também para enriquecimento pessoal.

O processo do mensalão foi conduzido pelo ex-ministro Joaquim Barbosa com base em valores amplamente comprovados, o que reduziu significativamente o montante real desviado. Foi uma opção por trabalhar judicialmente com o que efetivamente se tinha e não com aquilo que se sabia, mas que demandaria mais tempo para materializar.

Por essa razão, o que desponta das investigações na Petrobrás, tem dimensão muito maior que o escândalo de compra de apoio parlamentar. Já vinha sendo chamado de "o verdadeiro mensalão" nos ambientes políticos da capital.

É bastante provável que o temido depoimento de Costa, finalmente iniciado, atinja em cheio a candidatura governista, ampliando o apoio à candidata do PSB, Marina Silva.

A menos que a menção do ex-diretor a Eduardo Campos se desdobre em revelações graves sobre o ex-governador, a partir da refinaria de Abreu e Lima.

A campanha, já influenciada pelo acidente aéreo de Campos, pode recomeçar pela segunda vez, para vertigem geral de partidos e candidatos.

"O governo do PT patrocinou um assalto à Petrobras", diz Aécio

Candidato do PSDB à presidência afirma que Dilma Rousseff não poderá alegar que não sabia de megaesquema de corrupção na Petrobras

Bruna Fasano, de Presidente Prudente
Aécio Neves: "O PT perdeu a eleição"

Aécio Neves: "O PT perdeu a eleição" (Ivan Pacheco/VEJA.com)

A menos de 30 dias do primeiro turno, as campanhas da petista Dilma Rousseff e da ex-senadora Marina Silva (PSB) tentam estancar a todo custo a sangria provocada pelos depoimentos do ex-dirigente da Petrobras e controlar uma possível fuga de votos das candidatas. Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de votos na corrida presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) avalia que as revelações do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, sobre a montagem de um balcão de distribuição de propina a deputados, senadores, governadores e até um ministro de Estado aliados ao Palácio do Planalto podem mudar o resultado das eleições de outubro. “O governo do PT patrocinou um assalto à Petrobras. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição”, disse Aécio em entrevista exclusiva ao site de VEJA.

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Os nomes de autoridades citados por Paulo Roberto Costa como participantes do esquema de propina são essencialmente da base de sustentação do governo da presidente Dilma Rousseff. O senhor acha que houve conivência por parte dela? Não dá mais para vir com essa história de que não sabia de nada. Nós estamos falando de algo talvez ainda mais grave do que o mensalão 1, que é o mensalão 2, que coexiste há mais de nove anos no poder. Continua a haver um processo, desde o início, que não foi interrompido: utilização de dinheiro público, empresas públicas, superfaturamento de obras para beneficiar um grupo político que quer se manter a qualquer custo no poder. O PT perdeu, a meu ver, a autoridade sequer para apresentar um projeto de continuidade desse modelo que está aí. É vergonhoso o que aconteceu. As investigações tem que ir a fundo. Espero que o Brasil conheça o que aconteceu e as punições possam vir. A presidente da República tem, sim, que dizer o que aconteceu na empresa que ela comandou com mão de ferro. Ela foi do conselho da Petrobras durante doze anos.

Com as denúncias de Paulo Roberto Costa, cai a tese da presidente Dilma Rousseff de acusar setores oposicionistas de tentar desmoralizar a Petrobras? As denúncias do senhor Paulo Roberto mostram que a Petrobras vem sendo assaltada ao longo dos últimos anos por um grupo político, comando pelo PT, com o objetivo de perpetuar-se no poder. Quando nós apresentamos a proposta da criação da CPMI da Petrobras os líderes do governo diziam que isso era uma jogada eleitoral da oposição apenas para prejudicar o governo nas eleições. A presidente da República chegou a dizer que nós estávamos, com os ataques que fazíamos a Petrobras, depondo contra a imagem da nossa principal empresa. Quem desmoralizou a nossa principal empresa foi esse governo comando pela atual presidente da República. Não é possível, sentada na mesa com esses mesmos réus, em especial com esse diretor que está preso hoje, dizer que não tinha ideia do que está acontecendo. Ainda que pela incapacidade de ver o que acontece no seu entorno, ela não pode querer disputar novamente a Presidência da República.

Segundo a delação premiada feita por Paulo Roberto Costa, o ex-governador de Pernambuco e ex-candidato do PSB, Eduardo Campos, estaria envolvido no esquema.Eu tenho muito cuidado com relação a isso. São acusações que eu não conheço. Li pela manhã e me dei conta do tamanho dessas denúncias. Todos nós vamos ter que estar prontos para dar explicações sobre quaisquer questões. Eu acho que não dá é para pessoas envolvidas dizerem que não sabiam de nada. Vamos dar tempo ao tempo e esperar que, realmente, essas acusações que hoje citam nominalmente algumas pessoas possam ser comprovadas, com indícios mais claros. Eu vejo tudo isso com alguma cautela. Mas eu reafirmo, e não há dúvidas em relação a isso, é que o governo do PT foi conivente com o maior assalto que já se fez aos cofres da maior empresa brasileira, a Petrobras. O governo do PT patrocinou um assalto à maior empresa brasileira. Isso jamais ocorreu na história do Brasil.

A citação de Eduardo Campos entre os que teriam recebido propina desconstrói o discurso da candidata Marina Silva sobre a “nova política”? É possível atender a interesses de aliados sem cair em esquemas de corrupção? Nós estávamos desde lá de trás denunciando esse governo. Eu vejo hoje críticas ao PSDB por uma pseudopolarização com o PT. Nós estávamos desde sempre, lá atrás, desde 2003, combatendo esse governo, denunciando o aparelhamento da máquina pública, as nomeações políticas na Petrobras. Será que quem estava certo era quem estava dentro desse governo durante todo esse período? De alguma forma, até se beneficiando, mesmo que não diretamente. Se beneficiando dessa estrutura que se manteve para sustentar o governo. A minha diferença maior para as duas candidatas é que em nenhum momento eu participei desse governo. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição. De nenhuma forma eu participava disso. Nem diretamente nem indiretamente. Os cargos que eu ocupei não foram, de alguma forma, sustentados por esse governo corrupto.

O esquema do mensalão movimentou 173 milhões de reais. A Polícia Federal estima que, no caso da operação Lava-Jato, sejam pelo menos 10 bilhões de reais. É mais grave que o escândalo que colocou a cúpula do PT na cadeia? O mensalão 2, esse atual, a meu ver, é mais grave do que o mensalão 1 até pelo tempo que durou esse assalto. Um processo que não pode ser agora atribuído a uma pessoa, a alguém que se utilizou de determinado momento de um cargo que ocupou em benefício próprio. É uma engrenagem institucionalizada para roubar no seio da nossa maior empresa para beneficiar o grupo que está no poder. O atual governo e a própria presidente da República são, no mínimo, beneficiários daquilo que a Polícia Federal chamou de organização criminosa instalada na Petrobras. Dilma foi beneficiária desse esquema. E esse esquema é que vem sustentando o seu governo, dando a ela maioria no Congresso e pagando diretamente sua base de apoio. Estamos diante do mais grave escândalo de corrupção da nossa história contemporânea. Acho que o mensalão 2 tem níveis de sofisticação que fazem dele algo mais grave do que o primeiro. O mensalão 2, pelo que nós estamos vendo, se manteve e se arrastou pelos onze anos desse governo.

As pesquisas de intenção de voto o colocam em terceiro lugar na corrida pelo Palácio do Planalto. As denúncias podem mudar o quadro eleitoral? Eu continuo acreditando muito na possibilidade de vitória. Nós somos a oposição a tudo isso. Eu não sou oposição ao PT agora. Eu sou oposição a esse modelo desde que essa bandalheira, essa forma de agir, começou. Nem todos podem dizer isso, né? A atual candidata à Presidência da República perderá as eleições. Não há condições morais dela apresentar algo novo ao Brasil. Comete a imprudência de destituir, mesmo mantendo no cargo, o ministro da Fazenda. E se ele tivesse hoje uma forma de preservar sua própria história, pediria ele mesmo para sair. Ministro da Fazenda ou você nomeia ou demite. Não pré-anuncia que vai demiti-lo lá adiante. Quem é que vai conversar hoje com o ministro da Fazenda sobre determinada questão relevante para a economia sabendo que daqui a três meses ele não vai estar lá para tocar aquilo que foi eventualmente acertado? O dano só não é maior porque ele já tinha perdido toda a credibilidade. Agora que autoridade a presidente vai ter? Tendo comandado a maior empresa brasileira, a Petrobras, como comandou e fazia questão de mostrar que era ela quem mandava com mão de ferro, vendo nas suas barbas esse processo de corrupção beneficiar seu próprio projeto.

Mas a presidente Dilma ainda se mantém líder nas pesquisas. Eu acho que o PT perdeu a eleição. O PT perdeu a eleição. Agora tem uma nova candidata que eu respeito pessoalmente, mas precisa explicar seus vínculos com esse grupo político. Marina tem uma militância no PT maior do que da própria Dilma. Não acredito que ela possa ter um vínculo direto com isso. Mas eu não vi a indignação dela no momento em que o mensalão foi denunciado. Lá atrás, no momento em que o mensalão foi denunciado, não me lembro dela considerando isso uma prática da velha política, se indignando e pedindo para sair do partido. Ao contrário. É um direito dela.

O senhor acha que Marina Silva deve defender publicamente Eduardo Campos das acusações feitas por Paulo Roberto Costa ou é um problema do PSB? Todos tem que dizer claramente o que pensam. Terceirizar responsabilidades não é um bom exemplo para quem se autointitula representante da nova política. Nada mais velho na política do que a corrupção. Esse modelo do PT de utilizar a estrutura do Estado em benefício do seu projeto de poder é tudo, menos novo. Isso existe desde que o PT assumiu o governo. Já existia nas administrações municipais do PT. Nós sabemos disso em várias denúncias, como no caso de Santo André, talvez o mais marcante deles. O PT sempre buscou nas oportunidades que teve para utilizar empresas e espaços públicos para financiar a sua permanência no poder. Isso não mudou. O que mudou foi a escala, agora infinitamente maior. Eu sempre soube e ataquei isso. A outra candidata conviveu de alguma forma com esse modus operandi do PT. Temos duas alternativas. A minha é clara, de combate a tudo isso e restabelecer a meritocracia. Resgate a nossas empresas públicas, e vamos afundo nas investigações. Queremos as investigações como propusemos na CPMI. E que os responsáveis sejam punidos. Outra candidatura vai ter que mostrar como convive com esse tipo de corrupção. Eu vejo muito esse discurso da nova política. Para mim sempre houve a boa e a má política. E a boa política é que a nós praticamos. A má política é a que o PT pratica. E, na verdade, não é de hoje. Desde quando a candidata Marina era um membro influente no partido.

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Fonte:
Folha de S. Paulo + VEJA

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1 comentário

  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    por isso que as obras eram orsadas e um valor depois cultam 10 veezes mais e a festa continua fora ladrões

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