Poucos se importam com a eleição para deputado federal e estadual. Isso é bom para a democracia?

Publicado em 04/10/2014 12:54 236 exibições
por Elias Aredes Jr.

Estamos a uma semana da eleição em primeiro turno e a pergunta que mais ouço nas ruas é sobre nomes adequados para a composição do parlamento. Poucas são as pessoas com seu voto definido para deputado estadual e deputado federal. Uma péssima noticia. É sinal que mesmo com toda a informação que circula atualmente pela internet e mesmo o horário eleitoral gratuito não é suficiente para atrair a atenção do eleitor, que só tem olhos para as eleições de governador e presidente e em segundo plano para o senado.

É a conseqüência direta da criminalização da política detonada por alguns veículos de comunicação e jornalistas. Não existe a transmissão de que o papel do parlamento é importante para fiscalizar, propor leis e especialmente apreciar idéias do executivo que podem modificar a vida das pessoas. No governo federal, tal realidade é ainda mais explicita. Temos uma série de medidas provisórias empacadas e que não são analisadas, em boa parte dos casos por culpa exclusiva da imensa salada de partidos e por uma parcela de parlamentares incapacitados para exercerem o ofício. E como chegaram ali? Por causa de eleitores que sem instrumentos para verificar a biografia e a trajetória do candidato votam em qualquer um e de afogadilho. E por que ele toma essa decisão? Por que na sua visão, fomentada pelo noticiário da imprensa em nível nacional, todos absolutamente os deputados são iguais e em ultima medida tanto faz escolher um ou outro. Ledo engano.

Tal cenário faz com que até pessoas que poderiam fazer política de maneira séria abandonem o receituário ideal e partam ao escracho. Vejam o exemplo de Tiririca. Não fez nenhum discurso no plenário, o que é uma verdade. Mas dentro de suas limitações buscou defender os trabalhadores de circo. Não deveria enfocar tal fato na campanha? Sim, mas sua decisão foi em direção oposta  e continuou a apostar nas esquetes no horário eleitoral gratuito. Já que infelizmente uma parte relevante do eleitorado não leva a eleição de deputado a sério a decisão de alguns é transformar tudo em uma grande piada. Uma pena.

Quem vota em Campinas, após participar na urna eletrônica da eleição geral, vai decidir se serão criados os distritos do Campo Grande e Ouro. Muitos argumentos consistentes têm sido encaminhados para se cravar o não na urna e reprovar a idéia, mas o blogueiro acredita de que outros fatores devem ser pesados e considerados.

Quem mora em Campinas sabe que as décadas de 1970 e 1980 a cidade visava apenas e tão somente desenvolver a região central e alguns bairros próximos. Quem morava, por exemplo, no Jardim dos Oliveiras, Jardim Amazonas Vila Georgina, Swift e Vila Marieta ou nos bairros localizados próximos a Avenida John Boyd Dunlop poderia se considerar um  morador de periferia. Sim, regiões que hoje abrigam boa parte dos investimentos de moradia para a classe média alta já esteve excluída do jogo. Mas antes dos empreendimentos, quem residia nestes bairros sabia que as dificuldades eram tremendas seja para conseguir asfalto, saúde, educação ou conservações das ruas.

O quadro perdurou até que começaram a surgir os Dic´s e os bairros das regiões de Campo Grande e Ouro Verde, que atualmente abrigam 400 mil moradores. Mas sejamos sinceros e honestos: excetuando-se os ex-prefeitos Antonio da Costa Santos e Hélio de Oliveira Santos (sim, ele mesmo!) as duas regiões nunca se constituíram em prioridade absoluta do Palácio dos Jequitibás. Lembro nos meus tempos iniciais de repórter do Diário do Povo quando a turma do Campo Grande e do Ouro Verde descia para realizar uma manifestação alguns encaravam como aliens.

Ou seja, a obtenção de recursos era ( e ainda é) obtida na base da pressão, da mobilização, nunca existe a garantia de que algo será conquistado. Ok, afirmam que os novos distritos serão um cabide de empregos. Mas espere. Se é tão nefasto assim o cabidão por que não encaminham um pedido para exterminar com os empregos por nomeação gerados nos distritos de Souzas, Joaquim Egídio, Barão Geraldo e Aparecidinha? Por que dois pesos e duas medidas? Circulo rotineiramente em Barão Geraldo e dá para dizer que o bairro tem um padrão de limpeza e conservação aceitável. Fruto, acima de tudo, dos serviços feitos pela subprefeitura. E se não existisse? Será que o padrão seria o mesmo diante da necessidade do Palácio dos Jequitibás cuidar de temas complexos e que demandam tempo?

Quanto a especulação imobiliária em virtude do Aeroporto de Viracopos, que a Câmara de Vereadores cumpra seu papel e estabeleça um plano diretor decente ao local.

Resumindo: se existisse a garantia total de que serviços mínimos seriam fornecidos a esses locais sem a presença de uma subprefeitura, tenho certeza que o Não teria meu apoio. Mas diante do histórico do que vi e vivi na cidade de Campinas e pelo seu apartheid social camuflado, chego a conclusão de que a criação dos distritos Ouro Verde e Campo Grande é um mal necessário. Sim por que se o Não triunfar tenho sérias dúvidas que essas duas regiões receberão o carinho e o afeto necessário por parte das outras regiões da cidade. É ver para crer.

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Blog Bola com gravata

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