NA FOLHA: China e Austrália terão acordo que reduz espaço para carne brasileira

Publicado em 18/11/2014 05:59 373 exibições
Anúncio ocorre num momento em que o mercado chinês está prestes a ser reaberto para a carne do Brasil. Tratado derruba tarifas de importação e beneficia setor de bovinos e vinhos do país da Oceania.

China e Austrália anunciaram nesta segunda (17) um acordo de livre-comércio que poderá dificultar as exportações de carne bovina do Brasil para o mercado chinês.

O acordo, que consumiu dez anos de negociação, derruba tarifas sobre produtos australianos na China e beneficia, sobretudo, o setor de carne bovina, vinho e derivados de leite.

Os chineses, por sua vez, terão menos barreiras para investir na Austrália.

Uma declaração de intenções foi assinada em Canberra na visita do líder chinês, Xi Jinping, e o acordo final será selado em 2015.

Ele prevê que 95% das exportações australianas à China tenham tarifa zero em cinco anos (produtos chineses na Austrália também terão cortes de tarifas).

Autoridades australianas classificaram de "histórico" o acordo --o terceiro do tipo assinado neste ano por Canberra, depois de um com a Japão e outro com a Coreia--, estimando que ele possa acrescentar US$ 20 bilhões ao comércio bilateral. Em 2013, as trocas entre os dois países somaram US$ 150 bilhões.

O acordo ocorre num momento em que o mercado chinês está prestes a ser reaberto para a carne bovina brasileira, após dois anos de embargo por causa de um caso atípico do mal da vaca loca.

Um novo protocolo sanitário foi finalizado no sábado, dia 15, e o Brasil deve recomeçar as exportações para a China em janeiro, afirmou à Folha o ministro da Agricultura, Neri Geller.

Ele disse não estar preocupado com o acordo entre China e Austrália porque confia na capacidade de fornecimento do setor de carne bovina do Brasil.

No ano passado, a Austrália respondeu por 52% da carne bovina importada pela China, ou US$ 1,3 bilhão.

O acordo coloca o produto australiano em vantagem para continuar dominando o mercado.

Segundo estimativa do serviço de notícias australiano "Beef Central", especializado no mercado de carne vermelha, o acordo tem o potencial de aumentar as exportações do país para a China em US$ 270 milhões ao ano.

APROFUNDAR RELAÇÃO

Para a Austrália, ademais, foi uma forma de mostrar que pode aprofundar a relação econômica com seu principal parceiro comercial enquanto mantém a aliança política e de defesa com os EUA.

Em discurso no Parlamento australiano, Xi Jinping procurou afastar os temores de que a ascensão da China é uma ameaça para a região.

"Nem turbulência nem guerra servem os interesses do povo chinês", disse Xi.

 

VAIVÉM DAS COMMODITIES

MAURO ZAFALON [email protected]

Valor da produção de frango recua em 2015

A pecuária está sendo o destaque nacional, com crescimento previsto de 9,8%, no VBP (Valor Bruto de Produção) deste ano. O ritmo acelerado desse setor fará com que o VBP do país suba para R$ 461 bilhões.

A avaliação é do Ministério da Agricultura, que aponta, no entanto, um recuo do VBP da pecuária no próximo ano para R$ 169,9 bilhões, 0,5% menos do que o deste ano. O ministério inclui nesse setor bovinos, suínos, frango, leite e ovos.

Já o setor de lavouras, que deverá registrar queda de 0,5% neste ano, crescerá 4% no próximo. O VBP da lavoura passa dos R$ 290,2 bilhões deste ano para R$ 301,3 bilhões em 2015.

José Gasques, da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, destaca que o VBP total do país, ao atingir R$ 461 bilhões, deverá superar em 3,1% o de 2013. Em 2015, subirá para R$ 471,2 bilhões.

Destaque neste ano, a pecuária perde força no próximo devido ao desempenho do frango. Na avaliação do ministério, a renda total nesse segmento recua para R$ 58,6 bilhões em 2015, uma queda de 4% ante 2014.

A bovinocultura, que vem puxando o setor de pecuária, manterá crescimento, somando R$ 62,2 bilhões no próximo ano.

Já o segmento de suínos, devido ao ritmo das exportações, terá em 2015 um valor de produção 3,4% acima do de 2014. A estimativa do ministério é de um valor total de produção de R$ 12 bilhões.

Leite e ovos, embora com valores inferiores aos de bovinos e de frangos, vêm se destacando nos últimos anos. Desde 2009, a evolução desses setores foi de 48% e 71%, respectivamente, bem acima do dos demais dessa cadeia.

O destaque das lavouras recai sobre soja, cuja renda deverá atingir R$ 95 bilhões no país em 2015, ante R$ 84 bilhões neste.

O segmento de cana, em queda neste ano, repete desempenho ruim em 2015, quando o valor da produção recua para R$ 44,6 bilhões.

Um dos destaques é o café que, devido à melhora dos preços internacionais, deverá obter um valor de produção de R$ 19 bilhões em 2015. Uma boa recuperação em relação aos R$ 14,3 bilhões de de 2013, mas ainda bem inferior aos R$ 22,4 bilhões atingidos em 2011.

DE OLHO NO PREÇO

COTAÇÕES

Mercado interno

Café
(R$ por saca)469,5

Boi gordo
(R$ por arroba)145,0

Chicago

Soja
(US$ por bushel)10,36

Trigo
(US$ por bushel)5,52

Crédito O estoque de CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) atingiu R$ 1,7 bilhão no final de outubro, de acordo com a Cetip, depositária de títulos privados de renda fixa e câmara de ativos privados.

Evolução Esse valor aponta um alta de 98% em relação ao estoque observado no mesmo período de 2013 e de 53% quando comparado ao final de setembro de 2014.

Raízen Essa intensa evolução no mês passado ocorre devido à maior emissão de CRAs até então, no valor de R$ 675 milhões, captados pela Raízen em outubro.

Sucata O baixo ritmo de atividade do mercado siderúrgico acelera as exportações de sucatas pelas empresas do país, segundo o Inesfa (instituto do setor).

Sem alívio Na avaliação do instituto, as dificuldades vão continuar em 2015, principalmente porque os preços externos estão baixos. As exportações de sucata deste ano somam 476 mil toneladas, alta de 26% ante 2013.

Definidas Os Estados Unidos já colheram 94% da área de soja desta safra 2014/15. No caso do milho, as máquinas já passaram por 89% da área a ser colhida, conforme dados do Usda (Departamento de Agricultura).

Agora é com o Brasil Praticamente definida a safra recorde nos EUA, resta esperar a produção brasileira. Uma redução por aqui elevaria os ganhos dos norte-americanos com os grãos.

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Fonte:
Folha de S. Paulo

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