Especial: Coronavírus pelo mundo; começando pelos EUA, o mais afetado

Publicado em 15/05/2020 21:00 e atualizado em 15/05/2020 21:35 3530 exibições

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O conavírus está impactando o agronegócio ao redor do mundo e por isso, o site Notícias Agrícolas fez uma série de reportagens especiais, com pessoas de diversos países. Abaixo você acompanha todas as entrevistas realizadas até o momento:

eua  EUA - Aaron Edwards - Roach Ag Marketing

Os Estados Unidos é um dos países mais afetados pelo coronavírus, com mais de 200 mil pessoas infectadas pela doença. O problema já afeta também o agronegócio, dificultando a aquisição de insumos e forçando o fechamento de 30 empresas de etanol de milho.

A competitividade do etanol é um dos pontos levantados por Aaron Edwards, da Roach Ag Marketing, consultoria americana que atende produtores americanos e brasileiros. Segundo ele, além do coronavírus, outro fator tem impactado na competitividade do combustível, que nos Estados Unidos é produzido a partir do milho.

Já para a soja, o produtor dos Estados Unidos tem dificuldade em competir com outros países por causa do dólar muito valorizado. Com a moeda americana alta, a competitividade diante de outras divisas fica menor, já que o produto americano fica mais caro por causa das diferenças cambiais.

"O produtor americano se vê muito preocupado nesse momento delicado, tanto para a soja, quanto par o milho, teremos uma safra mmuito difícil. A única forma de passarmos por esse momento será avaliar caso a caso", disse.

Segundo ele, apesar do câmbio alto estar favorecendo a soja brasileira, Aaron explica que esse fator na formação de preços também pode trazer pproblemas mais pra frente. "Quando a soja está alta em Chicago, ela se mostra valiosa. Porém, quando ela está num bom preço por causa do dólar, sem respaldo de ganhos na bolsa, o valor não está na soja, mas sim na variação cambial. O risco é que insumos e outros produtos que são ligados ao dólar também acabam variando e isso nem sempre é uma vantagem", alertou.   

chinaCHINA - Gabriel Mont'Alvão de Freitas - Ramax Group

Nos últimos meses, a China passou por três grandes crises sanitárias: a Peste Suína Africana (PSA), a gripe aviária e o Covid-19 (o novo coronavírus). Com a logística e a demanda parcialmente afetadas, a China continuou demandando por alimentos do Brasil.

Agora, a China tem evoluído em suas medidas sanitárias, adotando tecnologias e controlando ao máximo quaquer foco das doenças. No caso da PSA, a tecnificação e profissionalização dos criadores pode ter, como resultado, um plantel de suínos restabelecido e normalizado em menos de 2 anos.

É o que afirma Gabriel Mont'Alvão de Freitas, operador da Trading Ramax na Ásia. Em entrevista exclusiva para o site Notícias Agrícolas, ele explicou que a principal mudança sanitária para o mercado de suínos, foi com relação ao transporte de animais vivos: "O transporte de carga viva está sendo fiscalizada com rigor, pois não se sabe se os animais são portadores de alguma doença".

Para a gripe aviária, a intenção do governo chinês é aumentar a produção e ao mesmo tempo evitar o surgimento de focos da doença. Já para o coronavirus, qualquer indício de um novo surto é tratado com novas quarentenas e lockdowns.

"A China está tratando todos esses problemas com muito rigor, adotando tecnologias que facilitam a detecção de problemas sanitários, por exemplo. Além disso, a profissionalização dos criadores tem sido adotada e isso irá permitir uma estabilização da oferta de proteína animal no país", explicou.

Dessa forma, o controle e a organização fazem com que o país venha retomando aos poucos seu ritmo. Inclusive na logística, com os portos redistribuindo contêiners até mesmo para países vizinhos. Com essa metodologia calma e eficaz, o país asiático vai liberando navios cargueiros para seus países de origem.

"Agora que a China está retomando as atividades, muitos outros países impuseram barreiras sanitárias por causa do Coronavírus. Então os portos estão remanejando contêineres, fazendo a distribuição do que estava parado, para então liberá-los".

Sobre a demanda por carnes, Gabriel salientou que o paladar do povo chinês está se adaptando pela carne bovina e prevê um aumento na demanda por esse tipo de proteína animal. Segundo ele, a economia chinesa permitiu que sua população tivesse uma boa renda média nos últimos anos, o que possibilitou um aumento da classe média e a popularização de alimentos com maior valor agregado. "Dessa forma, conforme a epidemia por coronavírus for acabando, essa tendência deve se fortalecer ainda mais".

italiaITÁLIA - Andrea Mercorillo - Frantoi Cutrera

A Itália foi um dos países mais afetados pelo Coronavírus, contabilizando mais de 15 mil mortes. Em um momento delicado como este, estar inserido na União Européia pode facilitar na tomada de decisões e na ação em conjunto. É o que acredita Andrea Mercorillo, italiano que trabalha em uma empresa produtora de azeites de oliva.

Andrea explicou que na Itália existem dois tipos de mercado consumidor, o de produtos em escala e o de produtos com maior valor agregado. Para atender este segundo tipo de consumidor, diversos países da Europa adotam selos de qualidade locais para creditar alimentos produzidos de forma tradicional.

"Todos os países da União Européia precisam adotar os mesmos padrões de qualidade e atender as mesmas diretrizes de produção. Assim atendemos clientes que demandam cada vez mais qualidade e ao mesmo tempo temos que competir internamente pelo mercado consumidor", disse Andrea.

Para a agricultura no país, Andrea falou que ainda não há grandes prejuízos. Nesta época do ano, boa parte das lavouras está em repouso, sendo que os manejos se iniciam no final do primeiro semestre. "Se o problema da doença se estender até lá, aí sim teremos problemas".

nova zelandiaNOVA ZELÂNDIA - Felipe Frossard - AirNZ

A Nova Zelândia foi um país que reagiu com agilidade contra a pandemia do Covid-19 (o novo coronavírus), adotando o lockdown e fechando fronteiras para que a doença não se espalhasse. Apesar de ser um país pequeno, formado por duas ilhas principais, a Nova Zelândia possui dois grandes setores que movimentam sua economia: a agricultura e o agronegócio.

De acordo com Felipe Frossard, analista de TI de uma companhia aeroespacial neozelandesa,  esses foram os setores sofreram um grande impacto. "O turismo diminuiu bastante, mesmo as pessoas que conseguem chegar aqui, precisam passar um tempo de quarentena antes de entrar no país".

Já o agronegócio, por ser um setor essencial, continua trabalhando, mas não há mão-de-obra necessária para a colheita das frutas. "Normalmente, pessoas  de outros países pegam vistos temporários para trabalhar na colheita. Com as restrições, esse processo ficou dificíl e há a possibilidade de haver uma grande perda de frutas ainda no pé".

Felipe também falou de uma mudança  de comportamento no mercado consumidor, já que ele também importa produtos agrícolas do Brasil para a Nova Zelândia. "Trabalhamos muito com cacau e café, mas nesse momento há uma grande procura pela acerola, por ela ter muita vitamina C", explicou.

portugalPORTUGAL - Flávio Inocêncio - Universidade de Lisboa

Em questão de meses, o petróleo teve uma grande flutuação de preços, saindo de patamares entre US$ 60 / 70, para os atuais US$ 20/30. A maior explicação para tamanha diferença é o coronavírus e o isolamento social como forma de diminuir o contágio pela doença. Com menor movimentação de pessoas, menos automóveis nas ruas. Além disso, na maioria dos países, é permitido apenas o trânsito de itens essenciais para a sobrevivência da população, o que significa uma drástica diminuição na logística global. Veja um breve resumo dessa história recente da commodity:

Segundo Flávio Inocêncio, professor especialista em gás e petróleo da Universidade Nova Lisboa, em Portugal, a grande variação de preços criou dois momentos distintos. Quando muito alto, atraiu a atenção de diversos investidores, o que não é necessariamente um ponto positivo já que são esses mesmos investidores que são prejudicados no atual momento de queda.

Além disso, o preço baixo atual torna a competição entre o mix de combustíveis muito complexa, o que irá moldar o futuro da commodity. "Após a crise, o petróleo deve perder o seu marketshare, que hoje é cerca de 30%. No entanto, continuará sendo um investimento atrativo, já que o petróleo possui alto valor agregado, como é o caso das indústrias de plástico e de insumos agrícolas", disse.

Com relação ao etanol de milho, Flávio diz que o biocombustível nunca foi muito competitivo, dependendo de auxílio do governo dos Estados Unidos para ter relevância. O mesmo não ocorre com o etanol brasileiro, que é produzido a partir da cana-de-açúcar e é mais competitivo devido ao posicionamento das usinas. "Acredito que o mercado de combustíveis terá um novo cenário daqui pra frente, com o petróleo se direcionando para outros setores e restabelendo seu valor agregado".

japaoJAPÃO - Fábio Murakami 

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o metalúrgico Fábio Murakami explicou que o Japão possui uma estratégia diferenciada para combater o coronavírus, que é priorizar o consumo interno. Fábio possui um passado relacionado à agricultura e está no Japão há mais de 20 anos, na região de Nagano.

O Japão é constantemente lembrado por seus costumes sociais, em que um certo distanciamento entre as pessoas é uma prática comum. No entanto, o país foi criticado internacionalllmente por demorar em adotar medidas de contenção do novo coronavírus, já que o país declarou Estado de Emergência há poucos dias.

Outro detalhe é que o Japão estava organizando as Olimpíadas que seriam realizadas este ano, mas que foram adiadas para 2021. A expectativa de um aumento no turismo e na movimentação de pessoas fez com que alguns setores sentissem um grande impacto por causa da mudança, sendo que a pecuária de corte foi um dos mais afetados no agronegócio do país.

"Aqui a pecuária de corte vem principalmente da raça Wagyu, que é bem conhecida. esses produtores esperavam que haveria um grande aumento no número de pessoas aqui por causa das Olimpíadas, o que não ocorrer agora, então haverá um problema na oferta de carne e os preços vão acabar caindo", explicou.

Segundo Fábio, o povo está muito unido no combate aos efeitos econômicos causados pela doença. Em alguns casos, o excedente de alimentos e distribuído gratuitamente antes que estrague. Além disso, a prioridade é incentivar o consumo interno, aumentando a competitividade da produção de alimentos japonesa.

brazilBRASIL - Érico Freitas - Captable e Luiz Fernando Gutierrez - Safras & Mercado 

Rastreabilidade, segurança alimentar, machine learning e big data são alguns termos utilizados para definir as atividades da Agricultura 4.0, porém, nem sempre seus significados ou utilidades são percebidos pelos produtores rurais. De acordo com Érico Freitas, da plataforma Captable, são em momentos de crise em que as novas tecnologias se mostram mais práticas e capazes de diminuir as perdas financeiras dos produtores rurais.

"São nos momentos de crise que aparecem as ideias que mudam a realidade, como por exemplo a crise de 2008 nos Estados Unidos, época em que surgiram muitas startups que hoje são gigantes da tecnologia", disse Érico.

Para o agronegócio, que continua trabalhando mesmo em momento de pandemia, a adoção de novas tecnologias se tornou um diferencial para que os produtores rurais continuassem  trabalhando com segurança. Para Luiz Fernando Gutierrez, da Safras & Mercado, o produtor mais tecnificado possui mais facilidade de contornar os desafios de momentos difíceis.

"No Brasil existem diversas realidades para o agronegócio, mas pode-se dizer que o produtor rural que se preparou e soube se posicionar, passa menos dificuldade nos tempos atuais", complementou Luiz.

alemanhaALEMANHA - Ivan Causo - Bueno Causo Business Development

 

A pandemia causada pelo novo coronavírus afetou a economia global, gerando uma retração dos investidores e a possibilidade de expansão comercial das empresas. Na visão de Ivan Causo, especialista de negócios na Alemanha, essa é uma situação que deve se reverter logo após o fim da crise. "Como toda crise, os investimentos ficam represados neste momento, mas deve haver uma grande mudança nos ânimos dos investidores assim que os países reabrirem suas fronteiras de mercado", afirmou.

Causo atua tanto na Europa quanto no leste europeu e acredita que países emergentes podem sair dessa crise com grande competitividade, já que o mix de moedas desses países se vêem diante de um dólar muito forte. Nesse contexto o Brasil possui uma vantagem, já que mesmo diante de outras divisas emergentes, a moeda brasileira se mostra competitiva. "O Brasil continuará sendo atraente para o mercado externo, o país possui um grande potencial de sair dessa crise como um expoente comercial", disse.

Segundo Causo, a principal preocupação nesse momento sedeve à saude financeira de pequenas e médias empresas, que estariam mais suscetíveis a encerrarem suas operações por causa da retração econômica. Para estes, a sugestão é fazer da crise uma lição, adotando um planejamento de médio e longo prazo para futuras operações.

"As empresas precisarão estar mais ligadas às novidades tecnológicas e às soluções digitais. Além disso, um planejamento de médio e longo prazo, até mesmo para empresas ligadas ao agronegócio, podem fazer diferença em quem vai passar ou não pela crise. As empresas que sobreviverem, terão grandes possibilidades de ganharem os mercados que deixaram de ser atendidos pelas empresas que quebraram", analisou.

Se você gostou da entrevista e quer ter mais informações sobre saúde financeira, além de um aprofundamento sobre fusões e aquisições nesse momento de crise, Ivan Causo participará de um painel no Fórum de Internacionalização de Empresas, instituição que tem auxiliado o site Notícias Agrícolas nesse especial de entrevistas internacionais. Para acompanhar a live, faça sua inscrição clicando aqui.

 

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belgica  luxemburgo Bélgica / Luxemburgo - Rudinei Santos Carapinheiro - Pres. da Câmara de Com. e Ind. Belgo-Luxemburguesa do Brasil

 

A Bélgica, por ser o país-sede do parlamento europeu, é a porta de entrada de relacionamento com o bloco econômico da União Européia. Além da importância política, o país também está estrategicamente posicionado no continente, com importantes pontos de logística. É o que explicou Rudinei Carapinheiro, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Belgo-Luxemburguesa-Brasileira do Brasil, para o site Notícias Agrícolas. "A Bélgica tem o Porto de Antuérpia, que é de grande importância para toda a Europa. Além de aeroportos que também são muito estratégicos e que facilitam a circulação de alimentos importados pelos países europeus".

Pela sua importância comercial, Rudinei considera que o Brasil deveria ter uma maior representatividade no parlamento europeu. "Diversos setores estão lá, defendendo seus interesses. Por isso o Brasil deveria ter representantes trabalhando lá dentro, demonstrando as vantagens para investimentos e parcerias com o mercado brasileiro".

Por outro lado, por representar países com interesses variados e economias internas nem sempre saudáveis, os países que fazem parte do bloco europeu podem encontrar dificuldades em tomar decisões uniformes. Foi o que ocorreu ao longo da crise causada por coronavírus, que acabou isolando países que precisavam de ajuda internacional, como foi o caso da Itália. "Quando a Itália precisou de ajuda, foram países fora do bloco que se prontificaram em prestar auxílio. Ou seja, nem sempre os interesses internos estão alinhados e isso pode trazer dificuldades para o bloco com um todo", explicou.

É exatamente esse conflito de interesses que pode beneficiar uma futura parceria entre o bloco europeu e o Mercosul. Ao longo de 2019 os dois blocos iniciaram um acordo comercial, mas que foi deixado em segundo plano por causa da pandemia causada pelo coronavírus. "A Europa depende da produção externa de muitos alimentos e o Brasil pode suprir essa demanda. Como nesse momento a logística está travada em todo o continente, após a reabertura das fronteiras essa demanda reprimida virá com força".

holanda  Marilia Rodrigues Borges Andrade - Advogada - Amsterdam/Holanda


União Europeia e Mercosul  José Manuel Fernandes e Antônio da Luz - Dep. de Portugal no Parlamento Europeu e Economista da Farsul

Após quase um ano desde o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia, o site Notícias Agrícolas entrevistou José Manuel Fernandes, deputado de Portugal no Parlamento Europeu e Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul, para debater as dificuldades e as perpectivas dos dois blocos diante das dificuldades causadas pela pandemia do Covid-19, o novo coronavírus.

Para Antônio da Luz, a heterogeneidade do bloco Mercosul é mais complexa se comparada às diferenças dos países europeus. Crítico ao bloco, o economista-chefe da Farsul vê que o Brasil está preso ao bloco sul-americano. "A aproximação com a União Européia vem para salvar o Mercosul, mas precisamos ter a consciência de que o comércio é uma via de mão dupla. Ao fazer um acordo entre blocos comerciais, temos que ter a consciência de que teremos zonas de livre comércio", disse.

Um dos gargalos a serem resolvidos entre os dois blocos, são as exigências ambientais na Europa que acabam criando uma visão negativa com relação à agricultura. "A agricultura se mostra cada vez mais essencial, mas nem sempre o papel do produtor é valorizado. O rendimento médio do produtor na União Européia é cerca de 40% em relação à outras profissões, o que faz desse setor pouco atrativo", explicou o parlamentar europeu. "Olhar o agricultor como um inimigo do meio ambiente é muito errado, isso não significa que não tenhamos que enfatizar a sustentabilidade do setor, principalmente com os avanços digitais", completou.

Apesar das adversidades, tanto Antônio da Luz, quanto José Manuel Fernadez concordam que os valores em comum dos povos europeus e sul-americanos irão fortalecer os laços econômicos entre os dois blocos. "Temos valores comuns, culturas e modo de vida semelhantes, essas afinidades irão nos auxiliar em encontrar um espaço de bem comum", opinou  Fernandez. "Temos muito para aprender com a cooperação entre os blocos, não podemos adotar medidas protecionistas, pelo contrário, devemos comprar aonde é mais barato. O agronegócio só chegou ao patamar atual de importância graças ao livre mercado", alertou Antônio da Luz.

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Por:
Ericson Cunha
Fonte:
Notícias Agrícolas

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