Joe Biden, pré candidato à presidência nos EUA, afirma que pode retirar tarifas sobre a China

Publicado em 07/08/2020 17:17 e atualizado em 08/08/2020 11:01 528 exibições

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Enquanto as tensões entre China e Estados Unidos se intensificam, a corrida presidencial norte-americana vai se aquecendo, bem como a troca de farpas entre Donald Trump e Joe Biden. O democrata, em uma entrevista nesta quinta-feira (6), afirmou que a estratégia de Trump estaria equivocada e que irá retirar as tarifas sobre a nação asiática se for eleito. As eleições presidenciais nos EUA acontecem em 3 de novembro deste ano. 

"Trump está perseguindo a China de forma errada. A manufatura entrou em recessão, a agricultura perdeu bilhões de dólares que tiveram de ser pagos pelos contribuintes", disse. Segundo o pré-candidato, "a China irá reformar suas políticas comerciais ao passo em que houver uma uma coalização interncional exigindo que eles sigam as regras do mercado mundial. É aí que o comportamento da China vai mudar".

No próximo dia 15, Liu He, vice-premiê chinês, e Robert Lighthizer, representante do comércio norte-americano, deverão se unir novamente para fazer uma revisão da fase um do acordo comercial firmado entre os dois países em janeiro. E uma segunda fase do consenso ainda não está na pauta dos negociadores, principalmente, frente à recente escalada das tensões entre as duas nações e à postura do presidente americano Donald Trump diante dos efeitos da pandemia do novo coronavírus, que registrou seu primeiro surto na China. 

Enquanto isso, as compras chinesas no mercado norte-americano continuam atrasadas, incluindo produtos manufaturados, energias, serviços e, claro, alimentos e produtos agrícolas. A estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) é de que as exportações americanas para a China alcancem US$ 13 bilhões no presente ano fiscal. Todavia, a fase um do acordo prevê compras de US$ 36,6 bilhões. Até junho, o total era de US$ 8,7 bilhões importadas pela nação asiática em mercadorias. 

Segundo especialistas e jornalistas norte-americanos, Joe Biden teria muito estímulo para, ao ser eleito, rever e até mesmo retirar as tarifas sobre os produtos chineses tamanho o peso da retaliação da nação asiática. Mais do que isso, o atual cenário e os números viraram subsídio para a campanha do democrata. 

Olhando somente para a agricultura, as exportações norte-americanas de soja para a China recuaram 74% em 2018. Como forma de auxiliar os produtores locais, Trump promoveu pacotes de ajuda ao setor, distribuindo um volume de recursos, começando em janeiro, de US$ 28 bilhões. 

RETOMADA

A pouca oferta de soja no Brasil e a necessidade maior de milho devem promover uma aceleração das compras de produtos agrícolas da China nos EUA. Os números já mostram que as aquisições de ambos os produtos foram maiores em julho, como ilustram os gráficos da especialista em commodities da Reuters Internacional, Karen Braun. 

"Estes gráficos mostram como foram incríveis as exportações de soja e milho dos EUA em julho. 2020 registra um ritmo completamente diferente de outros anos. E a China lidera as compras nos dois casos", diz. 

Exportações de soja EUA - Julho 2020

Exportações de milho EUA - Julho 2020

Gráficos: Karen Braun

Nesta sexta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou uma nova venda de soja para a China de 456 mil toneladas. O volume é todo da safra 2020/21. Este é o terceiro reporte da semana e, no acumulado, são mais de 700 mil toneladas.  

Leia mais:

>> China ainda precisa importar de 25 a 26 milhões de t de soja este ano, projeta ADM

Em sua última entrevista ao Notícias Agrícolas, em 3 de agosto, o diretor da ARC Mercosul, Matheus Pereira afirmou que não a consultoria, que tem sua matriz nos Estados Unidos, não acredita em uma mudança acontecendo muito breve entre China e EUA caso Joe Biden vença as eleições. 

"Os chineses continuam concentrando agressivamente suas compras na soja brasileira, isso deve continuar em 2021 e fomos bem enfáticos, nas últimas entrevistas, de que nunca vimos uma conciliação comercial total entre Jinping e Trump (...) E com a permanência dos atritos, o Brasil fez um importante lobby de trazer os chineses para cá, de levar comitivas para lá", diz. 

Com informações da Forbes e Agriculture.com

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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