Efeitos da Pandemia no Consumo de Vinhos e Produção de Uvas

Publicado em 27/09/2021 12:31 355 exibições
Ricardo Hototian, Pedro Henrique Sanches e Marcos Memran Os autores são da Agroliga, EAESP, FGV.

 Em contraste com o efeito devastador da pandemia sobre cadeias do agronegócio nacional como a floricultura e indústrias de papel e celulose, as restrições e dificuldades impostas ao transporte de produtos e viagens internacionais foram responsáveis pelo aparecimento de uma grande oportunidade de crescimento às vinícolas nacionais.

 A crescente apreciação do brasileiro pelo vinho, intensificada durante a quarentena, constitui forte fator para a expectativa futura de expansão da demanda. Contrariando o decréscimo global de 3% no consumo de vinhos segundo a Organização Mundial da Vitivinicultura (OIV), a elevação no consumo médio ao ano da bebida em 18% em 2020 pelo mercado brasileiro indica a migração do consumo de outras bebidas, dada a restrição ao funcionamento de festas e grandes aglomerações.

 Muito além do aumento do índice apresentado, contudo, a grande dificuldade e, por vezes, impossibilidade de importação de rótulos estrangeiros desempenhou um papel fundamental: o afrouxamento da barreira cultural à compra e apreciação do vinho brasileiro.

 Apesar da qualidade atestada de uma variedade de vinhos finos nacionais, destacando-se a premiação de 48 rótulos pela Decanter World Wine Awards, uma considerável parcela dos consumidores brasileiros de vinhos finos se recusava a comprar ou ao menos experimentar o produto, estreitando ainda mais o mercado das vinícolas brasileiras. Com a intensificação da pandemia, contudo, os grandes comerciantes nacionais do produto foram forçados a interromper suas exportações, incluindo uma série de variedades brasileiras.

 Uma vez experimentando o vinho nacional e atestando sua qualidade, o vinho brasileiro torna-se parte do conjunto evocado do agente de compra, possibilitando a abertura e adesão de uma maior gama de estabelecimentos de venda, como mercados e adegas, ou mesmo de consumo no local, como restaurantes, bares e gastro-pubs.

 Se, por um lado, a relação do brasileiro com o vinho, especialmente nacional, foi fortalecida no cotidiano, a intensificação do enoturismo brasileiro tornou-se outro marco da consolidação de sua cadeia produtiva durante o período.

 Uma vez já estabelecidos e guarnecidos de infraestrutura para comportar e fornecer experiências diferenciadas aos turistas, polos do enoturismo como São Roque, Serra Gaúcha e cidades de Santa Catarina tornaram-se uma alternativa viável diante das restrições a viagens internacionais. Diante do enfraquecimento da resistência ao vinho nacional, por sua vez, os passeios e degustações oferecidos oferecem à indústria a oportunidade de gerar awareness, tanto de marca, quanto de casta de uva e modalidade de produção de vinho, fortalecendo a obtenção e manutenção de clientes a médio e mesmo a longo prazo.

 Diante das externalidades positivas geradas pela substituição de consumo de bebidas do cotidiano e disseminação do enoturismo nacional, pois, a cadeia da vitivinicultura brasileira possui a oportunidade de demonstrar sua capacidade e qualidade de modo a captar novos segmentos de consumidores e fortalecer sua atratividade em território nacional.

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Ricardo Hototian, Pedro Henrique Sanches e Marcos Memran
Fonte:
Agroliga, EAESP, FGV

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