Presidente da Embrapa apresenta perspectivas da pesquisa agropecuária a lideranças do setor privado na Bahia

Publicado em 21/12/2021 17:45 80 exibições

A importância da ampliação de parcerias e da cooperação com o setor privado para o desenvolvimento do agro brasileiro foi um dos temas abordados pelo presidente da Embrapa, Celso Moretti, durante reunião de diretoria na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), na tarde do dia 16. “A inovação é fundamental para que o setor mantenha o Brasil na categoria de líder mundial em agricultura tropical e possamos continuar fazendo as entregas que temos feito à sociedade”, disse.

Convidado pelo presidente da instituição, Ricardo Alban, Moretti reforçou os esforços empreendidos durante a pandemia do Covid-19, para que o valor bruto da produção gerada pelo agronegócio nacional pela primeira vez ultrapasse a marca de 1 trilhão de reais.

Referindo-se ao compromisso da Embrapa em garantir os benefícios das contribuições da pesquisa, o presidente falou sobre as avaliações de impacto realizadas há 27 anos. “No ano passado, o impacto social das tecnologias geradas pela Embrapa foi de 62 bilhões de reais”, afirmou, destacando o resultado apurado pelos especialistas da empresa que se dedica a monitorar 160 tecnologias e 220 cultivares de plantas. “Para se ter uma ideia, segundo dados do Dieese, se tirássemos a Embrapa do desenvolvimento do setor agrícola, a cesta básica hoje custaria 40% a mais, ou seja, a tecnologia no agro possibilitou que os brasileiros tivessem mais dinheiro no bolso”, comenta.

O presidente falou sobre os projetos em desenvolvimento, as perspectivas para o futuro e lembrou a participação brasileira durante a COP 26. “Representamos a Embrapa e a ciência agropecuária nacional em 10 debates e painéis com a presença das mais importantes lideranças mundiais”, contou. “Foi a minha primeira participação na COP, mas não tenho dúvidas de que a presença do setor privado em todos os eventos foi expressiva”. Para ele, o Brasil ainda tem muito a dizer, principalmente com o objetivo de esclarecer informações que considera equivocadas.

“Temos 850 milhões de hectares de terras e usamos 70 milhões de hectares em primeira e segunda safra, e mais 90 milhões de hectares de pastagens degradadas”, ressaltou, afirmando ser possível incorporar essas áreas à matriz produtiva e ainda dobrar a produção de alimentos, fibras e bioenergia sem derrubar mais árvores. “Isso assombra o mundo”, garantiu. Em sua apresentação, Moretti mostrou os percentuais de áreas cultivadas em diferentes países, que, graças a um projeto de mapeamento territorial internacional, revela que enquanto a Dinamarca usa 77% do seu território com agricultura, a Ucrânia, 75%, Reino Unido, 64% e Alemanha 57%, o Brasil utiliza apenas 7,6%.

Segundo o presidente da Embrapa, graças a tecnologias, como a fixação biológica de nitrogênio na soja, no ano passado o Brasil economizou 5,5 bilhões de dólares em compras de adubo nitrogenado que produtores não precisaram utilizar no campo.   “Além de economizar, ainda deixamos de emitir 100 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, nos anos de 2019 e 2020”, afirmou.

Sobre a descarbonização, Celso Moretti disse que há mais de 20 anos a Embrapa investe no desenvolvimento de tecnologias e que por conta disso tornou-se referência em inovação na área. “O uso da agricultura junto com o setor florestal, por exemplo, tem possibilitado que avancemos muito”, citou. “O sistema integração lavoura-pecuária-floresta surpreendeu até mesmo o presidente da COP 26, Alok Sharma, quando esteve na Embrapa Cerrados, e por isso fez questão que apresentássemos a nossa experiência e conhecimento ao mundo”, completou. 

Após cumprir uma extensa agenda de cooperação nos Estados Unidos, no início de dezembro, falou sobre as principais áreas de interesse da comunidade científica, principalmente agricultura digital e Inteligência artificial. “A Universidade da Flórida pretende investir na contratação de 100 pesquisadores para reforçar o desenvolvimento de novos projetos em inteligência artificial”, disse. “O conceito ESG – governança ambiental, social e corporativa está pautando as estratégias para o futuro e  não há dúvidas de que o mundo todo está empenhado nisso”.

O presidente falou ainda sobre as contribuições da Embrapa na região do Vale do São Francisco, referindo-se à produção de uvas de mesa, como a BRS Vitória e a recém-lançada BRS Melodia, com sabor de frutas vermelhas. “Temos depoimentos de produtores locais sobre o sucesso das cultivares e esse é o nosso objetivo, porque a nossa baliza é a ciência”, concluiu, lembrando a presença da Embrapa em debates e audiências públicas, como forma de manter a ciência mais perto do setor produtivo.

O presidente da Fieb, Ricardo Alban, destacou a parceria da Embrapa com o setor privado e destacou a importância da tecnologia. “A ciência faz toda a diferença e tenho certeza de que fará ainda muito mais”, comentou ele. “Certamente, o trabalho conjunto representa um potencial muito grande de novas oportunidades”. Além do presidente da Embrapa, Celso Moretti, também esteve presente à reunião como convidado o assessor especial do Ministério da Economia, Jorge Lima.

Visita ao Senai Cimatec

O desenvolvimento regional foi tema do encontro entre Senai Cimatec e Embrapa, na manhã da sexta-feira (17). Moretti foi apresentado à infraestrutura da instituição e participou de reuniões para discutir perspectivas de cooperação industrial para o agronegócio. Pesquisas aplicadas, inteligência artificial, biotecnologia e outras competências do Senai Cimatec foram apresentadas como soluções para o desenvolvimento sustentável no campo.  

Durante o encontro, o presidente da Embrapa visitou o Instituto Senai de Sistemas Avançados de Saúde (ISI-SAS), onde conheceu os laboratórios de pesquisa genômica e o Centro de Supercomputação para Inovação Industrial (HPC). 

Participaram da visita o presidente da FIEB, Ricardo Alban, o vice-presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), Hilton Morais Lima, além dos técnicos e pesquisadores do Senai Cimatec, Daniel Motta, gerente de Tecnologia e Inovação, Adhvan Furtado, gerente de Computação e Erick Esperândio, pesquisador chefe do Centro de Referência em IA.

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Embrapa

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