Fertilizantes: Mercado está parado com guerra entre Rússia x Ucrânia e Mapa busca alternativas

Publicado em 03/03/2022 10:34 e atualizado em 03/03/2022 14:58
Em coletiva de imprensa, Tereza Cristina pediu tranquilidade e reafirmou que oferta do produto no Brasil até outubro está garantida

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A guerra entre Rússia e Ucrânia entra nesta quinta-feira (03) em sua segunda semana. Os reflexos desse conflito estabelecido entre os países ainda são muito incertos, principalmente para o agronegócio brasileiro, que é dependente das exportações de fertilizantes e outros insumos.

A Rússia não suspendeu os embarques do produto para o Brasil, mas as negociações futuras estão paralisadas diante do cenário de tensão entre os países europeus. O jornal Valor Econômico, inclusive, apurou que empresas como a Uralkali e a PhosAgro não estão aceitando novos contratos.

“Hoje, o mercado de adubo está paralisado. Não se compra, não se vende. Tem algumas sanções que foram feitas, mas na parte de fertilizantes a gente ainda não sabe o que pode vir e se virá. Então, temos que ter muita cautela nesse momento. O plano A é buscar outros parceiros”, disse em coletiva de imprensa na véspera a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina.

O Mapa destaca ainda que o Brasil tem fertilizantes suficientes para o plantio até outubro e que trabalha desde o ano passado em alternativas para garantir o suprimento para o setor, no caso de escassez provocada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, inclusive redução da dependência externa.

Também são estudadas alternativas para se utilizar menos fertilizantes e agilizar o fluxo de entrada pelos portos do país.

Atualmente, o Brasil é o quarto consumidor global de fertilizantes, responsável por cerca de 8% deste volume e é o maior importador mundial. O Brasil importa cerca de 80% de todo o fertilizante usado na produção agrícola nacional. No caso do potássio, o percentual importado é de cerca de 95%. A Rússia é responsável por fornecer cerca de 25% dos fertilizantes para o Brasil. Belarus também tem destaque.

A Rússia é a maior exportadora mundial de fertilizantes, com praticamente US$ 7,0 bilhões exportados em 2020. É também a maior fornecedora do Brasil, com US$ 1,79 bilhão dos US$ 8,03 bilhões que importamos (2020).

Em relação aos fertilizantes potássicos, a Rússia é responsável por cerca de 20% da produção global e é origem de 28% das importações brasileiras. Já para os nitrogenados, o país é o segundo maior produtor global. Como fornecedor para o Brasil a Rússia participa com 21% dos nitrogenados e, no caso específico do nitrato de amônio, o país é praticamente o único fornecedor para o Brasil, segundo dados da Conab. 

Fertilizantes suficientes até outubro

Apesar de atenção com o cenário de guerra entre Rússia e Ucrânia, com temores de impactos no fornecimento de fertilizantes no Brasil, a ministra disse na coletiva de imprensa que o Brasil tem fertilizantes suficientes até o início da próxima safra, em meados de outubro.

“A safra brasileira que acontece neste momento, que é a safrinha, que é a nossa safra maior e que se planta milho, ela já está acontecendo. O que se precisava de fertilizante para ela já chegou, já está com o produtor rural. Ela está muito adiantada”, destacou a ministra para a imprensa.

Preocupação com a nova safra de verão

Apesar de fertilizantes suficientes nos próximos meses, com a safra de verão, que ocorre durante o segundo semestre do ano, há maiores preocupações por parte do Mapa. Ainda assim, o governo está acompanhando o cenário de perto e tem dialogado com o setor privado.

“A safra de verão, que será no final de setembro, outubro, é uma preocupação, mas também temos do setor privado a confirmação de que há um estoque de passagem suficiente para chegar até outubro. Nós temos aí um novo momento, com a invasão”, disse a ministra.

Novos parceiros comerciais

“Hoje, o mercado de adubo está paralisado. Não se compra, não se vende. Tem algumas sanções que foram feitas, mas na parte de fertilizantes a gente ainda não sabe o que pode vir e se virá. Então nós temos que ter muita cautela nesse momento. O plano A é buscar outros parceiros”, afirma Tereza Cristina.

Segundo a ministra, o Chile poderia ser um fornecedor de maiores volumes de potássio ao Brasil. Além disso, muitos países no Oriente Médio são produtores de Ureia. “Nós temos aí algumas alternativas para suprir essa deficiência que a gente pode vir a ter”, destaca.

A ministra Tereza Cristina esteve na Rússia no ano passado e no Irã em fevereiro deste ano negociando o aumento de exportações de fertilizantes para o Brasil.

A estatal iraniana National Petrochemical Company (NPC) afirmou que o Irã poderá triplicar as exportações de ureia para o Brasil, chegando a 2 milhões de toneladas ao ano. No dia 12 março está prevista uma viagem da ministra para o Canadá para negociar o aumento das exportações de potássio para o Brasil. 

Reunião com presidente da Embrapa

O Mapa também busca alternativas de otimização do uso de fertilizantes com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) diante de uma possível redução nos níveis importados de fertilizantes pelo país. A ministra, inclusive, se reuniu ontem (02) com o presidente da Embrapa, Celso Moretti.

“Haverá visita por várias regiões brasileiras, fazendo uma análise do solo, vendo e fazendo uma indicação para o produtor. Se você usar menos fertilizante, você vai ter a mesma eficiência. Levando e mostrando tecnologia para que a gente possa produzir com eficiência”, aponta.

Os bioinsumos também estão na pauta do Mapa. “A agricultura brasileira é forte, vai continuar forte, e temos que dar as alternativas para ela continuar trabalhando”, complementa.

Plano Nacional de Fertilizantes

O Mapa desenvolve desde 2021 a estruturação de um Plano Nacional de Fertilizantes, em conjunto com a Casa Civil e a Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo, além da iniciativa privada e entidades ligadas ao agronegócio. O plano já está pronto e deve ser anunciado no final deste mês.

“Quando nós chegamos aqui no Ministério, nós vimos a necessidade, que seria uma coisa imperativa, o Brasil deixar de ser um importador do tamanho das necessidades que hoje ele tem da importação de fertilizantes. Então nós tínhamos que fazer uma política nacional para mudar essa dependência”, disse.

“O Brasil precisa tratar esse assunto como segurança nacional e segurança alimentar. Então, esse Plano, que fizemos lá atrás, há um ano, sem prever nada disso, era que o governo pensava que nós deveríamos ter para que o Brasil, que é uma potência agroalimentar, tivesse um plano de pelo menos 50% a 60% de produção própria dos seus fertilizantes”.

Exportações da Bielorrússia suspensas

As exportações de fertilizantes da Bielorrússia para o Brasil estão suspensas desde o início de fevereiro por causa do fechamento dos portos da Lituânia para o escoamento desse produto. Diante disso, o governo brasileiro já buscava alternativas de fornecimento de outras origens produtoras.

“Preocupados com isso, nós fizemos algumas viagens. Estive na Rússia, em novembro, conversando para ver se conseguíamos um aumento das nossas cotas de importação. Estive no Irã, mantive conversas por videoconferência com o Canadá”, afirma. A ministra viajará ao Canadá nos próximos dias. O Canadá é o maior exportador de potássio do mundo.

Por:
Jhonatas Simião
Fonte:
Notícias Agrícolas

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