Inicia floração da canola no RS, e plantio da safra de inverno segue de forma lenta
O clima do período com excesso de umidade dificulta o andamento do plantio da Safra de Inverno no Rio Grande do Sul. No caso da canola, será necessário o replantio de algumas áreas. Mesmo assim, em áreas já implantadas, inicia o florescimento da cultura. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado nesta quinta-feira (12/06) pela Emater/RS-Ascar, na região administrativa de Santa Rosa foram implantadas 84% das áreas, sendo que, desse total, 90% estão em desenvolvimento vegetativo e 10% em florescimento. Em São Luiz Gonzaga, onde há significativa área cultivada com canola na região, diversas empresas disponibilizam programas de fomento ao cultivo da oleaginosa, tendo em vista a construção de unidade de beneficiamento com capacidade de 700 t/dia.
Na região de Frederico Westphalen, a cultura da canola tem o maior incremento relativo de expectativa de área para esta safra. Cerca de 60% da área prevista foi semeada e, de maneira geral, apresentam estabelecimento e desenvolvimento satisfatórios. Em Manoel Viana, na região de Bagé, vários produtores precisaram realizar o replantio. Estima-se que esteja plantada 80% da área total prevista, que é de 7.300 hectares.
A área cultivada com canola no RS na Safra 2024 foi de 1.331.013 hectares, e a produtividade, de 2.781 kg/ha (IBGE). A Emater/RS-Ascar está realizando o levantamento de intenção de plantio e a estimativa de produtividade para a Safra 2025, que será apresentado na próxima segunda-feira (16/06), às 9h, na sala Multiuso do Escritório Central, em Porto Alegre, com transmissão pelo YouTube da Instituição.
Trigo - A excessiva umidade no solo e as chuvas atrapalharam o plantio da cultura em diversas regiões, causando até mesmo erosão. Estima-se que 12% da área foi implantada, e os agricultores aguardam condições climáticas melhores para avançar na operação.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Ijuí, a semeadura do trigo ocorreu apenas nas localidades onde choveu pouco na semana anterior. Mesmo assim, o plantio foi realizado em solo com umidade acima do ideal, chegando a 8%. As lavouras de trigo semeadas no final de abril apresentam emergência uniforme em solo com mais capacidade de infiltração da água das chuvas. Já em solos mais compactados, a emergência está irregular, e houve erosão e assoreamento dos sulcos de semeadura em razão das chuvas. Na região de Pelotas, a cultura do trigo está em início de semeadura e preparo das áreas para o plantio. Produtores seguem com as negociações e aquisições dos insumos para a implantação da safra.
Aveia branca – O plantio da aveia branca na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim foi finalizado. A alta nebulosidade e umidade por diversos dias impediu o avanço mais acentuado da implantação. Na região de Frederico Westphalen, cerca de 45% da área estimada com aveia branca está estabelecida. Essas áreas se encontram em desenvolvimento vegetativo, e foram beneficiadas pela redução das temperaturas no período. É efetuada a aplicação de fungicidas e a distribuição da adubação nitrogenada em cobertura. Já na região de Ijuí, foi realizada a semeadura em pequenas áreas, chegando a 70% do previsto, mesmo com solo muito úmido. As lavouras de aveia branca semeadas em abril seguem com desenvolvimento adequado, mas, devido à baixa luminosidade, apresentam coloração verde-amarelada.
Cevada - O predomínio de tempo nublado e de alta umidade, no início de junho, impossibilitou o andamento do plantio da cevada em diversas regiões. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, em locais mais úmidos, os produtores aguardam melhores condições do solo para efetuar o plantio. O preço é de R$ 84,00/sc. de 60 kg. Na região de Ijuí, não foi realizado o plantio da cevada, e o índice segue 52%.
CULTURAS DE VERÃO
Soja - Restam apenas algumas lavouras a serem colhidas no Estado. Os produtores de alguns municípios estão se mobilizando para a renegociação de dívidas com os agentes financeiros e as cerealistas, devido à queda de produtividade da cultura.
Milho - A colheita está praticamente concluída, restando apenas algumas áreas que dependem de clima favorável. Nas áreas já colhidas, os produtores realizam manejo de entressafra com plantas de cobertura.
Milho Silagem - A colheita se encontra praticamente finalizada, e em algumas regiões apresentou queda de produtividade. A qualidade, de maneira geral, está satisfatória. A silagem tem sido essencial na alimentação dos rebanhos devido à baixa oferta de forragens.
Arroz - A colheita foi encerrada e os agricultores realizam os manejos de entressafra. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em função do tempo mais seco, foi possível retomar as práticas de manejo das restevas e de preparo da área para a próxima safra. A comercialização enfrenta dificuldades devido à alta oferta, resultante das grandes áreas cultivadas e da boa produtividade no RS, no Brasil e nos países do Mercosul. Devido aos preços abaixo dos custos de produção, há risco de redução na área cultivada para a próxima safra.
Feijão 2ª safra - Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Frederico Westphalen, a colheita atingiu 95%. Na região de Ijuí, a colheita ainda não foi retomada, e está em 51%, no entanto as lavouras já estão maduras e as plantas começaram a demonstrar sinais de deterioração pela demora na colheita.
FRUTÍCOLAS
Citros - Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, em São Gabriel, a citricultura registra excelente produtividade e qualidade nas variedades de bergamota Ponkan e do Céu, comercializadas a R$ 60,00/cx. de 22 kg. A colheita de laranja para suco avança, e o preço é de R$ 80,00/cx. 25 kg. As fortes chuvas no final de maio dificultaram a colheita e o escoamento da produção, além de favorecer a ocorrência de mosca-branca em pomares que não receberam aplicação de inseticidas. Já a recente sequência de dias secos está permitindo a continuidade dos tratos culturais e da colheita de limão, prevista para terminar em agosto.
Na região de Lajeado, apesar das chuvas terem beneficiado os pomares no Vale do Caí, recuperando a umidade do solo, a situação da citricultura é marcada pela queda nos preços, o que deixa os produtores descontentes. A colheita da bergamota Caí está avançada em Montenegro, e chega a 75%. Em São José do Sul, atinge 85%. Embora a fruta apresente ótima qualidade, os preços variam de R$ 20,00 a R$ 45,00/cx. de 25 kg, dependendo do canal de venda. De modo geral, a sanidade dos pomares é considerada satisfatória, mas há relatos de problemas pontuais em relação à mosca-branca e podridões de frutos, causados pelo excesso de umidade.
Na de Santa Maria, em São Vicente do Sul, a maioria dos pomares está em fase de desenvolvimento reprodutivo e maturação. Dentre as variedades de laranja que seguem sendo comercializadas, destaca-se a Navelina. Quanto ao cultivo de bergamota, destaca-se o aumento da oferta da variedade Ponkan. Alguns produtores iniciaram tratamentos de inverno para o controle, principalmente, de cochonilha.
Na de Santa Rosa, as temperaturas amenas favoreceram a floração e a frutificação fora de época em algumas frutíferas de primavera. Também houve aumento na incidência de mosca-das-frutas em laranja e bergamota, prejudicando a qualidade e causando perdas. A mosca-negra-dos-citros segue presente, mas em menor intensidade. Nos pomares de bergamota, ocorre queda de frutos em razão de pragas e rachaduras, causadas por variações climáticas.
0 comentário
Às vésperas do início da colheita da soja, produtores do Pará vivem angústia sem ter onde entregar safra 25/26
Conexão Campo Cidade: Fraqueza em questões estruturais trava o desenvolvimento do Brasil
A nova realidade da Pecuária Brasileira e a busca pela produção eficiente e sustentável
Governo de SP chega a R$ 56 milhões investidos em irrigação sustentável
ABTP repudia os atos de violência que resultaram na invasão da Cargill
Produtores do Pará temem colapso na entrega da soja com terminal da Cargill invadido em Santarém