Dólar fecha em baixa no Brasil sob influência do exterior
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 6 Fev (Reuters) - O dólar fechou a sexta-feira em baixa ante o real, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, em uma sessão no geral positiva para ativos de risco ao redor do mundo.
O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,66%, aos R$5,2195. Na semana, a divisa acumulou baixa de 0,54% e, no ano, recuo de 4,91%.
Às 17h04, o dólar futuro para março -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 1,09% na B3, aos R$5,2415.
As preocupações em torno dos impactos da inteligência artificial sobre vários setores da economia seguiram permeando os negócios globais, mas os mercados de ações na Europa e nos Estados Unidos mostraram reação nesta sexta-feira, com os investidores voltando a buscar ativos de maior risco.
Neste cenário, o dólar recuava tanto em relação a divisas fortes como a libra e o euro, quanto na comparação com moedas de emergentes como o rand sul-africano, o peso mexicano, o peso chileno e o próprio real.
Após marcar a cotação máxima da sessão de R$5,2551 (+0,02%) às 10h01, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,2053 (-0,93%) às 14h43, em um momento em que o Ibovespa também exibia ganhos firmes. Depois, retomou um pouco de força.
“Este fluxo, principalmente estrangeiro, que entrou nos últimos dias... que fez preço principalmente em bolsa, com altas recordes, parece que deu uma equalizada. A gente não tem novas perspectivas de grandes movimentos de entrada (de recursos no Brasil)”, comentou no fim da tarde Otávio Oliveira, gerente de Tesouraria do Daycoval.
“Então, parece que o dólar conseguiu um suporte um pouco mais forte nesta casa dos R$5,20. Agora ele vai ser negociado em R$5,20, R$5,21... mas não deve ter uma queda muito brusca, pelo menos até o final do dia de hoje”, acrescentou, antes do fechamento.
No início do dia, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou de 2,2% para 2,3% a projeção para o Produto Interno Bruto de 2025 e de 2,4% para 2,3% o PIB de 2026. Já a inflação calculada para este ano foi de 3,5% para 3,6%.
Mais do que os números em si, o mercado esteve atento à entrevista coletiva com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello -- cotado para assumir a Diretoria de Política Econômica do Banco Central, mas cujo nome foi mal-recebido pelo mercado.
Um dos receios é o de que Mello, um economista de perfil heterodoxo, possa favorecer uma guinada "dovish" (mais branda) na diretoria do BC, que este ano passará a ter todas as suas nove cadeiras ocupadas por indicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na entrevista coletiva, Mello afirmou que ainda não foi formalmente convidado para ocupar uma diretoria do BC, mas disse estar à disposição. Ao mesmo tempo, evitou prever os próximos passos da política de juros da autarquia, apesar de dizer que vê espaço para corte na Selic, hoje em 15% ao ano.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.
No início da tarde, após ter cancelado uma operação anterior que havia sido programada para o fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de março.
Às 17h07, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,33%, a 97,639.
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