Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência: A força feminina impulsiona a sustentabilidade no campo e revoluciona o agronegócio
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Hoje, dia 11 de fevereiro, é celebrado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A data criada pela ONU (Organização das Nações Unidas) visa ampliar a consciência sobre igualdade de gênero na ciência, uma vez que, segundo a UNESCO, apenas 33,3% dos pesquisadores no mundo são mulheres.
No agronegócio brasileiro, a presença feminina vêm crescendo gradativamente. Dados do IBGE de 2023 apontam que quase 11 milhões de mulheres trabalham diretamente no agronegócio no Brasil. E uma das áreas do agro que essa força feminina está se destacando e ampliando sua participação é a pesquisa. Neste segmento, elas seguem impulsionando a inovação tecnológica e garantindo a sustentabilidade da produção.
Foi a busca por abordagens diferenciadas, que garantissem mais eficiência no campo, que levou Dalilla Carvalho Rezende, ainda jovem, escolher pelo universo da ciência. "O meu pai era pequeno produtor rural, no sul de Minas Gerais, e desde cedo eu convivi com os desafios que ele enfrentava, como problemas com doenças nas plantas, perdas de produção, insegurança diante as adversidades climáticas, a dificuldade de acesso a tecnologias, o apoio financeiro. Enfim, tudo isso me fez refletir, ainda jovem, sobre como o conhecimento científico poderia ajudar a transformar aquela realidade e trazer soluções mais eficientes e sustentáveis para os agricultores, especialmente os pequenos produtores", conta a agrônoma e professora do Instituto Federal do Sul de Minas.
Essa escolha assertiva pela ciência e pelo agronegócio resultou a Dalilla o 1º lugar na categoria Ciência e Pesquisa do Prêmio Mulheres do Agro de 2025, promovido pela Bayer. Atualmente, sua atuação vai além do campo científico. A agrônoma coordena projetos que promovem inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e segurança alimentar, especialmente na cafeicultura e fruticultura do sul de Minas Gerais.
Em seus feitos na pesquisa, Dalilla se destaca como responsável por projetos de extensão como o "Paisagens Sustentáveis", que capacita mais de 1.500 cafeicultores da região em boas práticas agrícolas, e como inventora de uma patente na área de engenharia agrícola, com um fermentador com potencial para uso em processos agroindustriais sustentáveis. "Ter mulheres na ciência e no agro amplia o olhar sobre os problemas e sobre as soluções. O agro é um setor complexo, que envolve produção, meio ambiente, pessoas, sustentabilidade e, quanto mais plural quem constrói esse conhecimento, melhores serão os resultados. A presença feminina não substitui a masculina, ela soma. Quando mais pessoas com diferentes vivências histórias participam da construção do conhecimento, as soluções se tornam mais criativas, mais completas e mais conectadas com a realidade", pontua ainda Rezende.
E foi essa vontade de participar da construção do conhecimento que levou Danielle Pereira Baliza para o caminho científico. "A minha jornada como pesquisadora tem início junto com o meu curso de agronomia. Eu entrei na universidade em 2002 e, desde então, eu não queria apenas estar ali assistindo às aulas e fazer as atividades propostas pelos professores. Eu queria um algo mais, que estaria então no desenvolvimento de alguma pesquisa", explica a pesquisadora.
Danielle também venceu a categoria Ciência e Pesquisa da premiação Mulheres do Agro em 2024, e é um grande destaque e referência na cafeicultura. "A minha tese de doutorado foi uma das primeiras no país a estudar a questão do café sendo produzido em sistemas agroflorestais", conta. Por meio do projeto “Embaixadoras do Instituto Federal: a força feminina na transformação do agro", Danielle impactou mais de 2.500 agricultoras a desenvolveram capacidades de autonomia, participação e afirmação nos processos de desenvolvimento local e no uso sustentável dos recursos naturais.
Apesar dos avanços, ainda existem barreiras importantes para serem superadas. As cientistas destacam que o preconceito ainda é um grande obstáculo.
"Ser uma mulher pesquisadora no agro no Brasil ainda significa lidar com um desafio muito presente, a desconfiança. Em um setor historicamente masculino, muitas vezes a mulher precisa provar sua competência o tempo todo, seja no campo, em reuniões técnicas ou até dentro da própria academia. Mesmo assim, cada vez mais mulheres estão ocupando esse espaço e mostrando que ciência no agro também é lugar de mulher e é essencial para o futuro do país", afirma Dalilla.
Baliza pontua ainda que os desafios existem para serem vencidos e superados. O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência reforça então a visibilidade e representatividade feminina. "Ter mulheres na ciência faz toda a diferença para o agro. Pensando na construção de uma sociedade cada vez mais sustentável, inclusiva, diversa. Então, se nós trabalhamos hoje para se ter um agro cada vez mais forte, mais sustentável, mais diverso, mais inclusivo, é super importante, é imprescindível que as mulheres façam parte desse agro", ressalta Danielle.
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