Especialista afirma que transformação tecnológica exige mudança de mentalidade no agro
A adoção de tecnologia e a influência da China na economia global foram apontadas como fatores decisivos para a competitividade do agronegócio brasileiro durante palestra na Abertura da Colheita do Arroz, nesta terça-feira (24), em Capão do Leão (RS). No primeiro dia do evento, o auditório Frederico Costa recebeu a palestra “Enquanto você dormia o mundo não parou de se transformar” do sócio da StartSe e do Grupo Alun e co-host do podcast A Hora da China, Felipe Leal que mostrou como as revoluções simultâneas podem impactar negócios, gestão e comportamento, com reflexos diretos no agronegócio.
A fala abordou como a inovação, a nova dinâmica de mercado e a transformação individual são fatores decisivos para garantir relevância no presente e perpetuidade no futuro. Ao longo da apresentação, foi destacado que o mundo mudou, e continua mudando, mas a principal questão é se as pessoas compreendem como essa transformação acontece e se estão dispostas a abraçá-la. “Uma coisa é saber que o mundo mudou. Outra é entender como isso está acontecendo. E poucos abraçam essa transformação depois de entenderem”, foi ressaltado durante a palestra.
Entre os motores dessas mudanças estão as novas tecnologias, que impulsionam dinâmicas diferentes de mercado, alterando o comportamento de clientes e associados, além de provocar o surgimento de novos modelos de negócios: “Só se perpetuam no tempo (com relevância) empresas que se reinventam o tempo todo em ciclos cada vez mais curtos e intensos”. Um terceiro fator envolve as novas formas de gestão, voltadas à exploração da inovação. Nesse contexto, o indivíduo é apontado como o elo central do processo, responsável por desenvolver habilidades e conectar tendências para gerar resultados.
A China foi apresentada como um dos principais exemplos dessa transformação global. Segundo os palestrantes, o país se consolida cada vez mais como protagonista em diversos aspectos, influenciando contextos econômicos, inovação e modelos de negócios que acabam impactando outros mercados, inclusive o brasileiro.
Felipe Leal, afirmou que a adoção tecnológica no agro exige investimento, mas pode ocorrer de forma gradual e acessível. “As tecnologias podem ser empregadas no agronegócio, requer investimento, mas acho que a gente também precisa desmistificar um pouco isso. Às vezes a gente não abraça a tecnologia porque a gente acha que é muito caro, demanda muita coisa, e sim em alguns casos pode ser isso, mas dá pra empregar a tecnologia de maneira rápida, barata e fazer testes mais simples”, destacou.
O diretor de Marketing para Sistemas de Cultivos de Soja da BASF, Rafael Vicentini, ressaltou a importância de aproximar inovação e produtor rural. Segundo ele, a empresa “primeiro traz a visão do agricultor para dentro das nossas pesquisas. A gente tem o arroz como cultura prioritária para a gente e um pouco da nossa participação no evento mostra isso”.
Passado, presente e futuro não são apenas conceitos temporais, mas também geográficos. Países considerados de primeiro mundo, segundo Leal, operam em estágios mais avançados de desenvolvimento, o que reforça a necessidade de “beber da fonte onde as inovações estão”. A reflexão também trouxe o contraste entre um mundo cada vez mais rápido, barato e simples e a realidade do produtor rural, que trabalha com processos e ciclos produtivos que exigem tempo e qualidade. Nesse cenário, relevância e perpetuidade foram apontadas como pilares complementares. “A relevância é o agora e a perpetuidade é o futuro. Os dois são o caminho”, destaca.
A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas tem como tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”. O evento é uma realização da Federarroz, com correalização da Embrapa e do Senar, e patrocínio premium do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Informações e inscrições gratuitas no site www.colheitadoarroz.com.br.
0 comentário
Na Coreia do Sul, reunião técnica consolida compromissos para auditorias, habilitações e abertura de mercado para produtos brasileiros
Lei antidesmatamento da UE impõe risco de exclusão de produtores e pode afetar US$ 17,5 bilhões do agro brasileiro, aponta estudo da BIP
Dia do Agronegócio: São Paulo lidera exportações do agro brasileiro e abre 2026 com superávit de US$ 1,31 bilhão
Dia do Agronegócio: potência mato-grossense desenvolve cidades e impulsiona a economia brasileira
“Acordo não pode tirar a capacidade do produtor brasileiro de abastecer mercados”, afirma Lupion
Gargalos do agro: endividamento e acesso à crédito