PIB do Brasil desacelera em 2025 com alta de 2,3% e fecha o ano em estagnação
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Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier
SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 3 Mar (Reuters) - A atividade econômica do Brasil teve expansão de 2,3% em 2025 com impulso da agropecuária, mas terminou o ano quase estagnada no quarto trimestre e mostrou perda de força em relação a 2024 diante de uma política monetária restritiva que tende a ser afrouxada neste ano.
O resultado do ano, divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi o pior desde 2020, quando a atividade encolheu em meio à pandemia de Covid-19, e veio em linha com o esperado pelo governo. Em 2024, o PIB cresceu 3,4%.
No quarto trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou avanço de 0,1% sobre os três meses anteriores, resultado que ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters.
O PIB mostrou desaceleração no segundo semestre de 2025, depois de ter expandido 1,5% no primeiro trimestre e 0,3% no segundo. No terceiro trimestre, a economia ficou estagnada, em dado revisado pelo IBGE de alta de 0,1% informada antes.
Em relação ao quarto trimestre de 2024, o PIB apresentou alta de 1,8%, também em linha com a expectativa.
"Após três taxas (trimestrais) perto da estabilidade, isso é uma estagnação do crescimento, principalmente no segundo semestre", avaliou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. "Os juros foram os vilões da economia no ano passado, foi o maior impacto sobre o PIB e esse impacto ficou muito claro no segundo semestre."
Analistas vinham indicando uma desaceleração da economia brasileira em 2025 diante da taxa de juros elevada, em 15% desde meados do ano passado. Um mercado de trabalho forte, entretanto, evitou perdas mais fortes.
A expectativa agora é de redução dos juros, começando neste mês. Em janeiro, o BC decidiu manter a Selic em 15%, mas indicou o início do ciclo de cortes na reunião dos próximos dias 17 e 18. A perspectiva econômica, entretanto, sofreu um impacto nesse fim de semana com os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que vêm causando preocupações com a inflação devido ao aumento dos preços do petróleo e do gás.
Ainda que o mercado de trabalho possa desacelerar em 2026, ele deve continuar ajudando a economia, que pode ganhar impulso ainda de medidas de estímulo adotadas pelo governo, como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda. A agropecuária deve novamente impulsionar o PIB no início do ano mas, diante de incertezas relacionadas à eleição presidencial, empresas e famílias podem adotar postura mais cautelosa.
"A despeito da queda já esperada da Selic no decorrer do ano, o grau demasiadamente elevado de alavancagem de empresas e famílias deve seguir como freio ao nível de consumo privado", avaliou Matheus Pizzani, economista do PicPay. "Este quadro ganha importância adicional com os desdobramentos recentes envolvendo o cenário geopolítico internacional, que tem tornado os riscos de cauda assimétricos e com viés de alta para variáveis como câmbio e inflação."
O Ministério da Fazenda previu nesta terça-feira que o PIB crescerá 2,3% novamente este ano.
DESACELERAÇÃO
O destaque do PIB em 2025 foi a agropecuária, com expansão de 11,7%, resultado que mais do que recuperou a perda de 3,7% registrada em 2024.
"(A agropecuária) foi responsável por um terço do PIB e, se ela não tivesse crescido, seria um PIB menor. Foi um ano de safra de soja e milho e aumento na laranja, com aumento de produção e produtividade", disse Palis. “O agro sofre menos com juros e é uma atividade exportadora."
Ainda do lado da produção, a indústria cresceu 1,4%, enfraquecendo depois de ter avançado 3,1% no ano anterior. Os serviços --setor que responde por cerca de 70% da economia do país, tiveram avanço de 1,8%, também perdendo ritmo após alta de 3,8% em 2024.
Já do lado das despesas, o consumo das famílias aumentou 1,3% e o do governo cresceu 2,1%, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimento, expandiu 2,9%. O consumo do governo acelerou levemente, após alta de 2,0% em 2024, enquanto o consumo das famílias e a FBCF enfraqueceram após altas de 5,1% e 6,9% respectivamente no ano anterior.
Apesar do mercado de trabalho forte, o desempenho do consumo das famílias em 2025 foi o mais fraco desde 2020, quando registrou retração, o mesmo ocorrendo com a indústria e os serviços.
"O consumo das famílias crescendo abaixo do PIB reflete juros mais altos, endividamento elevado e inflação pressionada. Isso foi minimizado pelos bons dados do mercado de trabalho e por programas de transferência de renda", disse Palis.
No setor externo, as exportações de bens e serviços tiveram ganho de 6,2% e as importações de bens e serviços cresceram 4,5%.
No quarto trimestre, os serviços foram o destaque com alta de 0,8% sobre o terceiro trimestre, enquanto a agropecuária cresceu 0,5% e a indústria contraiu 0,7%, no único trimestre do ano em que registrou retração.
As despesas das famílias ficaram estagnadas, enquanto as do governo aumentaram 1,0%. Por outro lado, a Formação Bruta de Capital Fixo contraiu 3,5%, pior resultado desde o segundo trimestre de 2021.
(Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier)
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