Na Expodireto, FIERGS, Simers e InvestRS apontam como RS pode se benefiiar do acordo Mercosul-UE
O acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), que deve entrar em vigor nos próximos meses, apresenta potencial para ampliar mercados, atrair investimentos e impulsionar a indústria gaúcha de máquinas e implementos agrícolas. A avaliação foi feita por representantes do setor e especialistas durante painel promovido por Sistema FIERGS, Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do RS (Simers) e InvestRS, nesta terça-feira (10), na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. Segundo os participantes, a qualificação da mão de obra e a indústria moderna colocam o Rio Grande do Sul em posição estratégica para aproveitar as oportunidades do acordo.
O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, destacou que o tratado, ao facilitar o comércio entre os países dos dois blocos, deve redesenhar as relações comerciais internacionais. “Pode abrir novas oportunidades de mercado e impor desafios relevantes. Para o setor de máquinas e implementos agrícolas é fundamental compreender esse novo cenário internacional e identificar caminhos concretos para o fortalecimento da indústria local”, afirmou Bier, que também preside o Simers.
O gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Sistema FIERGS, Luciano D’Andrea, ressaltou que o acordo entre Mercosul e União Europeia foi amplamente negociado e que seus benefícios dependem também de políticas internas que reduzam o chamado Custo Brasil. “Com avanços em infraestrutura e desburocratização, o setor tende a ganhar competitividade e ampliar sua presença internacional”, observou.
Atualmente, a União Europeia representa apenas 4,17% das exportações gaúchas de máquinas e implementos agrícolas, o que expõe o potencial de crescimento. Além disso, o aumento das cotas de venda de arroz e de outros produtos agrícolas para o bloco europeu pode impulsionar a produção no campo, o que tende a estimular também a demanda por máquinas no mercado interno. “Hoje nossa relação com a UE nesse setor é relativamente equilibrada, mas podemos ver aumento de investimentos com a chegada de novas indústrias, gerando empregos e desenvolvimento tecnológico. O acordo também deve estimular a troca de conhecimento e de novas tecnologias entre os blocos”, disse D’Andrea.
O presidente da InvestRS, Rafael Prikladnicki, ressaltou que o estado está preparado para ampliar e intensificar a relação econômica com países do chamado norte global. “Precisamos mostrar o que já temos de melhor e buscar investimentos. Temos capital humano qualificado e um setor industrial consolidado. É fundamental que a União Europeia conheça esse potencial”, afirmou.
A perda de espaço da indústria de máquinas no Leste Europeu em função da guerra entre Rússia e Ucrânia também abre oportunidades para o Brasil. Segundo a vice-presidente do Simers, Carolina Rossato, o agronegócio moderno e sustentável brasileiro é um diferencial importante. “Além da mão de obra qualificada, temos uma agricultura cada vez mais verde. O consumidor internacional considera esse fator. O Brasil tem potencial para ocupar parte do mercado que a Europa perdeu e, inclusive, oferecer tecnologias que ajudem a modernizar o agricultor europeu”, defendeu.
Os principais dados do setor foram apresentados pelo economista-chefe da FIERGS, Giovanni Baggio, que destacou a relevância do agronegócio para a economia gaúcha. O estado reúne 566 indústrias do segmento de máquinas agrícolas, quase 25% da indústria de máquinas do Brasil. Esses estabelecimentos geram mais de 30 mil empregos e somam US$ 551,3 milhões em exportações, principalmente para Argentina, Paraguai e Estados Unidos.
“Pensando nas perspectivas do setor, temos fatores positivos como a melhora das condições econômicas na Argentina e boas projeções de crescimento no Paraguai. Por outro lado, os desafios incluem incertezas tarifárias nos Estados Unidos e a alta no preço do petróleo e dos fertilizantes devido ao conflito no Oriente Médio”, avaliou.
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