Ciência brasileira aponta rota para agro e transporte de baixo carbono
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O Brasil levou para a Europa evidências científicas de que a produção agropecuária pode ser parte da solução para os desafios climáticos globais. Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e instituições parceiras apresentaram estudos durante a 36ª Reunião Anual da Society of Environmental Toxicology and Chemistry (SETAC Europe), realizada em Maastricht, na Holanda, mostrando caminhos viáveis para a descarbonização da agricultura, da pecuária e do transporte.
Os trabalhos utilizaram metodologias de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), ferramenta reconhecida internacionalmente para mensurar impactos ambientais de produtos e processos ao longo de toda a cadeia produtiva. Segundo a Embrapa, as pesquisas analisaram sistemas de produção agrícola e pecuária, fontes renováveis de energia e alternativas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa em diferentes setores da economia.
Entre os destaques apresentados pelos cientistas brasileiros estão os benefícios de sistemas produtivos de baixa emissão de carbono, a recuperação de pastagens degradadas, o uso eficiente de insumos e o aproveitamento de resíduos agropecuários para geração de energia renovável. De acordo com os pesquisadores, essas estratégias permitem reduzir a pegada ambiental das atividades produtivas sem comprometer a eficiência econômica das propriedades rurais.
Na pecuária, os estudos apontam que a adoção de tecnologias de manejo sustentável pode aumentar a capacidade de sequestro de carbono no solo e reduzir as emissões por unidade produzida. Já na agricultura, práticas conservacionistas e sistemas integrados de produção aparecem como alternativas capazes de ampliar a sustentabilidade das lavouras e fortalecer a adaptação às mudanças climáticas.
Outro tema levado pelos pesquisadores ao evento internacional foi o potencial dos biocombustíveis e da biomassa agrícola para substituir combustíveis fósseis. Os trabalhos demonstram que resíduos gerados pela agropecuária podem se transformar em importantes fontes de energia renovável, contribuindo simultaneamente para a redução das emissões e para a diversificação da renda no campo.
De acordo com a Embrapa, a participação brasileira no encontro reforça o reconhecimento internacional da ciência nacional em um momento em que governos e mercados ampliam as exigências relacionadas à sustentabilidade das cadeias produtivas. Para os pesquisadores envolvidos, a produção de alimentos, fibras e energia precisa estar cada vez mais alinhada às metas globais de redução de emissões e preservação dos recursos naturais.
Os estudos apresentados em Maastricht integram uma agenda de pesquisa voltada à transição para uma economia de baixo carbono. Na avaliação da Embrapa, o Brasil reúne condições estratégicas para liderar esse processo, graças à combinação entre recursos naturais, capacidade científica e tecnologias já desenvolvidas para o setor agropecuário.
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