Mato Grosso inspira projeto de expansão agrícola na Colômbia

Publicado em 10/07/2026 10:03
Famato e Imea apresentam case de sucesso mato-grossense

Durante o fórum internacional “Os Altiplanos e o novo mapa agrícola da Colômbia”, o superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato (Famato) e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, apresentou o case mato-grossense como referência para o desenvolvimento da produção de soja e milho na Altillanura colombiana, região muito parecida com o cerrado mato-grossense.

O modelo de desenvolvimento agropecuário de Mato Grosso foi apresentado como referência internacional durante o fórum “Colômbia: uma potência agrícola que alimentará o mundo”, realizado na quarta-feira (8), pelo jornal El Tiempo, na Colômbia. O evento reuniu especialistas, lideranças produtivas e representantes do setor agroindustrial colombiano para debater os caminhos para ampliar a produção de soja e milho na região da Altillanura, área considerada estratégica para reduzir a dependência do país em relação às importações de grãos.

Convidado para apresentar a experiência mato-grossense, Cleiton Gauer destacou a trajetória do estado na construção de um modelo produtivo em larga escala, baseado em tecnologia, empreendedorismo, correção de solo, mecanização, logística e segurança jurídica.

A participação de Mato Grosso no debate ocorre em um momento em que a Colômbia discute alternativas para fortalecer sua produção interna de grãos, especialmente milho e soja, insumos fundamentais para cadeias como a avicultura, a suinocultura e a produção de proteína animal. Atualmente, segundo a imprensa colombiana, o país ainda importa grande parte desses produtos, apesar do potencial agrícola existente nos departamentos de Meta e Vichada, na região da Orinoquia.

Para Cleiton Gauer, a semelhança entre a Altillanura colombiana e o Cerrado brasileiro ajuda a explicar o interesse pelo case mato-grossense.

“A região da Altillanura tem características que lembram muito o Cerrado brasileiro. A Colômbia está olhando para Mato Grosso porque o estado conseguiu transformar desafios semelhantes em uma base produtiva forte, competitiva e integrada ao mercado. É claro que cada país tem a sua realidade, mas a experiência de Mato Grosso mostra que, com planejamento, segurança jurídica, tecnologia e infraestrutura, é possível avançar”, afirmou.

Durante a apresentação, Cleiton mostrou que Mato Grosso ocupa posição de destaque no agronegócio brasileiro e mundial. O estado é líder nacional na produção de soja, milho, algodão, etanol de milho, bovinos e gergelim. O agro representa 56,2% do PIB mato-grossense, e a projeção do Imea para 2026 indica Valor Bruto da Produção de R$ 208,35 bilhões.

Famato e Imea apresentam case de sucesso mato-grossense

No caso da soja, Mato Grosso deve responder por 28,6% da produção brasileira e 11,7% da produção mundial na safra 2026/27. Já no milho, o estado representa 38% da produção nacional e 49,5% da segunda safra brasileira, segundo estimativas apresentadas pelo Imea.

Além dos números produtivos, o superintendente destacou que o crescimento de Mato Grosso ocorreu com integração entre produção e preservação. Conforme dados do Imea, 60,4% do território estadual é formado por vegetação remanescente, sendo 40,43% correspondentes à vegetação protegida ou preservada pelos produtores rurais.

O superintendente Cleiton Gauer apresentou o potencial agrícola de Mato Grosso.

“Mato Grosso aprendeu que não basta produzir mais. É preciso produzir com eficiência, com responsabilidade ambiental e com visão de longo prazo. Da porteira para dentro, o produtor avançou muito em tecnologia, gestão e produtividade. Os grandes gargalos, hoje, estão principalmente fora da porteira, como logística, infraestrutura, burocracia e segurança jurídica”, pontuou Cleiton.

Esses desafios também aparecem no debate colombiano. A imprensa local aponta entraves como a falta de material genético adaptado aos trópicos, a necessidade de calagem para correção de solos ácidos, a infraestrutura precária de estradas e pontes, além de conflitos fundiários e insegurança jurídica sobre a posse da terra.

Segundo Cleiton, esses pontos foram centrais nas discussões do fórum e reforçam a importância de políticas públicas consistentes para transformar potencial produtivo em competitividade real.

“A produção agrícola em larga escala exige muito mais do que terra disponível. Exige estrada, ponte, acesso, crédito, pesquisa, tecnologia, estabilidade jurídica e ambiente de negócios. Mato Grosso também enfrentou e ainda enfrenta muitos desses desafios, mas conseguiu avançar porque houve investimento, organização produtiva e protagonismo dos produtores”, destacou.

A logística foi outro ponto de conexão entre os dois países. Em Mato Grosso, apesar dos avanços no escoamento pelo Arco Norte, que passou a responder por 52,61% da movimentação de grãos em 2025, o custo de transporte ainda é um dos principais fatores de perda de competitividade. Para o Imea, esse gargalo também representa oportunidade para novos projetos de estradas, ferrovias e hidrovias.

Apesar dos desafios, Mato Grosso é referência na agropecuária

Na Colômbia, o debate sobre infraestrutura é considerado decisivo para viabilizar a expansão agrícola da Altillanura. A região possui áreas aptas ao cultivo, mas enfrenta dificuldades de acesso, baixa conectividade rodoviária e necessidade de investimentos de longo prazo.

O fórum também tratou da relação entre produção de grãos e segurança alimentar. A ampliação da produção de soja e milho é vista pelo setor produtivo colombiano como condição para reduzir custos, fortalecer a avicultura e a suinocultura e ampliar a oferta de proteína animal à população.

Para Cleiton Gauer, a troca de experiências reforça o papel de Mato Grosso como referência internacional em agropecuária tropical.

“Mato Grosso mostra que regiões de fronteira agrícola podem se desenvolver com escala, tecnologia e preservação. A Colômbia tem uma grande oportunidade pela frente, e o nosso papel foi compartilhar aprendizados, inclusive os desafios, para contribuir com esse debate”, concluiu.

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Fonte:
Famato

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