Com nova base na China, Rio Grande do Sul busca investimento estrangeiro "direto na fonte"

Publicado em 24/08/2026 09:06
Invest RS amplia estratégia no principal destino das exportações gaúchas e mira novos investimentos em setores de alta tecnologia no Estado

A Invest RS, agência de desenvolvimento do Rio Grande do Sul, amplia sua atuação internacional com a abertura de uma representação permanente na China. A iniciativa faz parte da estratégia do Estado de intensificar a atração de investimentos estrangeiros e criar novas oportunidades comerciais para empresas gaúchas em um dos mercados mais relevantes do mundo.

O lançamento da representação ocorrerá durante missão da Invest RS à China, que terá agendas em Xangai e Pequim. No dia 25 de agosto, será realizado um evento de lançamento com representantes de empresas e instituições brasileiras e chinesas.

Mais do que estabelecer uma presença institucional no país asiático, a iniciativa busca criar um canal permanente entre o Rio Grande do Sul e investidores, empresas e instituições financeiras chinesas.

Desde que iniciou suas operações, em dezembro de 2024, a Invest RS vem intensificando a presença do Estado nos principais centros de decisão econômica. A agência já realizou diversas missões à China e estabeleceu também uma estrutura em São Paulo para aproximar o Rio Grande do Sul de investidores, instituições financeiras e empresas com poder de decisão sobre novos projetos.

"A atração de investimentos exige presença, relacionamento e continuidade. Queremos estar onde as decisões de investimento são tomadas e construir uma interlocução permanente com empresas e investidores. A representação na China é um passo importante para posicionar o Rio Grande do Sul de maneira mais competitiva na disputa pelo capital global”, afirma Rafael Prikladnicki, presidente da Invest RS.

China como uma das prioridades da estratégia

A China é uma das prioridades da estratégia internacional do Rio Grande do Sul. O país é o maior destino das exportações gaúchas e tem papel relevante, especialmente para produtos do agronegócio. Ao mesmo tempo, a expectativa é que a China se consolide, nos próximos anos, como a principal origem de investimento estrangeiro direto (IED) no Brasil, ampliando as oportunidades para atração de novos projetos ao Estado.

A estratégia da Invest RS tem, portanto, duas frentes complementares: atrair investimentos chineses para o Rio Grande do Sul e ampliar as oportunidades de exportação das empresas gaúchas para o mercado chinês.

Na atração de investimentos, a agência pretende concentrar esforços inicialmente em setores nos quais há convergência entre a capacidade produtiva do Estado e o movimento de internacionalização das empresas chinesas. Entre eles estão energia, indústria automotiva, semicondutores e serviços digitais. Na frente comercial, o agronegócio ocupa posição de destaque, incluindo grãos e proteínas animais.

A escolha da data também busca conectar a agenda chinesa a um dos principais eventos econômicos do Rio Grande do Sul, a Expointer. A estratégia prevê ampliar a interlocução entre empresas e entidades gaúchas e parceiros chineses durante o período do evento.

Porta de entrada para capital e novos investimentos

Outro eixo da estratégia é o relacionamento construído pelo Rio Grande do Sul com bancos de fomento internacionais, entre os quais se destaca o Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), banco multilateral com sede em Pequim. Essa aproximação já começa a se traduzir em operações concretas de financiamento, especialmente em projetos ligados à infraestrutura, à resiliência climática e à recuperação econômica do Estado.

As tratativas entre o BRDE e o AIIB fazem parte da estratégia do banco regional de diversificar suas fontes de funding. A primeira operação, no valor de US$ 300 milhões, foi aprovada em outubro de 2025 para financiar projetos de infraestrutura. Desse total, US$ 100 milhões serão destinados ao Rio Grande do Sul, especialmente para apoiar a reconstrução e a retomada da economia após os eventos climáticos que atingiram o Estado. O financiamento integra o Programa de Desenvolvimento e Resiliência para a Região Sul e contempla três grandes frentes: projetos públicos e privados que contribuam para a recuperação econômica do Rio Grande do Sul e favoreçam o comércio baseado em exportações; investimentos em transição energética e infraestrutura sustentável, incluindo energia renovável, investimentos climaticamente positivos, mobilidade urbana sustentável e infraestrutura que facilite o comércio; e subprojetos de resiliência climática nos setores público e privado.

Pelo modelo da operação, o AIIB delega ao BRDE responsabilidades relacionadas à seleção, avaliação, aprovação e monitoramento dos subprojetos locais, de acordo com os critérios e padrões socioambientais estabelecidos para o programa. Entre as áreas que poderão receber financiamento estão infraestrutura relacionada à água, gestão de cheias, geração de energia, mobilidade urbana, transporte e outras frentes consideradas essenciais para a recuperação social e econômica da Região Sul.

A operação com o AIIB foi aprovada em outubro de 2025. No Brasil, segundo o BRDE, já recebeu o aval da Comissão de Financiamento Externo (Cofiex) e está nas etapas finais de tramitação junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

A operação exemplifica como o aprofundamento das relações com instituições chinesas pode abrir novas frentes de financiamento e investimento para o Rio Grande do Sul. Esse movimento ocorre em um contexto de expansão da presença econômica chinesa no Brasil e de uma relação comercial já consolidada entre a China e o Estado.

Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o Brasil foi em 2025 o principal destino global do investimento estrangeiro direto (IED) chinês, concentrando 11% de todo o investimento externo do país asiático — US$ 6,1 bilhões, o maior volume desde 2017 e um crescimento de 369% desde 2022.

O Rio Grande do Sul acompanha esse movimento: é o sexto estado brasileiro em número de projetos de investimento chinês no acumulado entre 2007 e 2025, com 20 projetos, e ocupou a sétima posição em 2025, com quatro novos projetos.

Na frente comercial, a China é o principal parceiro comercial do Rio Grande do Sul desde 2013 e o principal destino das exportações gaúchas desde 2008. Entre 2021 e 2025, o comércio entre o Estado e o país somou US$ 39 bilhões. Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 5,1 bilhões para a China — quase três vezes o volume enviado aos Estados Unidos, seu segundo maior destino, com US$ 1,7 bilhão. O Estado também mantém superávit comercial com a China desde pelo menos 1997.

Soja é o principal produto gaúcho exportado ao mercado chinês, respondendo por 69% do valor embarcado em 2025. Tabaco, pastas químicas de madeira e carne bovina completam a lista dos principais produtos, somando outros 22%.

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Fonte:
Invest RS

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