La Niña pode afetar próxima safra de grãos

Publicado em 18/05/2010 09:27 1385 exibições
Pela primeira vez desde agosto passado, dados internacionais apontaram, na semana passada, que a temperatura superficial do mar na faixa equatorial do oceano Pacífico apresentou padrão de neutralidade. Isso significa, segundo Alexandre Aguiar, da MetSul Meteorologia, que tecnicamente o El Niño teria acabado. Fenômeno que habitualmente aumenta as chuvas, com possibilidade de tormentas, seus efeitos devem sumir em breve, mas podem ser substituídos por outro vilão da agricultura. De acordo com Aguiar, modelos mundiais importantes de clima apontam para a volta do fenômeno La Niña, que provoca clima mais seco, diminuindo as chuvas em países como Chile e Argentina e no Sul do Brasil. Para ele, as apostas são de um episódio de intensidade moderada que poderia ser registrado já no próximo mês. O La Niña se caracteriza pelo aquecimento acima do normal das águas do Pacífico.

As projeções são recebidas com cautela pelo chefe do Centro de Pesquisa Meteorológica da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), o meteorologista Gilberto Diniz. "No momento, o que se pode afirmar é que temos um enfraquecimento do El Niño, mas não há indicativo concreto de que teremos La Niña", salienta o professor. Segundo Diniz, a partir do prognóstico do Comitê Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Rio Grande do Sul para os meses de junho, julho e agosto, que deverá ser elaborado nesta semana, será possível uma reavaliação do quadro.

Dependendo da força do La Niña, as safras de grãos poderão ser menores, afetando os preços. No Estado, o passado recente demonstra impacto adverso no milho e na soja com a tendência de menor ocorrência de chuva no período crítico de reprodução e enchimento de grãos das culturas nos meses de dezembro e fevereiro, respectivamente. Trigo e fumo também seriam prejudicados no caso da escassez de chuva. Já para o arroz, haveria benefícios com o aumento da luminosidade na safra. Entretanto, com todo o inverno pela frente e a possibilidade de chover suficientemente para o abastecimento de reservatórios, o assistente técnico estadual da Emater em Agroenergia, Alencar Paulo Rugeri, pondera que ainda é muito cedo para especulações.

Produtor está mais preparado

Se os prognósticos de La Niña forem confirmados, o produtor gaúcho estará melhor preparado para enfrentar a estiagem do que em anos anteriores. A opinião é do secretário adjunto da Secretaria Extraordinária da Irrigação e Usos Múltiplos da Água, Mário Silva. Ele atribui essa maior proteção ao avanço do programa estruturante Irrigar é a Solução, criado para minimizar os efeitos das estiagens sobre a produtividade do agronegócio gaúcho, por meio do aproveitamento racional do potencial hídrico do Estado. "Temos hoje muito mais reserva de água no Estado e produtores mais conscientes de que é preciso investir em irrigação", afirma.

Apesar de admitir que há muito para avançar, Silva argumenta que, até o final deste ano, estarão prontos 5 mil açudes e cisternas em 300 municípios do Estado, com prioridade para regiões atingidas por estiagens. Até agora, 3 mil estruturas foram concluídas. O acúmulo de água é um dos pilares do programa e previa 16 mil açudes e cisternas. Contudo, segundo o secretário, faltou demanda por parte do agricultor. Silva lembra que o projeto, que prevê depósito antecipado de 20% do valor pelo produtor, sofreu certo descrédito no início e enfrentou burocracia.

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Fonte:
Correio do Povo

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