Endividamento: Safra tensa em 2010

Publicado em 01/06/2010 09:13 e atualizado em 01/06/2010 14:16 919 exibições
Falta de capital revela primeiro problema da nova safra: compras de insumos estão atrasadas, como aponta o Imea

Ricardo Tomczyk begin_of_the_skype_highlighting, presidente da Comissão de Endividamento Rural da Aprosoja/MT, diz que este ano, a exemplo do que aconteceu o ano passado, os produtores estão sem renda para pagar as dívidas. "A safra é recorde, porém o resultado desta safra está sendo ruim para o produtor por causa dos baixos preços das commodities, oscilações cambiais, endividamento e custo de produção elevado e falta de logística para o transporte dos grãos", pontua.

"O resultado desta safra simplesmente não permite o pagamento da dívida", acrescenta o presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveiraend_of_the_skype_highlighting, que defende uma ampla revisão dos juros, prazos e condições de pagamento das dívidas existentes. "Do jeito que está a situação, quase ninguém dá conta de pagar. Precisamos readequar as dívidas à nossa realidade".

Silveira concorda que o resultado da atual safra "foi muito ruim" para o produtor, apesar de os números recordes apontados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que prevê colheita superior a 30 milhões de toneladas de grãos. A soja deve superar o recorde de 09/10 e chegar a 18,87 milhões de toneladas.

"Bela safra, porém o cenário é totalmente adverso para o produtor", comenta Tomczyk, que não sabe mais calcular o montante do endividamento rural dos produtores mato-grossenses. "Prefiro não arriscar [nesta previsão], pois os números mudam quase que diariamente". Fontes da Aprosoja/MT, contudo, apontam para uma dívida – custeio e investimento - superior a R$ 12 bilhões, de um montante "originário" de R$ 10 bilhões nas últimas três safras. Só este ano, o montante das parcelas para pagamento totaliza a cifra de aproximadamente R$ 2,5 bilhões. Como se diz entre os sojicultores, o valor devido é o equivalente a uma safra, já que o custeio anual da cultura demanda cerca de R$ 12 bilhões.

"O produtor está descapitalizado, não há como fazer frente a este compromisso", disse Silveira, revelando que a rentabilidade caiu de R$ 400, na safra passada, para R$ 50, este ano, ou seja, a margem de lucro entre despesa e receita foi de R$ 50. "É uma margem que mal dá para a sobrevivência do produtor, por isso estamos prevendo uma safra muito tensa e com muitas dificuldades. Por enquanto, [a safra] é uma incógnita para o produtor".

REPACTUAÇÃO – Segundo Ricardo Tomkzyck da Comissão de Endividamento Rural da Aprosoja, a esperança do produtor mato-grossense era de que o governo federal aprovasse a repactuação das dívidas vincendas em 2010. A emenda do senador Gilberto Goellner à MP 472, prevendo a prorrogação das parcelas de 2009 e 2010 das operações de investimentos, custeio repactuado e parcelas de 2010 do FAT-Giro Rural, praticamente caiu.

Tomczyk conta que havia um acordo com o governo federal para a inclusão da emenda, "mas na hora do encaminhamento o governo decidiu que a medida fosse feita via resolução do Conselho Monetário Nacional".

De acordo com Tomczyk, a frustração maior veio na hora de elaborar a resolução, pois o Ministério da Fazenda bloqueou a maioria das medidas previstas. "O que foi aprovado, na verdade, foi a reativação da MP 472. Para Mato Grosso, esta medida provisória praticamente não tem operacionalidade em função de que existem débitos vencidos anteriores e a lei não permite nova repactuação nessas condições. A situação realmente é uma incógnita e ninguém sabe o que vai acontecer este ano".

Sem conseguir repactuar as dívidas rurais, os produtores mato-grossenses preparam-se para uma "safra tensa" em 2010. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), a compra dos insumos para esta safra está atrasada e os produtores estão sem dinheiro para pagar as parcelas do endividamento que estão vencendo este ano. As dívidas referem-se às operações de investimento, custeio repactuado de safras anteriores e parcelas do FAT-Giro Rural.
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Fonte:
Diário de Cuiabá

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1 comentário

  • Fabiano Ferrari Rondonópolis - MT

    Não adianta prorrogar a divida por mais um ano, isso não vai resolver o problema, pelo contratio vai aumentar. A divida de investimento já está impagavel e a cada prorrogação, a situação ficará pior. A divida já subiu em torno de 250%, e vale mais que três vezes o valor do bem financiado. A unica forma é expurgar os juros e conceder 20 anos para pagamento, caso contrario o produtor pode procurar o judiciario sob pena de perder seu patrimonio para o Banco.

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