Com quatro meses de estiagem no Norte do país, seca atinge rios amazônicos e afeta agricultura

Publicado em 09/09/2010 12:01
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A estiagem no Norte do país já ultrapassa quatro meses e começa a afetar rios da região, como o Solimões, que vê seu leito ser tomado por bancos de areia. Entre os Estados mais atingidos pela seca estão Pará (sul do Estado), Acre (parte norte), Amazonas (parte sul) e Rondônia (norte).

No Pará, há municípios onde não chove há mais de 120 dias e a situação é agravada por focos de queimadas. O índice de chuvas foi zero nas cidades paraenses de Santana do Araguaia, Redenção e Floresta do Araguaia. Outras cidades paraenses registram índices de menos de 20 milímetros por metro quadrado acumulados em um mês.

No Amazonas, o índice pluviométrico da maioria das cidades do sul e centro do Estado está entre 10% e 30% abaixo da média para o período, informa o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Alguns municípios amazonenses, como Manicoré e Lábrea, acumulam quedas mensais seguidas do índice pluviométrico. De junho para agosto, a redução em Manicorá foi de 139 para 22 milímetros por metro quadrado.

Na fronteira do Acre, a umidade relativa do ar apresentou índice abaixo de 30%, atípico para a região. Como resultado, houve uma redução da formação de nuvens e de chuvas.

O coordenador do 2º Distrito do Inmet, José Raimundo Souza, afirma que toda a região Norte do país está enfrentando a estiagem. O fenômeno acontece todos os anos, no entanto, em 2010, houve a antecipação em um mês.

Segundo Souza, as chuvas deveriam cessar somente em junho, mas começaram a ficar escassas em maio. Por conta disso, rios regidos por elas, como o Solimões, o Tocantins e o Araguaia, também secaram mais cedo.

2010 só foi diferente dos outros anos por causa da antecipação da estiagem. Mas nada que repita situação como a enfrentada em 2005, quando houve a maior seca, com gado morrendo por causa da falta de água no Marajó, comentou.

Pequenos produtores são mais prejudicados

No Pará, a combinação entre estiagem e queimadas tem gerado prejuízos para os agricultores familiares de 16 municípios do sul do Estado. Em Santana do Araguaia, cerca de 2.000 famílias foram afetadas, segundo a Federação dos Trabalhadores da Agricultura (Fetagri).

Raimundo Lima Junior, diretor da Fetagri, diz que os municípios de Santana do Araguaia, Redenção e Santa Maria das Barreiras são os mais afetados.

Os prejuízos são ainda maiores em relação à pecuária. Em Santana, ele estima que 80% da área de pasto utilizada pela produção familiar foi destruída.

Em outros municípios, como Marabá e Itupiranga, a perda é da agricultura. Produtos como arroz e feijão estão queimando na plantação ou não vingaram por causa da estiagem.

Segundo Lima Junior, a federação está negociando com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), órgão estadual, uma forma de ajudar os pequenos agricultores.

Entre os grandes produtores, os problemas ainda têm proporções menores. Não há situação de alarme, garante o vice-presidente da Federação da Agricultura do Pará (Faepa), Vilson Shuber.
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Fonte: Uol

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