Depois de estabilidade, preços dos fertilizantes aumentam em Goiás

Publicado em 16/09/2010 07:51
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Depois de sucessivas quedas nos preços no primeiro trimestre de 2010, os valores dos insumos fertilizantes em Goiás voltaram a crescer conforme havia sido previsto. Puxado pelas altas nos principais terminais internacionais e pelo aumento dos fretes, os fertilizantes tiveram considerável aumento de preços tanto em formulados quanto em matéria-prima. O preço médio no Estado, de janeiro a agosto de 2010, fechou em R$ 868,44 a tonelada. No mesmo período de 2009, o preço médio foi de R$ 1.028,79 a tonelada, ou seja, este ano o preço médio da tonelada de fertilizante em Goiás está 18,46% menor relativo a 2009. Nos dados mensais verificou-se que o fechamento médio foi de R$ 890,43, valor 7,5% maior que o verificado em julho quando o fechamento foi de 828,49 por tonelada de produto. O destaque foi o aumento nos preços dos nitrogenados e a dos fosfatados no mercado interno. Os preços só não fecharam maiores porque o cloreto de potássio teve aumento leve. Desta vez, o aumento nos preços dos elementos simples superou os formulados na média geral.

Os preços no mercado internacional, nesse momento, estão em ascendência, o que nos leva a prever que os preços aumentarão ainda mais para setembro. Nesse mercado, a única queda registrada foi a do Cloreto de Potássio e todos os demais tiveram elevação de preços na comercialização. A uréia e a amônia tiveram a maior alta registrada. De julho para agosto, a uréia aumentou 8,62% na média nos principais terminais internacionais. Essa recuperação dos preços de uréia no mercado internacional é em virtude do aumento da demanda no mercado latino, indiano e de países do Oriente Médio. O temor de falta de oferta dos produtos tem aumentado as negociações e, consequentemente, o preço tem seguido o ritmo do volume de negociações. Os fosfatados MAP e DAP continuam em curva ascendente e aumentaram pelo menos 3% em relação a julho. Fazendo um comparativo com o mês de agosto de 2009, a média dos preços dos fertilizantes no mercado internacional estão pelo menos 17% mais caros. O MAP, por exemplo, aumentou 50,2% em relação a agosto de 2010, já o potássio caiu 35% no preço comparado ao mesmo período. O mercado local seguiu o histórico. A média de preços no comparativo com o mês de agosto do ano anterior está 11,2% mais caro.

Em Goiás, relativo ao mês de julho, a uréia subiu 11%, o MAP 7,6% e o Super Simples 9,3%. Na média geral, os formulados subiram 6,33% e os elementos simples subiram 8,5%. Nos meses de junho e julho, o aumento na média geral foi irrisório (0,05%) e se manteve praticamente estável, enquanto que nos meses de julho e agosto a variação subiu para 7,4%. Os fosfatados de maneira geral estão ainda em um momento de redução na oferta no mercado e em contrapartida uma maior demanda em todos os mercados mundiais, por esse motivo o produto voltou a subir em agosto nos mercados locais, lembrando que no mês de junho as importações brasileiras aumentaram 44% segundo a ANDA.

Com o aumento na produção de grãos neste ano, particularmente de soja e de cana-de-açúcar, Goiás deverá consumir algo próximo de 1,9 milhões de toneladas de fertilizantes, 12% a mais que na safra anterior.

O mercado de calcário, pouco variável durante o ano, teve leve queda em agosto, saindo de R$ 42 para R$ 40 (preço FOB) a tonelada. O preço do gesso também se manteve estável em R$ 35/tonelada (preço FOB).Mercado

O mercado de fertilizantes no Centro-Oeste tem tido algumas particularidades. Enquanto que no Sul, especialmente no Paraná, o mercado praticamente foi concluído, em Goiás, acredita-se que o mercado tenha andado até a faixa dos 60%, os 40% restante serão liquidados pelos retardatários que tiveram algum problema com financiamento e pelo mercado do picadão que ocorre no período chuvoso (outubro a dezembro). Apesar da boa antecipação de compra os produtores atrasaram a compra dos insumos e o fluxo de importações nos portos está aquecido, o que provoca aumento nos preços dos fretes. As usinas sucroenergéticas continuam cotando e o mercado para esse setor continua bem aceso.

Nos dados de troca de fertilizantes por produtos no mês de agosto, os destaques foram novamente o milho e o feijão, só que desta vez, o inverso. Foram necessários 64 sacas de 60 quilos de milho para a compra de uma tonelada de fertilizante utilizado no plantio, uma variação de -23% relativo ao mês de julho quando foram necessárias 82 sacas por tonelada. Para a soja foram necessárias 24 sacas por tonelada, número praticamente igual ao valor apurado em julho, visto que o preço da saca aumentou quase 3% em relação a julho. O feijão, depois de uma brusca baixa nos preços, necessitou de 9,7 sacas para comprar uma tonelada do insumo, alta de 24% em relação a julho. Para a cana-de-açúcar, o valor também foi semelhante ao apurado em julho onde foram necessárias 24 toneladas da matéria-prima para se comprar uma tonelada de adubo.

A elevação dos preços dos insumos provocou um aumento médio de 2,6% nos custos de produção das principais culturas, já que os fertilizantes respondem por pelo menos 30% do custo total. Em contrapartida, os preços recebidos pelos produtores aumentaram quase 7% na média geral. Não há dúvidas que o aumento nos preços dos produtos agrícolas também provocaram a alta nos preços dos insumos.

A previsão é de continuidade na elevação do preços no mercado local visto o comportamento de preços no mercado internacional e aumento de preços das commodities.
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Fonte: Faeg

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