Dilma afirma que não sabia de lobby na Casa Civil, e Erenice alega ter sido traída

Publicado em 19/09/2010 19:04
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A coordenação de campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou ontem que ela não sabia da existência de um esquema para facilitar interesses de empresas privadas na Casa Civil, pasta que ela comandou até março.
Em entrevista coletiva em Campinas (SP), a própria petista disse que não tomou conhecimento da denúncia que o consultor Rubnei Quícoli afirma ter enviado por e-mail à Casa Civil, apontando a existência desse esquema.
A empresa EDRB, da qual Quícoli era consultor, afirmou que Israel Guerra, um dos filhos da ex-ministra Erenice Guerra, cobrou dinheiro para obter empréstimo no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Após a revelação, feita pela Folha na semana passada, Erenice deixou no ministério.
"Não cheguei a tomar conhecimento [da denúncia de lobby]. Agora, eu acho estarrecedor que se dê credibilidade a uma pessoa com aquele currículo", disse Dilma.
Com duas condenações na Justiça, Quícoli chegou a ficar preso cerca de dez meses.
Dilma também afirmou que não sabia da participação de Israel em assuntos do governo. "Não tinha nenhum filho da Erenice na Casa Civil. O que tinha lá eram amigos dele [trabalhando]. Se esses amigos cometeram delito, lamento a indicação deles. Lamento profundamente."
Ao lado de dois amigos, Israel é acusado de participar de um esquema de facilitação de interesses privados na Casa Civil, para intermediar reuniões, viabilizar projetos e liberar recursos públicos.
"Nunca, em tempo algum, tive qualquer tipo de suspeita de irregularidade. Não vou admitir que, por conta do processo eleitoral, joguem suspeitas sobre a minha conduta, a minha campanha ou os meus atos públicos. Tenho clareza que sou uma servidora pública", afirmou Dilma.
Ex-braço direito de Dilma, Erenice disse em entrevista em "IstoÉ" que foi traída pelo assessor Vinícius Castro e defendeu seu filho da acusação de tráfico de influência. "Terão todos que viver à minha custa, pois não poderão trabalhar e se relacionar?".
Recém-exonerado, Vinícius é acusado de ser sócio oculto de Israel na Capital Consultoria, usada por eles para intermediar negócios de empresas com o governo.
Erenice negou ter recebido representante da EDBR e afirmou que o sigilo fiscal da família está à disposição. "Meu filho se chama Israel, não Veronica. Não sou o [tucano José] Serra, que briga para manter o sigilo da filha".

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Fonte: Folha de S. Paulo

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