Em Sinop (MT) Serra diz que quem persegue imprensa vai perseguir também religiões

Publicado em 23/09/2010 18:08
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O candidato tucano à Presidência, José Serra, criticou hoje em Mato Grosso o que chamou de "cerco" à liberdade de imprensa.

Questionado em entrevista sobre como vê "ataques" do governo federal à mídia, Serra disse que há pessoas que defendem a imprensa só quando ela "fala bem".

"O que vem incomodando essa gente é que a imprensa vem apresentando notícias que mostram abusos, nepotismo e maracutaia com o dinheiro público. Essa imprensa incomoda os donos do poder. E é só isso. Não é nenhuma objeção doutrinária que eles têm. É uma posição de conveniência. Não há país democrático no mundo sem imprensa livre. Aqueles que perseguem hoje a imprensa vão mais tarde perseguir credos religiosos. E essa perseguição não tem fim", disse.

Serra esteve na cidade de Sinop (a 508 km de Cuiabá), onde participou de uma caminhada e visitou uma sede da Apae.

A região está coberta por uma névoa originada de queimadas. O candidato criticou o combate aos incêndios por parte do governo federal.

Pivô do escândalo em MS também acusa Zeca do PT

O vídeo que indica que há um "mensalão" pago a autoridades de Mato Grosso do Sul, entre elas o governador André Puccinelli (PMDB), também liga o ex-governador José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, a um suposto favorecimento a empreiteira.

Puccinelli e Zeca polarizam a disputa ao governo. No vídeo, o deputado estadual Ary Rigo (PSDB) afirma que o empreiteiro Edson Freitas obtinha vantagens durante o governo petista (1999-2006).

As gravações foram feitas pelo secretário de Governo de Dourados, Eleandro Passaia, em 12 de junho. Passaia era ligado politicamente ao prefeito de Dourados, Ari Artuzi (PDT), que está preso porque o secretário o filmou recebendo propina.

Na gravação, Passaia diz a Rigo que a Prefeitura de Dourados pretendia direcionar uma licitação para Freitas e que o valor a ser superfaturado (R$ 1,3 milhão) se destinava ao empresário Eduardo Uemura, preso pela Polícia Federal em 2009, sob suspeita de fraude em Dourados.

Rigo diz então que a empreiteira Vale Velho, de Freitas, obteve contratos no governo Zeca do PT graças à intermediação do ex-presidente da Assembleia Legislativa Londres Machado (PR).

"Quem defendia os interesses do Edson no governo Zeca era o Londres. Só que ele pegava as obras e não fazia", diz o tucano. Ex-pedetista, Rigo foi líder de Zeca na Assembleia e presidiu a Casa.

Como Puccinelli e Zeca têm ligações com o pivô do escândalo, não há previsão de que os vídeos sejam levados à TV. A artilharia está concentrada na internet.

Apoiadores de Zeca do PT disseminam uma versão do vídeo em que Rigo aparece falando nos pagamentos feitos em dinheiro ao governador, a deputados e a membros do TJ e e do Ministério Público. O tucano nega que tenha se referido a propina.

O contra-ataque é o vídeo com o trecho em que Rigo cita o suposto favorecimento da empreiteira por Zeca.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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