Governo manobra para evitar depoimento de Dilma e Erenice no Senado

Publicado em 06/10/2010 17:12
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Os senadores aliados ao presidente Lula foram orientados pelo governo a não comparecer à reunião da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) que votaria os convites à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e à ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra para explicar as denúncias de tráfico de influência na pasta.

Segundo o senador Eduardo Suplicy (PT), o pedido partiu do ministro Alexandre Padilha. "Houve, da parte do ministério [de Relações Institucionais], a orientação para que não houvesse a presença hoje", afirmou Suplicy.

Uma reunião da CCJ do Senado foi convocada na manhã desta quarta-feira pelo presidente da comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), para discutir os requerimentos de autoria de seu colega Álvaro Dias (PSDB-PR). A sessão não foi aberta por falta de quórum.

Dias argumentou que os senadores governistas poderiam ter usado a maioria para rejeitar os requerimentos, mas preferiu o "boicote" para evitar o "desgaste político".

Como Dilma e Erenice não são mais ministras, elas podem ser apenas convidadas a falar. Não cabe convocação obrigatória pela Casa.

"É evidente que há um receio com relação ao desgaste eleitoral inevitável. Não há o desejo de aprofundar investigações, para que não se revele fatos que podem comprometer ainda mais a imagem do governo", defendeu Dias.

"Manobraram e mandaram recado. Faz parte do jogo político", afirmou Torres.

Empresa ajudada por filho de Erenice perde contrato de R$ 19 mi com Correios

Os Correios irão rescindir contrato emergencial com a MTA (Master Top Linhas Aéreas) com a decisão da Justiça que pôs fim a um imbróglio envolvendo uma licitação feita para substituir esse contrato.

A empresa ganhou o direito de operar o trecho sem licitação, em caráter emergencial, em maio deste ano. Para substituir esse contrato, os Correios fizeram uma licitação cujo resultado estava sub judice até o início da semana.

A MTA havia vencido a licitação, o que lhe permitiria continuar operando na rota Brasília-Manaus-São Paulo, mas foi desclassificada porque não apresentou a documentação no prazo. A empresa brigava na Justiça, mas perdeu para a Rio Linhas Aéreas, segunda colocada, que agora irá assumir esse trecho.

O contrato emergencial era de R$ 19 milhões. A MTA mantém, porém, outros três contratos com os Correios, no valor de R$ 40 milhões, todos conquistados por meio de pregão eletrônico.

A Rio Linhas Aéreas é uma empresa nova no setor de cargas, com sede no Paraná. Segundo a Folha apurou, só tem contratos com os Correios e tem licença para voar há apenas dois anos.

A MTA é uma das protagonistas do escândalo que derrubou a então ministra Erenice Guerra da Casa Civil.

A empresa de lobby operada pelo filho dela, Israel Guerra, conseguiu liberar em tempo recorde na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) renovar a concessão da empresa aérea por dez anos, o prazo anterior era de cinco, o que lhe permitiu ganhar contratos com os Correios.

O caso está sendo investigado pela Polícia Federal.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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