Na TV, Serra defende valores e Dilma destaca diferenças

Publicado em 13/10/2010 16:24
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Nos 10 minutos reservados para cada candidato, o tucano enfatizou a honestidade e a petista, as distinções entre o atual governo e o de FHC

Os candidatos a presidente José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff apelaram nesta segunda-feira, 13, para a "honestidade" e comparações, respectivamente, na publicidade eleitoral gratuita da tarde na televisão. Nos dez minutos, Serra afirmou que 2010 é o ano em que os eleitores buscam valores e honestidade e que este é o momento em que o País pode "mudar para melhor". Já Dilma investiu em confrontações, distinguindo o Brasil governado pelos tucanos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

O candidato do PSDB a presidente abriu a publicidade eleitoral com cenas de um parto, numa analogia ao País que "nasce a cada dia". "A vida é feita de escolhas", reforçou o locutor. Serra disse que a "voz da verdade" prevalecerá nesta eleição. "O povo vai exigir que os candidatos sejam verdadeiros", afirmou. "O povo espera que os candidatos mostrem seu caráter, sem disfarces, sem maquiagem", emendou. 

Num breve resumo da trajetória política de Serra - de líder estudantil a governador de São Paulo -, o programa ressaltou que ele esteve ao lado do ex-presidente Tancredo Neves e da Constituição de 1988, "diferente do PT da Dilma". Serra ainda prometeu construir uma economia forte e uma nação sustentável, "pegar pesado contra a corrupção" e investir em saneamento básico. 

"Viram, meus conterrâneos? Não deixem de votar neste homem", pediu o cantor e compositor e instrumentista pernambucano Dominguinhos, conterrâneo de Lula nascido em Garanhuns, no Planalto da Borborema (PE). A publicidade terminou citando denúncias do fim de semana, que apontam o Gu Zhou Ji, filho do médico acupunturista de Dilma, como funcionário da Coordenadoria de Saúde da Presidência da República. "Agora, até o rapaz da agulha. É o fim da picada", ironizou o narrador. 

PT - O programa eleitoral gratuito do PT manteve o tom de embate das últimas inserções e começou acusando os tucanos de serem contra o Bolsa-Família e a favor das privatizações. "No nosso governo, 28 milhões de brasileiros saíram da miséria", comparou a candidata do PT a presidente. Dilma prometeu continuar "mudando" o País e disse que o foco do eventual mandato será erradicar a miséria. 

Ela afirmou que, se eleita, investirá os recursos do pré-sal para lutar contra a pobreza e na educação, meio ambiente e novas tecnologias. Na lista de promessas, Dilma disse que pretende construir 2 milhões de moradias em quatro anos, investir em segurança pública e não privatizar estatais estratégicas. "Mais uma vez, o nosso caminho é totalmente outro", ressaltou. 

Estratégia petista em pleno curso

Desde o debate da Band está em curso uma nova etapa na campanha: o PT (e Dilma Rousseff) está tentando virar o jogo, fazendo-se de vítimas de boatos, mas ao mesmo tempo lança sobre José Serra acusações para que o tucano tenha que ficar na defensiva.

Para isso, lança na propaganda da TV imagens dos ataques a Serra no debate,  usa as entrevistas dos dirigentes partidários para reforçar o tema e não se descuida em reforçar a ideia de que Dilma teve sólida formação religiosa,  como fez ontem no horário eleitoral gratuito.

Ontem, por exemplo, Serra teve que repetir que desconhece a história do Paulo Preto que, segundo Dilma, teria fugido com dinheiro arrecadado para a campanha tucana.

Se a estratégia vai funcionar ou não, ninguém pode afirmar com certeza nesta altura do campeonato. É uma jogada arriscada, embora o PT tenha um bom know how nesse tipo de contra-ataque.

Hoje à noite, a nova pesquisa Ibope que será divulgada no Jornal Nacional e que foi feita depois do debate, vai começar a clarear as coisas.

Por Lauro Jardim

Garotinho pede revogação do PNDH 3 para apoiar Dilma e diz que nem em sua casa consegue pedir votos para a petista

Deputado federal eleito com a maior votação no Rio, o ex-governador Anthony Garotinho (PR) condicionou seu apoio à candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, à revogação imediata, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do decreto que instituiu o PNDH 3 (Plano Nacional de Direitos Humanos).

Evangélico, da denominação pentecostal Assembleia de Deus, Garotinho diz que a questão do aborto, que surgiu fortemente na campanha eleitoral, não é o único problema do Plano. O PNDH 3 ainda propõe a legalização da prostituição e obriga os hospitais conveniados ao SUS a fazer operação de mudança de sexo, sob pena de perder o convênio. Os hospitais não têm remédio e nem médico. É um absurdo esse tipo de exigência, disse Garotinho.

O ex-governador estima ter recebido 500 mil dos seus 695 mil votos de eleitores evangélicos e diz que nem em casa consegue pedir votos para a petista. Princípio não se negocia. Fui seguramente o deputado mais votado entre os evangélicos, mas tenho dificuldades até dentro de casa. Meus filhos, por exemplo, votaram na Marina (Silva, do PV), disse o líder do PR, partido que, graças em grande parte à sua votação, elegeu oito deputados federais no Estado do Rio.

Em favor de Dilma, os deputados federais reeleitos Eduardo Cunha (PMDB) e Filipe Pereira (PSC), e o vice-presidente nacional do PSC, pastor Everaldo Dias, assumiram a defesa da petista durante culto na Assembleia de Deus de Madureira. Segundo eles, panfletos apócrifos eram distribuídos do lado de fora do templo associando a candidata ao movimento gay.

Vou a todos os cultos que eu puder para esclarecer esse tipo de boataria. Todo mundo tem o direito de se posicionar. O que não pode é mentir. Isso é baixaria. Vou chamar a polícia quando tiver panfleto apócrifo, afirmou Cunha. O pastor Dias contou que está precisando convencer os fiéis de que Dilma jamais disse que nem Jesus Cristo tiraria sua vitória no primeiro turno

Já o pastor Silas Malafaia, líder do ministério Associação Vitória em Cristo, divulgou em seu site depoimento gravado em que declara voto no tucano e acusa Dilma e o PT de terem defendido abertamente a legalização do aborto e o projeto de lei que criminaliza a homofobia. Segundo ele, a candidata e o partido dissimulam seus princípios para atrair os eleitores evangélicos.

Nós evangélicos somos cidadãos, como os católicos, e temos direito de opinar e o direito de interferir (no processo eleitoral), sim senhor, disse Malafaia com veemência. Quem tem a competência para dirigir esse País? Para mim, é pessoal, é meu voto, eu acredito que é o Serra. A Dilma merece o meu respeito, mas para mim Serra é o mais preparado para dirigir essa nação, disse o pastor.

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Fonte: O Estado de S. Paulo

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