Época liga homem de confiança de Dilma a fraude no Rio Grande do Sul

Publicado em 17/10/2010 15:33
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O banco KfW, controlado pelo governo alemão, entrou com ação contra a CGTEE (companhia de geração térmica de energia do governo federal) na qual afirma que o diretor da Eletrobras Valter Cardeal teria conhecimento de uma fraude milionária envolvendo a construção de usinas de biomassa no Sul.

As informações foram divulgadas pela revista "Época" deste final de semana.

A CGTEE é uma subsidiária da Eletrobras, estatal na qual Cardeal é diretor de Engenharia e foi presidente.

Segundo a revista, na ação judicial, o banco diz que "até mesmo alguns políticos conheciam os fatos, como a então ministra, Dilma Rousseff".

A fraude na CGTEE foi revelada pela Operação Curto-Circuito da Polícia Federal em 2007. A PF constatou que parte do dinheiro desapareceu.

Conforme a investigação, o grupo que comandava a estatal forjou um aval em nome da CGTEE para ajudar uma empresa privada --a Winimport-- a obter empréstimo de 157 milhões de euros para erguer sete usinas de biomassa. Das sete, cinco não saíram do papel.

Ou seja, a CGTEE foi usada como fiadora do negócio. Empresas públicas são proibidas de dar garantias internacionais a empresas privadas.

Segundo a revista, executivos da empresa alemã teriam afirmado em depoimentos à Justiça Federal gaúcha que Cardeal visitou a sede da empresa em 2005 e "estava ciente das garantias".

A Justiça Federal gaúcha abriu processo por acusação de formação de quadrilha, estelionato, corrupção passiva e ativa. Cardeal não foi incluído no processo e nega envolvimento no esquema.

Irmão de diretor da Eletrobras negocia projetos de energia


O irmão do diretor de Engenharia e Planejamento da Eletrobras, Valter Cardeal --homem forte de Dilma Rousseff (PT) no setor elétrico--, atua como consultor de empresas interessadas em investir em energia eólica, área que terá R$ 9,7 bilhões em investimentos do PAC 2.

Edgar Luiz Cardeal é dono da DGE Desenvolvimento e Gestão de Empreendimentos, criada em 2007 para elaborar projetos no setor.

O responsável pela gestão do Proinfa, programa de incentivo ao uso de energias alternativas --como a eólica-- é o irmão do empresário.

Valter Cardeal é braço-direito de Dilma no setor elétrico há 20 anos. Quando a presidenciável do PT foi secretária de Minas e Energia do RS, ele era diretor da CEEE, empresa estadual de energia.

Ele também preside o Conselho de Administração da Eletrosul, que gerencia a política energética no Sul --onde atua a empresa do irmão.

Edgar oferece a empresas projetos para erguer torres de energia eólica em fazendas cuja locação ele negocia.

Sócio de duas empresas do ramo, Ricardo Pigatto relatou à Folha ter contratado Edgar para investir em três parques eólicos no RS. "Estabelecemos um valor fixo com pagamentos mensais e, depois, uma taxa de sucesso se o negócio der certo."

Pigatto disse que firmou três contratos com Edgar, e que os pagamentos mensais eram para custear estudos que viabilizariam o projeto.

Pelo contrato, a taxa de sucesso sobre o projeto varia de 0,2% a 10% se o governo comprar a energia ou se o negócio for vendido a terceiros.

Um dos parques eólicos, em Pinheiro Machado, está orçado em R$ 1 bilhão. Para esse contrato, firmado com Edgar em maio do ano passado, o pagamento previsto é de R$ 84 mil em 23 meses.

Para dar certo, o projeto precisa passar pelo crivo da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e vencer um leilão do governo federal, que passaria a ser comprador da energia produzida.

"Dos 6 parques que nós estamos medindo [capacidade de produção de energia pelo vento], 3 foram ele [Edgar] quem nos trouxe os proprietários de terras para negociar", disse Pigatto.

"Um dia ele apareceu na empresa perguntando se eu tinha interesse em desenvolver parques eólicos. Trouxe a oportunidade e me propiciou contato com alguns proprietários de terra com os quais fiz arrendamento e estamos desenvolvendo projetos."

'ÉPOCA'

O banco KfW, controlado pelo governo alemão, entrou com ação contra a CGTEE, empresa de geração térmica subsidiária da Eletrobras.

Segundo a revista "Época", na ação o banco acusa Valter Cardeal de ter conhecimento de fraude na construção de usinas de biomassa no Sul. A Justiça Federal abriu processo sobre o caso, mas não incluiu o diretor.

Dilma rebate acusações contra aliado na Eletrobras


A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, foi evasiva neste domingo ao ser questionada sobre reportagem publicada hoje na Folha de que o irmão do diretor da Eletrobras Valter Cardeal, um dos principais assessores da petista no setor elétrico, atua como negociador de projetos de energia eólica.

Após afirmar que "essa é uma questão que eles têm de responder", classificou a denúncia como "estranha, porque ela se desmente no final". Dilma deu as declarações depois de visitar o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, hoje de manhã. 

Dilma tratou como "fofoca" produzida por uma "central de boatos" a denúncia, publicada pela revista "Época", que liga Cardeal a uma fraude num empréstimo internacional milionário.

O banco KfW, controlado pelo governo alemão, entrou com ação contra a CGTEE, subsidiária da Eletrobras cujo conselho de administração é presidido por Cardeal, alegando que órgão sabia serem falsas as garantias dadas a um empréstimo feito pelo KfW para construção de usinas de biomassa no Sul.

Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
A candidata do PT, Dilma Rolusseff, visita a exposição de Fernando Pessoa no Museu da Língua Portuguesa
A candidata do PT, Dilma Rolusseff, visita a exposição de Fernando Pessoa no Museu da Língua Portuguesa

"Acho bom que na campanha eleitoral a gente cuide as fofocas [sic]. Quem está falando isso está beneficiando o banco. O banco é um banco alemão que, como fez e aceitou um empréstimo com um aval ilegal, está querendo hoje ganhar essa questão [em] que ele errou --conseguiu um aval de um diretor que foi demitido. Aí o banco está alegando que as pessoas sabiam. Primeiro porque você não pode ter um aval de um diretor só. Segundo porque aval de pessoas ou de empresas estatais para privados é ilegal. Então o que o banco está fazendo é chorando. E o que a central de boatos está fazendo, ao invés de defender o Brasil, está defendendo banco estrangeiro", disse a candidata.

PANFLETO E PAULO PRETO

Dilma definiu como "crime eleitoral" a distribuição dos panfletos assinados por uma diocese ligada à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) recomendando voto contra o PT nas eleições, por causa da posição favorável do partido sobre a descriminalização do aborto, mas disse não saber quem encomendou o material.

"Não é do meu feitio nem da minha campanha sair acusando sem ter investigação. Nós sabemos a quem beneficia, é ao meu adversário. Agora, se foi ele ou não que fez, resta ser provado."

Ela classificou de "insuficientes" as explicações dadas por Serra para ter nomeado, quando era governador, uma filha do ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, acusado de desviar R$ 4 milhões supostamente destinados ao caixa 2 da campanha do PSDB. A nomeação foi revelada hoje pela Folha.

PIS E COFINS

A petista prometeu hoje acabar com a cobrança dos impostos PIS e Cofins sobre obras de saneamento, energia e transporte. Zerar o PIS (Programa de Integração Social) e o Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) do saneamento é uma das propostas marteladas pelo adversário de Dilma, o tucano José Serra, que usa o tema para atacar a atuação do governo na área.

Em 2007, o presidente Lula vetou um artigo da Lei de Saneamento que previa isenção para o setor, sob a alegação de risco ao equilíbrio fiscal. Há em tramitação no Congresso um projeto com esse objetivo.

No caso do transporte, Dilma informou que a isenção estaria condicionada a uma redução no preço das passagens de ônibus, "porque senão você está passando o recurso não para o consumidor, mas para a empresa".

Quanto ao setor energético, a candidata afirmou que não basta a redução do PIS e do Cofins, pois a maior incidência tributária é de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), e que precisaria ser feito um acordo com governadores sobre a redução.

DEBATE

A petista afirmou esperar que o debate Folha/Rede TV!, às 21h10 de hoje, seja "de alto nível, propositivo e assertivo".

Dilma voltou a negar que tenha sido agressiva no último confronto, na Band.

"Acho interessante. Sempre que uma mulher age e responde no mesmo nível que o homem ela é agressiva. Eu sou capaz de responder de forma bastante assertiva. Não vou em nenhum momento ser agressiva. Agora, serei assertiva."


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Fonte: Folha de S. Paulo

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