Segundo semestre confirma elevação de preços de fertilizantes

Publicado em 18/10/2010 07:43
933 exibições
Confirmando o histórico desde a crise de 2008, os preços de fertilizantes no segundo semestre do ano estão mais caros. Fazendo um retrospecto do que ocorreu em 2009, vimos que no primeiro semestre os fertilizantes tiveram preços mais altos e no segundo semestre os preços foram decrescentes.

Aqueles produtores que sempre antecipam compras dos insumos amargaram o dissabor de terem comprado mais caro. Em 2009, a média de preços no primeiro semestre foi de R$ 1.096,84 por tonelada de produto, já no segundo semestre, a média foi de R$ 778,51. Em 2010, até o presente momento, tivemos a média de R$ 871,43 no primeiro semestre (-25,86% em relação a 2009) e R$ 894,21 no segundo semestre (até setembro). Por esses números vamos confirmando a tendência de mercado de elevação de preços no segundo semestre, e apesar de nesse momento a diferença nos dois períodos do ano não ser tanta, estamos tendo altas expressivas no mercado internacional o que nos faz prever mais alta nos preços até o final do ano.

Com o aumento na produção de grãos neste ano, particularmente de soja e milho, além da cana-de-açúcar, Goiás deverá consumir algo próximo de 1,9 milhões de toneladas de fertilizantes, 12% a mais que na safra anterior.

O mercado de calcário, pouco variável durante o ano, continuou com preço estável, R$ 40 (preço FOB) a tonelada. O preço do gesso também se manteve estável em R$ 35/tonelada (preço FOB).

No mês de setembro, o preço médio dos fertilizantes foi de R$ 963,71 com variação positiva de 8% em relação a agosto. O preço médio dos formulados foi de R$ 882,19 (+6,17%) e das matérias-primas foi de R$ 1.045,24 (+10%) puxado principalmente pelos nitrogenados. Os grandes vilões do aumento de preços tem sido a uréia e o sulfato de amônio, que tiveram aumentos em relação a agosto de 12,73% e 15,32%, respectivamente. Os fertilizantes em Goiás no mês de setembro estão 27,7% mais caros quando comparado a setembro de 2009.

No mercado internacional a uréia teve a maior variação positiva. Em agosto, o preço médio de cotação no mercado internacional era de US$ 287 a tonelada, já em setembro as cotações fecharam em US$ 316,29 a tonelada, uma variação de pouco mais de 10%. Nesse momento, as cotações estão ainda maiores chegando a superar 11% em relação ao fechamento de setembro. As demais matérias-primas também tiveram variação positiva nos principais terminais internacionais, o DAP 8,6%, o MAP 3,7% e a amônia 9,7%. O potássio foi o único produto que praticamente se manteve estável de agosto a setembro, porém, nesse momento as cotações evidenciam alta. Apesar da baixa do dólar, na média geral, os preços no mercado externo aumentaram 6% em setembro, mês em que o dólar atingiu a menor cotação do ano no Brasil, R$ 1,72.

Mercado

O mercado de fertilizantes no Centro-Oeste ainda está sendo concluído enquanto que em outros Estados, como o Paraná, o mercado praticamente foi concluído. Em Goiás, segundo cálculos preliminares, acredita-se que o mercado tenha andado até a faixa dos 70%, os 30% restante serão liquidados pelos retardatários e pequenos produtores. Os produtores de Goiás apresentam o perfil de antecipação de compra, como de fato aconteceu, e os produtores que atrasaram a compra dos insumos por motivos de crédito ou por terem perfil de pequenos agricultores que esperam a chuva para comprar insumos e plantar, provoca nesse momento aumento nos preços dos fretes devido à grande demanda nas fábricas, o chamado mercado do picadão. As usinas sucroenergéticas continuam cotando e comprando para adubar a soqueira de modo a garantir produção para a próxima safra e minimizar os problemas de produtividade causados pela seca prolongada.

Nos dados de troca de fertilizantes por produtos no mês de setembro, os destaques foram novamente o algodão e o milho. Foram necessárias 49,88 sacas de 60 quilos de milho para a compra de uma tonelada de fertilizante utilizado no plantio, uma variação de -22,5% relativo ao mês de agosto, quando foram necessárias 64 sacas por tonelada. Lembrando que no mês de julho, devido ao baixo preço do produto, eram necessárias mais de 80 sacas de produto para se comprar uma tonelada de fertilizante para o plantio. Para a soja, foram necessárias 23 sacas por tonelada, uma saca a menos em relação a agosto. O feijão e o arroz, produtos essenciais contidos na cesta básica, foram os únicos que tiveram variação positiva nos incides de troca. Foram 23 sacas de arroz para uma tonelada de fertilizantes e 10 sacas de feijão para uma tonelada de fertilizantes, variações de 1,16% e 3%, respectivamente. Para a cana-de-açúcar, depois da melhora no preço pago ao produtor, o valor foi um pouco menor em relação a agosto onde foram necessárias 23 toneladas da matéria-prima para se comprar uma tonelada de adubo.

A elevação dos preços dos insumos provocou um aumento médio de 5,4% nos custos de produção das principais culturas, um aumento de 7,7% em relação a agosto. O impacto da elevação dos preços de insumos, principalmente os fertilizantes, é evidente nos custos de produção já que respondem por pelo menos 30% do custo total. Os preços recebidos pelos produtores aumentaram e amenizaram em parte os impactos diretos nos custos de produção. Na média geral, os preços foram 17% maiores que os praticados em agosto, puxados principalmente pela elevação dos preços do milho (36,7%) e do algodão (32,1%). O aumento nos preços dos produtos agrícolas, especialmente das commodities, também provocou a alta nos preços dos insumos. Problemas de desembarque nos portos ainda é problema e tem encarecido o preço do frete, principalmente em decorrência do congestionamento para embarques de açúcar e tempo chuvoso no litoral. Nas distribuidoras locais o congestionamento também é notório e as entregas têm sido prejudicadas.

A previsão é de continuidade na elevação dos preços no mercado local visto o comportamento de preços no mercado internacional nesse momento.
Tags:
Fonte: FAEG

Nenhum comentário