Terras/Uruguai: Grande interesse motiva disparada de preços no país

Publicado em 25/10/2010 10:37
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A crescente demanda, sobretudo de estrangeiros, fez o preço da terra disparar no Uruguai. Dados do Ministério da Agricultura indicam que o valor médio do hectare subiu de US$ 386 em 2002, nível mais baixo da década passada e registrado em meio à grave crise econômica do país, para o recorde de US$ 2.650 alcançado no segundo trimestre de 2010. Isso representa uma alta acumulada de 587%.

O presidente do Instituto Nacional de Colonização, Andrés Berterreche, avalia que, por ser um país de dimensão reduzida - carinhosamente chamado pelo presidente José Mujica de "el paisito" -, a compra de grandes quantidades de terras "por cinco ou seis empresas" já pode transformar o Uruguai em um "oligopólio da produção". "Sempre fomos muito liberais na aquisição de terras, mas chega um momento em que isso põe em risco as atividades da agricultura familiar", afirmou Berterreche.

De 2000 a 2009, segundo o governo, foram comercializados 6,089 milhões de hectares - área que equivale a quase uma vez e meia o Estado do Rio de Janeiro. O senador Jorge Saravia estima que 25% da área agrícola do país é hoje controlada por estrangeiros. Argentinos e, em menor proporção, brasileiros aumentaram sua produção no Uruguai. O segmento florestal, com plantações de eucaliptos para novas fábricas de papel e celulose, é dominado por escandinavos e chilenos. Em 2005, por exemplo, essa frente respondeu por 42% das terras compradas.

Também houve uma explosão de preços no arrendamento de terras. O preço médio do hectare aumentou de US$ 28 em 2000 para mais de US$ 100 em 2009, mas os valores mais altos foram deixados para trás em 2008.

Para o presidente do INC, a alta demanda dos investidores fez os preços subirem e tornou mais difícil a missão do órgão, que é evitar a concentração de propriedade, de fomentar a agricultura familiar e ordenar a ocupação do espaço agrícola. "Na competição pela compra de terra, a relação é muito desigual entre o [orçamento do] INC e os fundos de investimentos e grandes empresas", concluiu Berterreche.
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Fonte: Valor Econômico

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