Mercado financeiro fica dividido após vitória de Dilma

Publicado em 01/11/2010 21:23
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Palocci aplaude Dilma: analista vê sinal positivo na presença do ex-ministro ao lado da eleita

A eleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República dividiu investidores e analistas do mercado financeiro nacional e internacional.

A questão central é se a petista conseguirá conter o ritmo de aumento de gastos públicos. No discurso após a vitória, Dilma afirmou: Faremos todos os esforços  pela melhoria da qualidade do gasto público [...] mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.

Alguns analistas receberam a frase como um sinal de que Dilma se esforçará para cortar gastos; outros entenderam o contrário.

Especialistas divididos

Leia a opinião de especialistas ouvidos pela imprensa internacional:

- [O Brasil] está caindo em uma política de afrouxo fiscal e aperto monetário, e eles [os brasileiros] precisam exatamente do oposto. Ricardo Hausmann, professor da Universidade Harvard, em declaração à Bloomberg.

- Na medida em que o Brasil dá continuidade aos fundamentos que Lula decretou, o País deve ficar bem. Ed Kuczma, da Van Eck Associates, em Nova York, à Bloomberg.

- A presença de Antonio Palocci ao lado de Dilma durante o discurso da petista foi um sinal importante de que o novo governo será responsável na questão fiscal. Silvio Campos Neto, do Banco Schahin, à Bloomberg.

- Os mercados reagiram bem às palavras [de Dilma], especialmente quando ela se pronunciou cuidadosamente sobre o assunto das despesas públicas. Fernando Mendes, da Lerosa Investimentos, em São Paulo, à Reuters.

- Até que Rousseff assuma o cargo em 1º de janeiro, os mercados ficarão atentos aos comentários dela sobre seus planos para nomear o ministério e outros postos chave [...] e avaliarão se esses nomes vão refletir mais a ala moderada ou desenvolvimentista do PT. Bret Rosen, do Standard Chartered Bank, ao site do Wall Street Journal.

Indicadores opostos

A variação dos indicadores do mercado financeiro também foi interpretada de modo diferente pelas agências Reuters e Bloomberg.

A empresa britânica de comunicação noticiou que o retorno dos títulos públicos brasileiros cai devido ao otimismo com Rousseff. Para a agência, Dilma prometeu controlar a inflação e pôr rédeas nos gastos públicos.

Já a Bloomberg selecionou outros dados fez uma interpretação completamente diversa: Profissionais do mercado estão apostando que a primeira presidente mulher do Brasil não vai conseguir cortar o déficit fiscal a ponto de conseguir baixar o suficiente a mais alta taxa de juros real do G-20.

Para chegar a essa conclusão, a agência nova-iorquina observou a variação dos contratos de juros futuros com vencimento em 2015, a 11,55% às 9h47 de Nova York, um nível que sugere que os investidores esperam que autoridades aumentem a taxa de juros em 0,75 ponto percentual nos próximos quatro anos, afirma a agência, em texto assinado por Matthew Bristow.

A mesma Bloomberg, no entanto, publicara 40 minutos antes outra reportagem contrariando esta. Analisando não os contratos para 2015, mas aqueles para 2012, os jornalistas Ye Xie e Josué Leonelobservaram que as taxas caíram para o menor nível desde 21 de outubro. Para os autores do texto,  Dilma prometeu controlar os gastos.

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Fonte: O Estado de S. Paulo

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