\"Bolsa Celular\": Bolsa Família será pago pelo celular

Publicado em 15/11/2010 18:12
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Caixa dará aparelho e minutos de uso aos beneficiários do programa federal para efetuar os pagamentos

Os beneficiários do programa Bolsa Família vão receber seu benefício pelo celular. A novidade está sendo avaliada por um grupo de trabalho criado pela Caixa Econômica Federal.
O serviço deverá ser implantado no início de 2011. Para isso, o telefone será equipado com um novo chip, que transformará o telefone em um cartão de pagamento.
Folha apurou que o "Bolsa Celular" será o primeiro passo da Caixa rumo à prestação de serviços de telefonia, um mercado aberto recentemente pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
As novas regras da agência permitem que qualquer empresa se associe às operadoras móveis do mercado usando a infraestrutura delas para prestar serviços de telefonia diretamente a seus clientes. Por isso, as interessadas foram batizadas de "teles virtuais".
A Anatel permitirá que os bancos escolham dois caminhos. No primeiro, as instituições comprarão no atacado milhões de minutos das teles e depois venderão (ou repassarão como prêmio) aos clientes. Na segunda opção, alugam a rede da operadora e prestam o serviço.

PROJETOS PARA 2011
No início deste mês, a Folha revelou que BB, Bradesco, Itaú e Santander já estão com projetos em andamento para 2011. Com isso, deve ocorrer a massificação do uso do celular como cartões de débito e crédito, uma mudança nas formas de pagamento eletrônico no país.
Esse sistema funcionará como a recarga de um celular pré-pago. Para carregar o celular de dinheiro bastará fazer transferências da conta corrente via internet, agência, caixa eletrônico ou pela central de atendimento.
A Caixa já começou a fechar sua estratégia de atuação e teria decidido iniciá-la atendendo as 12,3 milhões de famílias do Bolsa Família. Futuramente, haverá outros serviços via celular a todos os correntistas do banco.
Com o serviço, não mudaria a gestão do Bolsa Família, dividida entre municípios, Estados e União. A diferença seria a transferência de valores pela Caixa para o celular do beneficiário.
Ainda não se sabe quanto a instituição terá de investir nesse serviço. Isso porque ele exigirá a oferta de celulares e minutos gratuitos.
Mas, segundo apurou a Folha, esse custo será muito menor do que levar agências ou caixas eletrônicos às localidades descobertas.

BANCO MÓVEL
Atualmente, boa parte dos beneficiários do programa vive em localidades onde não existe agência da CEF, tampouco caixas eletrônicos que aceitem o cartão Bolsa Família para saques.
Na telefonia, há cobertura de celular em quase todos os municípios. Onde falta, ela chegará até o final deste ano.
Com a possibilidade de virar uma "tele virtual", a CEF e outros bancos chegarão -via celular- em locais onde não há agências.
Os novos chips que equiparão celulares, máquinas de débito e caixas eletrônicos "conversarão" entre si e já começaram a ser trocados pelas empresas responsáveis pelas máquinas de cartões.
Bastará aproximar o celular desses terminais e efetuar pagamentos ou saques.
O caixa de um banco concorrente também poderia liberar o dinheiro (cobrando uma taxa por isso), como fazem hoje os caixas 24 horas. Para isso, os bancos ainda precisam fechar acordos. O crédito seria transferido via celular para o banco concorrente automaticamente.
Nos estabelecimentos comerciais, as máquinas de débito também aceitarão o celular como pagamento. Onde não existe máquina, poderá ocorrer uma transferência de créditos entre celulares.

NOVAS BARREIRAS
O único problema para que o uso do celular como forma de pagamento avance no país é a pressão que as teles estão fazendo na Anatel para que os interessados em prestar serviços de telefonia a seus clientes sejam obrigados a se associar a somente uma operadora.
A proposta inicial dava liberdade para que uma companhia se associasse a quantas operadoras quisesse. Na semana passada, um conselheiro da Anatel pediu vistas e paralisou o processo.
Na avaliação de especialistas, a exclusividade das operadoras poderá levar o serviço ao fracasso.
Isso porque, em sua maioria, os correntistas de um banco já têm um celular. Associar-se a somente uma operadora poderia levar o cliente a mudar de banco só para ter o serviço, caso sua operadora fosse diferente daquela com que o banco fechou contrato.
Esse modelo também traria problemas de cobertura, já que existem localidades atendidas hoje por somente uma operadora -e que possuem mais de um banco.
Consultada, a Caixa não confirmou a informação.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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