Tombini no BC e Miriam Belchior no Planejamento fecham equipe econômica

Publicado em 24/11/2010 05:54 317 exibições
A presidente eleita, Dilma Rousseff, vai anunciar oficialmente amanhã os primeiros nomes de seu ministério; convites para a área econômica foram deflagrados a partir da permanência do petista Guido Mantega no Ministério da Fazenda

Sem ter falado com o atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a presidente eleita, Dilma Rousseff, escolheu nesta terça-feira, 23, para o comando do Banco Central (BC) o economista Alexandre Tombini, atual diretor de Normas da instituição. Também foi definido que Miriam Belchior, assessora especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), assumirá o Ministério do Planejamento. 

Depois das duas definições desta terça, Dilma decidiu anunciar na quarta-feira os três primeiros nomes da equipe econômica: além de Tombini e Miriam Belchior, que substituirá Paulo Bernardo, fará a confirmação oficial da escolha de Guido Mantega para a pasta da Fazenda. A presidente quis fazer o anúncio antes de participar ao lado de Lula, amanhã, em Georgetown (Guiana), da cúpula da Unasul (União de Nações Sul-americanas). 

Histórico 

Antes de se tornar funcionário de carreira do Banco Central, Tombini foi coordenador de análise internacional do Ministério da Fazenda e assessor especial da Casa Civil no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). 

Ele já havia sido cotado para a presidência do BC em março deste ano, quando Meirelles cogitou sair do banco para disputar as eleições de outubro passado. 

Tombini serviu no governo FHC e Meirelles chegou ao BC no primeiro mandato do governo Lula, em 2003, depois de ser eleito o deputado federal mais votado pelo PSDB de Goiás. 

O Estado antecipou em sua edição do dia 6 de novembro que Meirelles não ficaria no BC. No dia 12, Mantega também foi apresentado como o novo ministro da Fazenda.

Fator Mantega

A escolha de Tombini foi dada como certa no início da tarde de terça, depois de uma longa reunião da presidente Dilma com o ministro Mantega na Granja do Torto. Além da presença de Mantega reforçar a condição do ministro como chefe da equipe econômica da presidente eleita, Dilma fez a escolha do novo presidente do Banco Central sem ter feito a prometida reunião com Meirelles.

Dilma havia dito que anunciaria o ministério em blocos e que a equipe econômica seria a primeira a ser escolhida. Ao escolher Mantega, sem definir o futuro de Meirelles, o presidente do BC fez questão de, em conversas reservadas, avaliar que não aceitaria permanecer no cargo se a instituição perdesse a autonomia funcional que ele teve ao longo dos dois mandatos do presidente Lula (2003-2010).

Apesar de ter ficado irritada com as avaliações de Meirelles, Dilma mandou seus assessores da equipe de transição dizer que queria uma conversa, para esta semana, com o presidente do BC. Ficou claro, porém, que Meirelles não ficaria no comando do banco. Alguns assessores admitiam, porém, que ele poderia ser escolhido para um ministério que lhe desse projeção política e eleitoral. Nos bastidores, o próprio Meirelles disse a interlocutores na terça que aguardaria sua conversa com Dilma para avaliar a permanência no futuro governo em uma outra pasta.

Amigos próximos ouviram do presidente do Banco Central que ele deixa o cargo com o sentimento de ter feito um trabalho sólido durante os oito anos do governo Lula, comparando-se a "um bom jogador que deixa o campo em forma".

Cautela

A presidente eleita chegou a ser aconselhada a não criar nenhum padrão de confronto com Meirelles, evitando assim que houvesse uma rejeição política ao convite. Caso ela aprofundasse a polêmica em torno da autonomia do BC, isso poderia reforçar a ideia de que o substituto de Meirelles aceitaria o cargo e também uma tutela maior de Dilma e Mantega sobre a instituição.

Futura ministra é antiga aliada do PT no ABC paulista

Miriam participou do governo de Santo André, na gestão de Celso Daniel, com quem foi casada por dez anos


Convidada para ocupar o Ministério do Planejamento no próximo governo, Miriam Belchior, de 52 anos, é uma antiga aliada do Planalto. Foi na transição, em 2002, que ela estreitou os laços com o presidente Lula e Dilma Rousseff. Formada em Engenharia de Alimentos pela Unicamp e com mestrado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas, Miriam é oriunda dos movimentos sociais e do PT no ABC paulista.

No Planalto, atuou na unificação dos programas de transferência de renda, esteve cotada para assumir a Casa Civil com a saída de Dilma e, nos últimos meses, coordenou as ações do PAC.

Em Santo André, Miriam participou do governo do prefeito Celso Daniel, assassinado em 2002, com quem foi casada por dez anos. Ela chefiou as secretarias de Administração e Moradia, além de coordenar a área social. Também tornou-se amiga pessoal de Gilberto Carvalho. O nome de Miriam é uma das apostas do grupo de Carvalho e do próprio Lula para disputar a prefeitura de Santo André em 2012.

Auxiliares do Planalto avaliam que o impacto da morte de Celso Daniel e a repercussão de um suposto esquema de corrupção na prefeitura para alimentar o PT impediram que Miriam ocupasse cargos de destaque no governo Lula. Uma das auxiliares mais próximas do presidente, ela sempre atuou de forma reservada e discreta, ainda que em trabalhos considerados importantes por Lula. Com a queda de Erenice Guerra da Casa Civil durante a campanha eleitoral, Mirian foi sondada para ocupar a pasta. Mas permaneceu no cargo de assessora para evitar que o caso Celso Daniel viesse à tona.

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Fonte:
O Estado de S. Paulo

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