Produção de mel pode ter quebra de até 70% em regiões do RS

Publicado em 01/12/2010 08:33 209 exibições
Frio fora de época e previsão de estiagem são as principais causas da redução.
A produção de mel pode ter quebra de até 70% nesta safra em algumas regiões do Rio Grande do Sul. O frio fora de época e a previsão de estiagem durante o verão são as principais causas desta redução. Mas um outro fator preocupa os apicultores: o uso de agrotóxicos pode eliminar enxames.

Os apicultores Neusa e Dílson Carvalho de Souza ficaram decepcionados quando abriram as 24 caixas para fazer a primeira coleta de mel desta primavera. As colmeias de Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, não tinham produzido nada. O casal sabe que as ondas de frio fora de época são prejudiciais, mas não esperava uma perda tão grande.

– Um total descontrole, era calor de 30ºC e frio de 10ºC. No inverno a gente fecha as caixas e não pode abrir. Aí elas ficaram no calor. Recém que abrimos para melhorar a situação – explica a produtora.

São pelo menos 70 quilos de prejuízo. É a primeira vez que isso acontece desde que começaram na atividade, há seis anos.

– Nós já chegamos a tirar 200 quilos. Desta vez não vamos tirar nem 100, nem 50. Não deu mesmo – lamenta ele.

Em todo o Rio Grande do Sul já são registradas perdas nesta safra de mel. O presidente da Associação Gaúcha de Apicultores, Nelson José Vuaden, acredita que os prejuízos passem de 30% só na região de Porto Alegre. No Vale do Rio Pardo, alguns produtores relatam uma quebra de até 70%.

– As abelhas estão com o ciclo atrasado. Numa região, num raio de 80 quilômetros de Porto Alegre, já tem confirmada uma quebra de safra que não está tendo colheita. Temos uma perspectiva de, no campo, onde a florada está mais atrasada, recuperarmos alguma coisa. Mas vamos esperar para fim de dezembro porque ninguém colheu ainda em quantidades. Muito pouco que foi colhido no Estado.

Segundo os especialistas, o tempo é o principal responsável pela redução na produtividade das colmeias. As ondas de frio entre setembro e novembro dificultaram o desenvolvimento das crias num momento em que as abelhas precisam de calor, e provocaram a morte de muitos enxames. Além disso, os dias de chuva e vento na primavera prejudicaram a florada e impediram o trabalho das operárias no campo. Agora a previsão de estiagem agrava a situação.

– As plantas não têm aquele crescimento normal e, na carência de água, elas não emitem as floradas normais, com bom potencial de nectar e pólen. Pior se for no outono, pois boa parte da produção vem dos bosques de eucalipto. Será realmente preocupante se vier esta estiagem – alerta o professor de agronomia da UFRGS, Aroni Sattler.

O professor lembra que há outros fatores que estão reduzindo os enxames. Quando as colmeias ficam em áreas próximas a lavouras de plantio direto, o uso de inseticidas e dessecantes pode prejudicar a atividade apícola, pois elimina abelhas e reduzem a vegetação nativa e diversificada que proporcionam boas quantidades de nutrientes.

– Acho que falta parceria mais efetiva entre o produtor de grãos e o apicultor. O apicultor, porque precisa dos cultivos para produzir mel e pólen. E o produtor, porque precisa de abelhas para fazer a polenização cruzada. Se houvesse esta parceira, a gente resolveria 70% a 80% dos problemas.

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Fonte:
Canal Rural

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