Dólar baixo segura preço de industrializados e evita estouro da meta

Publicado em 08/01/2011 06:09 471 exibições
O Brasil foi um dos líderes do crescimento mundial em 2010, mas a dianteira teve um preço: a inflação subiu, e o índice oficial, o IPCA, fechou o ano em 5,91%, maior patamar desde 2004 e acima do centro da meta do governo (4,5%), segundo o IBGE.
O índice só não foi maior porque o dólar baixo segurou preços de produtos industrializados, importados ou com insumos e similares fabricados no exterior -como eletroeletrônicos e veículos.
"Não fosse o câmbio, a inflação teria estourado até a banda superior da meta [6,5%, com intervalo de tolerância de dois pontos]", diz Luiz Roberto Cunha, economista da PUC-RJ.
Diante da alta estimada de mais de 7% do PIB em 2010, o consumo aquecido impulsionou os preços, num cenário de emprego e renda em expansão. As maiores pressões vieram dos alimentos (10,39%) e dos serviços (7,6%, segundo consultorias). Em dezembro, porém, o IPCA se desacelerou graças à menor variação da alimentação e subiu 0,63% -abaixo dos 0,83% de novembro.
No caso dos alimentos, houve, adicionalmente, um choque de oferta provocado por intempéries climáticas no Brasil e em outros países, que puxou para cima commodities (soja, milho e trigo) e outros itens da cadeia.
Com isso subiram carnes, leite e pão francês.
Sozinhas, as carnes responderam por quase 10% da variação do IPCA, com alta de 29,64% em 2010. Os alimentos corresponderam a 40% -somados os serviços, o percentual chegou a 70%.
A alta das commodities e o maior consumo também fizeram subir a inflação de outros emergentes. Índia, Turquia e Rússia devem fechar o ano com inflação maior que a brasileira. Já México, África do Sul e China tendem a registrar índices menores.
"Mais emprego e mais renda se traduzem em mais consumo e aumento de preços", disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.
Vilões nos últimos anos, os alimentos seguraram a inflação nos primeiros anos pós-estabilidade -quando a indexação de tarifas e aluguéis ainda era muito forte.

FHC X LULA
No período FHC (1995-2002), o IPCA teve alta média anual de 9,24%. Nos anos Lula (2003-2010), de 5,79%.
"Os alimentos ajudaram a conter a inflação e os administrados davam o tom da inflação. Mas a indexação perdeu força e, em 2010, foram os administrados [alta de 3,5%] que impediram um avanço maior do IPCA, junto com o dólar", disse Santos.
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Fonte:
Folha de S. Paulo

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