Japão vive mais grave crise desde a 2ª Guerra Mundial

Publicado em 13/03/2011 10:03 e atualizado em 13/03/2011 10:41 1042 exibições
12 de março - O primeiro-ministro japonês Naoto Kan inspeciona os estragos do terremoto e tsumani na prefeitura de Miyagi. Foto: AFP

O primeiro-ministro japonês Naoto Kan inspeciona os estragos do terremoto e tsumani na prefeitura de Miyagi
Foto: AFP
O Japão vive sua mais grave crise desde a Segunda Guerra Mundial, declarou neste domingo o premiê Naoto Kan, dois dias após o mais potente terremoto registrado no país. Em entrevista coletiva, Kan pediu união aos cidadãos para enfrentar as consequências do grave terremoto.

Kan disse que a situação é "preocupante", ao mesmo tempo em que mostrou sua gratidão e "respeito" pela calma com que a população japonesa enfrentou o terremoto, que com 9 graus de magnitude foi um dos mais graves da história. "Não será fácil, mas superaremos esta crise, como fizemos no passado", assegurou o chefe do governo japonês.

"Considero a situação atual, de certa forma, como a mais grave crise que enfrentamos nos últimos 65 anos", disse. Segundo Naoto Kan, 12 mil pessoas foram resgatadas nas zonas sinistradas do litoral do Pacífico, onde os mortos e desaparecidos são contados aos milhares.

O país enfrenta cortes de eletricidade em grande escala após o sismo de 9 graus, seguido de tsunami e de uma tragédia que acarretou a paralisação de várias usinas nucleares.

O premiê japonês Naoto Kan declarou ainda que a situação ainda é muito grave na usina nuclear de Fukushima.

ONG: combustível usado em reator 3 no Japão é muito tóxico

12 de março - O número de indivíduos expostos à radiação do terremoto que atingiu a usina nuclear em Fukushima, nordeste do Japão, pode chegar a 160. Foto: AFP

Indivíduos foram expostos à radiação após explosão no reator nº 1 da usina nuclear de Fukushima
Foto: AFP

O MOX, combustível utilizado na usina nuclear japonesa de Fukushima, que concentrava todas as preocupações neste domingo, é material particularmente tóxico, informou uma ONG francesa, a Rede Sair do Nuclear (Sortir du nucléaire, RSN).

O reator N°3 em particular, está exposto ao superaquecimento e funciona com o MOX ("mistura de óxidos") um combustível "extremamente perigoso que entra mais facilmente em fusão que os clássicos", diz a RSN.

Composto de urânio e de plutônio, provenientes de dejetos nucleares reciclados, o MOX é "bem mais reativo que os combustíveis padrões", explicou Jean-Marie Brom, engenheiro atômico, diretor de pesquisas no CNRS (organismo público de pesquisa), e que é, também, membro do RSN. "O plutônio, que não existe em estado natural, é veneno químico violento", explicou.

Segundo o RSN, sua "toxicidade é temível: basta inalar uma partícula para desenvolver câncer de pulmão". O Japão começou recentemente a utilizar o MOX para fazer funcionar suas usinas nucleares e previu, em 2008, ampliar progressivamente seu uso em 2011-2012. Um contrato de fornecimento de MOX foi feito com a empresa nuclear francês Areva.

Segundo operadores, na usina nuclear de Fukushima (a 250 km a nordeste de Tóquio) os sistemas de manutenção do nível líquido de resfriamento do reator N°3 estavam "em pane". O governo japonês chegou a prevenir que "não se pode excluir uma explosão", como a de sábado no reator N°1 da mesma central nuclear.

Governo japonês é criticado por lentidão em reagir em usina

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, recebeu críticas neste domingo (noite de sábado no Brasil) pela reação de seu governo, considerada muito lenta, após a explosão em uma usina nuclear afetada pelo terremoto de sexta-feira. "A forma de o governo dar informações dá o que pensar", avaliou o jornal mais importante do Japão, Yomiuri, em editorial.

Na usina Fukushima 1, uma explosão destruiu o teto e as paredes do local onde se encontrava o reator número 1, sem causar danos ao contêiner do reator. Segundo o Yomiuri, o governo levou cinco horas para fornecer todas as informações após a explosão, que provocou grande inquietação na população local.

O jornal de centro-esquerda Asahi Shimbun criticou a lentidão das autoridades em ampliar o perímetro de segurança ao redor da usina e ordenar a evacuação da população. O periódico Mainichi também criticou a operadora da usina, a Tokyo Electric Power (Tepco), pelas medidas insuficientes previstas neste tipo de acidente.

O sistema de refrigeração de outro reator da usina Fukushima 1 não funcionava e a operadora temia risco de explosão.

Vazamento nuclear força saída de 170 mil 

Segundo o correspondente da Folha, o acidente em consequência de tsunami leva pânico ao nordeste do Japão; governo nega risco, mas situação pode piorar

KimKyung-Hoon/Reuters
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Japoneses descansam em abrigo após fugirem de área de usina nuclear 

FABIANO MAISONNAVE
ENVIADO ESPECIAL AO JAPÃO 

Num dos piores acidentes nucleares da história, uma usina no norte do Japão liberou vapor de radiação, consequência do terremoto e do tsunami que atingiram o país anteontem.
Cerca de 170 mil pessoas tiveram de ser removidas de regiões próximas à usina Fukushima 1, noroeste do país. Numa escala de 1 a 7, o acidente atingiu nível 4.
Havia ontem o temor de que o acidente ainda piorasse, caso o combustível principal do reator vazasse.
Níveis de radiação foram identificados em nove pessoas, e há suspeitas sobre mais cerca de 150. O governo do Japão esforçou-se, no entanto, para dizer que a situação está sob controle. O vazamento foi decorrência do maior terremoto da história do país, de magnitude 8,9. O total de mortos confirmados é de 686, mas pode chegar a mais de 1.300.
Em uma cidade, Minamisanriku, há 9.500 pessoas desaparecidas. 

Seis reatores do país estão em emergência

O vazamento de radiação de proporções desconhecidas ocorrido ontem em um complexo nuclear da cidade de Fukushima (a 250 km de Tóquio) alcançou grau 4 em uma escala que vai de 1 a 7. 
Havia ontem grande temor de que o descontrole no complexo derretesse o combustível nuclear -o que ocasionaria um vazamento desastroso-, dada a rapidez com que a situação evoluiu.
Conforme as autoridades japonesas, na manhã de domingo (noite de sábado no Brasil), havia seis reatores em estado de emergência. Eles estavam em duas diferentes usinas do complexo de Fukushima -três na Unidade 1 e três na Daini. 
Depois da falha sequencial nos sistemas de resfriamento, técnicos apelaram para o bombeamento de água diretamente do mar na tentativa de conter a temperatura nas instalações. O processo, segundo especialistas, pode durar dias. 
Pelo menos nove pessoas tiveram a contaminação confirmada por meio de exames, de acordo com a Agência de Segurança Nuclear e Industrial do Japão. O número pode chegar a 160, segundo a mesma autoridade. 

EXPLOSÃO 
O problema começou com o tremor e o tsunami de anteontem, que afetaram o sistema de resfriamento daquele complexo (leia mais na página ao lado).
Por volta das 16h30 deste sábado (4h30 no horário de Brasília), houve uma explosão na Fukushima 1, provavelmente por causa de um aumento na pressão interna. 
Uma grande nuvem de vapor radioativo foi libertada, e parte do prédio ruiu. Quatro funcionários ficaram feridos. Mas o reator, que fica sob uma capa de aço com espessura de 15 centímetros, não ficou danificado.
No informe feito à AIEA, Tóquio destacou que os níveis de radiação no entorno da planta nuclear tinham diminuído nas últimas horas. Mesmo assim, cerca de 170 mil pessoas foram retiradas de uma área até 20 km distante do complexo. 
Essas pessoas receberam pílulas de iodo do governo japonês -a substância protege a glândula tireoide e reduz o risco de câncer.
Mesmo antes do acidente, técnicos já haviam detectado um vazamento de césio, mas o governo o minimizou. Àquela altura, conforme técnicos, a planta liberava a cada hora a mesma quantidade de radiação que uma pessoa absorve em um ano.

TRANSTORNOS 
Novos tremores continuaram a assombrar os japoneses, no sábado. Muitos passaram o dia atentos aos alertas de tremores enviados para seus celulares. Foram ao menos 125 desde o megatremor de sexta-feira, sendo cinco com magnitude superior a 6 -o suficiente para provocar mais estragos-, de acordo com a agência de notícias Kyodo.
Em Tóquio, metrô e ruas ficaram mais vazios que o habitual, depois de o governo orientar a população a ficar em casa.
Os trens-bala que ligam a capital à zona mais atingida pelo tremor e pelo tsunami seguem fora de serviço.

Governo japonês nega comparações com Chernobyl

 Naoto Kan, primeiro ministro do Japão, afirmou hoje em pronuciamento que o problema que o país vem enfrentando com o vazamento na usina nuclear Fukushima Daiichi não pode ser comparado ao acidente de Chernobyl, de 1986. Embora tenha havido vazamento de radiação, as proporções não são de grande escala. "É fundamentalmente diferente do acidente de Chernobyl. Estamos trabalhando para prevenir danos com propagação." 

Kim Kyung-Hoon/Reuters
Kim Kyung-Hoon/Reuters
Oficiais em área próxima à usina Fukushima Daiichi

             

Mais cedo, a agência japonesa de segurança nuclear reportou emergência em um segundo reator localizado na mesma usina atômica onde mais cedo ocorreu uma explosão. Segundo a Agência de Segurança Nuclear a Industrial do Japão, a unidade 3 da usina teve falhas em seu sistema de resfriamento. As informações foram recebidas da Tokyo Electric, que opera a usina.

O reator número 1 da Fukushima Daiichi, no nordeste do Japão, liberou radiação neste sábado após um forte terremoto e do tsunami no nordeste do Japão na sexta, que danificou o sistema de refrigeração. O operador foi forçado a liberar pressão que se tinha acumulado no reator. Uma explosão foi registrada.

De acordo com a BBC, cerca de 200 mil pessoas estão sendo retiradas das regiões próximas às duas usinas nucleares no Japão. Apesar de o governo ter afirmado que não há risco de vazamento nuclear, já que o reator principal não foi danificado, autoridades estão retirando os cerca de 170 mil moradores que vivem em um raio de 20 quilômetros da usina.

Segundo a TV japonesa NHK, três pessoas estão sob tratamento médico por terem sido expostas à radiação. Eles foram escolhidos aleatoriamente entre 90 pessoas para serem testadas. O grupo estava esperando em uma escola, para ser resgatado por um helicóptero. Elas não apresentam sintomas de radiação, segundo fontes médicas.

Autoridades japoneses classificaram o acidente em Fukushima Daiichi como de nível 4, ou seja, "com consequências locais". Na escala, que vai de 0 a 7, o desastre de Chernobyl, ocorrido na Ucrânica em 1996, foi qualificado como de nível 7.


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Fonte:
Terra.com.br/Veja/Folha/Estadão

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