Indústria de rações cresceu mais de 5% em 2010

Publicado em 23/03/2011 08:22 397 exibições
A produção da indústria de alimentação animal no Brasil registrou incremento de 5,3% em 2010 em relação ao ano anterior. De janeiro a dezembro de 2010, foram produzidas 61,4 milhões de toneladas de rações, de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) e mais 2,15 milhões de toneladas de sal mineral. No total, durante o período, cerca de R$ 33 bilhões foram movimentados somente em matérias-primas (excluídos os custos com embalagens, frete e margens).

De acordo com Ariovaldo Zani, vice-presidente executivo do Sindirações, apesar da economia global ameaçada por mais um ciclo inflacionário, os produtores pecuários mantiveram os investimentos na produção, por meio da implementação das soluções tecnológicas contemporâneas (uso de aditivos alimentares, nutrição de precisão, inseminação artificial, melhoramento genético, etc.).

CONSUMO DE RAÇÃO/2010 E ESTIMATIVA DE DEMANDA/2011

Apesar de contar com estoque suficiente para abastecimento do consumo local e atender as exportações, a curva de preço do milho no Brasil mantém tendência de alta desde julho. Essa alavancagem ganhou força principalmente por fatores de origem externa como quebra da safra de trigo por problemas climáticos na Rússia; o estoque de passagem dos cereais que tem caído ano a ano; a demanda da China que em alguns anos se tornará um grande importador de milho; as previsões alarmistas da FAO para uma explosão demográfica e consumo crescente até 2050; e o forte movimento especulativo de investidores que buscaram ativos confiáveis e rentáveis no mercado futuro.

Segundo Zani, no mercado doméstico a curva crescente do preço do milho comprometeu os elos interligados da cadeia de produção, do criador ao consumidor. “Essa demasiada pressão poderia ter sido mais desastrosa, caso tivesse causado descompasso suficiente para inibição da demanda, uma vez que a capacidade de compra do consumidor foi testada no ponto de varejo e determinou seu índice de fidelidade a determinado produto ou alternativamente a substituição dele”, aponta.

AVICULTURA DE CORTE
A avicultura de corte manteve crescimento vigoroso, acrescentou quase 9% em 2010 e consumiu mais de 30 milhões de toneladas de ração. A sobrevalorização da moeda local inibiu a quantidade de carne de frango exportada que alcançou menos de 5% e somou 3,8 milhões de toneladas com receita de U$ 6,8 bilhões. A carne de frango ancorou-se na forte valorização da arroba do boi que apresentou alta de 39% no ano, todavia a rentabilidade do produtor foi em parte comprometida pelo custo da ração que aumentou significativamente. A demanda per capita por frango no Brasil atingiu 43,5 kg em 2010 em resposta ao saldo da produção de 12,3 milhões de toneladas.

Para 2011 os produtores e exportadores projetam crescimento da ordem de 3 a 5%, ou 12,9 milhões de toneladas. A CONAB vislumbra alojamento de 6,5 bilhões de pintos de corte. O Sindirações estima consumo de 31,8 milhões de toneladas de ração.

AVICULTURA DE POSTURA
O consumo de ração para poedeiras permaneceu estável e alcançou pouco mais de 4,8 milhões de toneladas em 2010, frente ao alojamento de 78 milhões de pintainhas de postura (plantel alojado em 2009 supostamente subestimado). A alta do milho e do farelo de soja para alimentação das poedeiras prejudicou a rentabilidade do produtor, já que o preço médio do ovo registrou o menor valor desde 2007.

As previsões para 2011 seguem com cautela, uma vez que o plantel de poedeiras é 29% maior e os custos de produção continuam bastante elevados. O Sindirações ainda estima crescimento da ordem de 3% capaz de alcançar 4,98 milhões de toneladas de ração.

BOVINOCULTURA DE CORTE
O setor de alimentação animal para bovinos de corte compensou as perdas acumuladas em 2009 e produziu pouco mais de 2,5 milhões de toneladas com crescimento de 6,8% em 2010. A partir de Julho houve melhora na relação de troca entre boi gordo e bezerro, porém abaixo do ideal. A produção alcançou 9,15 milhões de toneladas e as exportações de carne bovina in natura renderam U$ 4,8 bilhões e os embarques seguiram estabilidade atingindo 1,8 milhão de toneladas.

A matança de vacas em anos anteriores, a queda na taxa de confinamento, a restrita oferta de boi gordo por conta da longa estiagem, o descompasso nas relações comerciais entre bezerreiros, produtores, confinadores, frigoríficos e varejo, o consumo interno em ascensão e a retomada das exportações retro alimentaram o ciclo virtuoso de reajustes e alavancaram a arroba que superou a barreira dos R$ 100,00 no pico da entressafra.

A previsão para 2011 é de crescimento de 2,5% no rebanho e de 1,5% nos abates, com preço da arroba firme e acima dos R$ 90,00 ao longo do ano, apesar da aproximação da inversão do ciclo pecuário. O Sindirações estima crescimento de 7% no consumo de ração que pode alcançar 2,7 milhões de toneladas.

BOVINOCULTURA DE LEITE
Apesar do crescimento de quase 5% o consumo de 4,6 milhões de toneladas de ração para bovinocultura leiteira em 2010 foi insuficiente para compensar a queda apurada no ano anterior. Além do crescimento de 5% na produção que superou 30 bilhões de litros, o comportamento dos preços do leite durante o ano foi atípico e caiu mesmo na entressafra. A longa estiagem reservou pasto de baixa qualidade que exigiu maior uso de rações e concentrados inflacionados pelos custos do milho e farelo de soja que impactaram ainda mais o desempenho dos produtores leiteiros.

Para 2011 espera-se um aumento de 4,5% na produção leiteira em resposta ao consumo doméstico, crescimento do PIB e demanda internacional. O Sindirações estima produção de 4,9 milhões de toneladas de ração para gado leiteiro, ou seja, um crescimento de quase 6%.

SUINOCULTURA
Apesar do crescimento de 9% na receita das exportações a quantidade de carne suína exportada recuou e foi de apenas 540 mil toneladas. A produção, por sua vez, atingiu 3,2 milhões de toneladas e consumiu 15,4 milhões de toneladas de ração, em razão da estabilidade apurada no alojamento de matrizes industriais e de subsistência.

A abertura de novos mercados – Estados Unidos, União Européia e Coréia do Sul – pode devolver em 2011 patamares históricos de exportação da ordem de 600 mil toneladas. O mercado doméstico já consome quase 15 kg/capita e pode seguir crescendo. Já a estimativa do Sindirações é produzir 15,7 milhões de toneladas de ração para suínos durante 2011, ou seja, um crescimento modesto de 2%.

CÃES E GATOS
A produção de alimentos completos para cães e gatos cresceu 7% em 2010, registrando pouco mais de dois milhões de toneladas. O vigor doméstico da economia brasileira, fortemente correlacionado aos altos índices de confiança do consumidor cuja renda seguiu fortalecida, certamente contribuiu na recuperação do segmento, uma vez que 44% dos lares Brasileiros têm animais de companhia. Apesar da grande capacidade local instalada para produção, apenas 45% da população de cães e gatos do Brasil alimenta-se do produto industrializado. A pesada carga tributária que onera os produtos beira os 50% e continua a prejudicar o acesso de milhões de compradores à linha de consumo. O aumento mais contido da inclusão dos consumidores na classe média leva o Sindirações estimar crescimento de 2% e produção de 2,12 milhões de toneladas de alimentos para cães e gatos em 2011.

PEIXES E CAMARÕES

A demanda por ração para peixes em 2010 foi de 345 mil toneladas e crescimento de 15%. Já o consumo da carcinicultura incrementou 5% e consumiu 84 mil toneladas de rações. O consumo de organismos aquáticos alcança 7 kg/capita e a aqüicultura já representa 25% da produção de 1,2 milhão de toneladas de peixes, crustáceos, moluscos e outros organismos aquáticos. A produção brasileira pode alcançar 2 milhões de toneladas, alavancada pelo clima favorável, disponibilidade de água doce, extensão litorânea e milhões de hectares de áreas alagadas e reservatórios. O vigoroso e gradual desenvolvimento da aqüicultura compensará a diminuição da produção pesqueira que tem boa parte da sua atividade já explorada e esgotada. O Ministério da Pesca e Aqüicultura estabeleceu meta de aumentar consumo para 12 kg/capita. A estimativa do Sindirações é produzir 489 mil toneladas de rações para peixes e camarões, um crescimento de 14% em 2011.

PREVISÕES E CONSIDERAÇÕES PARA 2011

Na opinião do vice-presidente executivo do Sindirações, os preços das rações podem continuar pressionados pelo hipotético prejuízo conseqüente à ação das chuvas na colheita e transporte das safras de soja no Brasil e na Argentina, pela demanda da China e o crescimento de sua importação de milho e as previsões alarmistas da FAO para uma explosão demográfica e de consumo crescente até 2050. “É importante atentar também aos mercados agrícolas que devem continuar sofrendo com a extrema instabilidade provocada por investidores que retomaram o interesse pelas commodities por conta da farta liquidez global, pífio crescimento da economia e expansão monetária nos Estados Unidos, além dos sinais inflacionários na China”, ressalta.

O Sindirações avalia que produção brasileira de rações ao longo de 2011 vai depender principalmente do crescimento das indústrias produtoras de aves e suínos influenciadas pelo desempenho das exportações, já que o mercado doméstico apresenta níveis de consumo de carnes bastante semelhantes aos dos países desenvolvidos. “O setor de alimentação animal é bastante influenciado pelas decisões e capacidade de compra do consumidor e suas exigências em relação ao suprimento e segurança dos alimentos”, garante Zani. O Sindirações continuará a promover a sustentabilidade econômica, social e ambiental da cadeia de produção animal brasileira.

Zani ressalta que a missão do Sindirações é ser a voz da indústria de alimentação animal, construindo um ambiente competitivo adequado e colaborando para a produção do alimento seguro, defendendo a ética nos negócios, o comércio justo, a isonomia e eficiência regulatória, sempre tomando decisões baseadas em evidências científicas. “Seria oportuno que o Governo tomasse a iniciativa de controlar os gastos públicos a fim de permitir queda dos juros reais e diminuição da carga tributária para que o setor privado pudesse investir mais e o produto brasileiro ganhar mais competitividade no cenário internacional”, completa.

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Sindirações

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