PSDB na Câmara decide apoiar novo texto do Código Florestal

Publicado em 06/04/2011 09:29 477 exibições
do Blog de Reinaldo Azevedo (em Veja.com.br)


Por Reinaldo AzevedoBelo Monte: Cuidado! Daqui a pouco o Greenpeace, o Al “Bore”, o Bono Vox e a Marina Silva vão tomar conta do seu jardim!

Pau que dá em Chico também bate em Francisco, não é mesmo? Quando a Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão da OEA, condenou o Brasil “impondo-lhe”, imaginem!, a revisão da Lei da Anistia, um monte de petista esquerdopata do governo ficou feliz. Houve doido que chegou a dizer que o país estava “obrigado” a cumprir a determinação. Uau! A tal corte teria mais poder por aqui do que o STF! Agora, outro organismo da mesma OEA, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos — com poderes de acionar a corte, onde há julgamento de casos propriamente — resolveu enroscar com a usina de Belo Monte. E não é pouca coisa, não! A fazer tudo o que pede a tal comissão, será mais fácil, rápido e barato investir, sei lá, em energia espiritual!!!

O que quer a comissão?
- suspensão imediata do processo de licenciamento da usina;
- proibição da execução de qualquer obra na área (hoje, está proibido, diga-se);
- ampla consulta às “comunidades” envolvidas sobre o impacto ambiental;
- medidas para proteger a vida de povos indígenas que vivam isolados em áreas que podem ser afetadas pela usina;
- tradução para as várias línguas indígenas dos estudos de impacto ambiental para recomendar a tal “ampla consulta”.

E vai por aí. O Brasil considera ter cumprido boa parte desse roteiro já e considera que as exigência da comissão são descabidas. O problema é que, se as solicitações não forem atendidas, é quase certo que a comissão denuncie o país à Corte, onde ele seria, então, “julgado” por crimes contra os direitos humanos.

Eu já critiquei aqui uma penca de trapalhadas de Belo Monte, especialmente seu cipoal jurídico, que acabou, na prática, retirando os investimentos privados do empreendimento. É tudo grana estatal. O consórcio será um prestador de serviços bilionários, sim, mas prestador de serviço. O governo Lula, sob a supervisão de Dilma — que ainda não era a soberana silenciosa Dilminha — armou um troço hostil à iniciativa privada. Mas o assunto agora é outro.

O mundo sabe, está em alguma corte?, quantas plantas de usinas hidrelétricas, nucleares, termelétricas ou movidas a cocô do cavalo do bandido a China, a Rússia, a Índia ou qualquer país europeu está tocando nesse exato instante? Não se trata aqui de aderir ao lulismo botocudo que diria “se eles faiz, nóis também faiz; eu é que não se ajoelho nem  pro Papa”. Não é isso, não! Mas resta evidente que as acusações contra Belo Monte chegaram à Comissão por intermédio de ONGs que pretendem que o Brasil deva ser uma espécie de santuário do mundo, na certeza de que, sendo as nossas florestas um patrimônio da biodiversidade mundial, então todo mundo pode meter o bedelho, dizendo o que pode e o qe não pode ser feito. Aí não dá!

O mesmo se verifica, diga-se, em relação ao novo Código Florestal. Se aprovado, é certo que alguém vai se lembrar de denunciar o Brasil como o país que incentiva o desmatamento, embora se tenha aqui, de muito longe, com muitas léguas de distância, a MELHOR RELAÇÃO NO MUNDO entre tamanho da economia e preservação da natureza; entre produção agrícola e manutenção da cobertura vegetal original.

Acho que cuidados têm de ser tomados, sim! Mas isso que pede a comissão corresponde a fazer a usina voltar à estaca zero, como se nenhum estudo tivesse sido feito até agora , o que é falso. Uma coisa é a comissão se interessar pelo caso, solicitar informações etc, outra, muito diferente, é querer atuar como se fosse o braço de uma ordem global que já tivesse estabelecido, sei lá, um governo mundial.

Tomadas as devidas precauções e, para o meu gosto, com outros marcos regulatórios, o fato é que o Brasil precisa de Belo Monte — e não só dela. Sim, é necessário respeitar os índios que lá vivem, tentar convencê-los, compensá-los por eventuais perdas, sei lá o quê. Se, no entanto, eles se negarem a sair de uma área que será essencial para a construção da usina, o que vocês querem que eu diga? Terão de ser tirados de lá. Se vocês quiserem, lamento, choro, fico triste, porque sou um homem bom, como Marina Silva, mas terão de ser tirados. No limite, sou obrigado a lembrar que, tivessem eles vencido a batalha há uns 500 anos, a história seria diferente. Mas não venceram.

O Itamaraty diz ter recebido “com perplexidade” as recomendações. “O governo brasileiro está ciente dos desafios socioambientais que projetos como o da Usina Hidrelétrica de Belo Monte podem acarretar. Por essa razão, estão sendo observadas, com rigor absoluto, as normas cabíveis para que a construção leve em conta todos os aspectos sociais e ambientais envolvidos”, diz uma nota.

Pois é… Esse mundo “governado” por entidades não-governamentais que querem tomar o lugar dos governos — só dos eleitos, ne?, porque, nas ditaduras, elas não se criam — não é nada simples. Daqui a pouco, você não consegue nem mesmo cortar a grama do seu jardim sem pedir autorização ao Greenpeace, à WWF, à Fundação Ford, ao Al Bore, à Marina Silva e, claro!, ao Bono Vox!

Por Reinaldo Azevedo

Pois é… Quando foi para satanizar a Lei da Anistia e propor, na prática, a revanche contra o regime militar, os organismos da OEA foram transformados em vozes sagradas por setores do governo petista. Agora, a mesma OEA resolveu enroscar com a usina de Belo Monte. Vamos ver como os magos explicam que o organismo sirva para algumas coisas, mas não para outras.

Por Reinaldo Azevedo

Comissão do Senado, liderada pelo PT, aprova assalto ao nosso bolso para financiar eleições

Depois de aprovar o voto em lista, agora a comissão do Senado que discute a reforma política decidiu acatar o chamado financiamento público de campanha. Como se temia, por enquanto, a reforma que se vai propondo torna pior o que já é ruim. Oficialmente, o governo Dilma não apresentou proposta nenhuma. De fato, a verdade é outra: o PT domina essa comissão; isso é o que quer o Planalto.

Então ficamos assim: já sabemos que os valentes querem enfiar ainda mais a mão no nosso bolso para financiar um pleito cujos candidatos o povaréu desconhece. Não é mesmo fabuloso? O pretexto para o voto em lista é fortalecer os partidos. Huuummm… Com os Delúbios da vida, estarão, sem dúvida, mais fortes. O pretexto para o financiamento público é impedir que parlamentar atue como lobista de quem o financia. É truque! Nada impede que os candidatos façam caixa dois — aliás, ficarão até mais à vontade para fazê-lo porque não terão de prestar contas nem à legenda.

O distinto público já financia boa parte da atividade política via verba partidária, que sai dos cofres via orçamento e renúncia fiscal no caso do tempo gratuito nas TVs e rádios. Custa uns R$ 600 milhões por ano. A turma acha pouco. Barack Obama lançou ontem na Internet a sua candidatura à reeleição. Quer arrecadar junto aos eleitores a fábula de US$ 1 bilhão. Vai ver os Estados Unidos não são um bom exemplo de democracia para os petistas.

Na comissão, votaram contra essa proposta estúpida os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Aloysio Nunes (PSDB-SP), Fernando Collor (PTB-AL), Roberto Requião (PMDB-PR) e Francisco Dornelles (PP-RJ). Aécio chegou a dizer que o financiamento público seria positivo apenas no caso do voto em lista, mas duvida que a proposta seja aprovada. Está errado na primeira parte. Com lista, seria a soma de duas ruindades. Aloysio disse a coisa certa: nada impede que o caixa dois continue a existir.

Atenção! O voto em lista é mais difícil de ser aprovado do que o financiamento público, no qual o PT vai insistir. Que fique claro: se esse assalto ao seu bolso for consumado, terá sido por obra da pressão que os petistas vêm fazendo.

Por Reinaldo Azevedo

FMI admite controle de capitais

Por Denise Chrispim Marin, no Estadão:
Pela primeira vez em seus quase 70 anos de história, o Fundo Monetário Internacional (FMI) admitiu a adoção de controles de entrada de capital estrangeiro em um documento divulgado ontem, a dez dias do início de sua reunião anual de primavera. Mas o texto recomenda a adoção de medidas fiscais e monetárias antes de se levantar barreiras à entrada de capitais e defende cautela na adoção dos controles. As barreiras seriam o último recurso a ser usado por países emergentes. O representante brasileiro no FMI, Paulo Nogueira Batista, reagiu com irritação às recomendações, em um momento em que o Brasil enfrenta grande pressão no câmbio. “O FMI não tem conhecimento acumulado sobre o assunto”, disse. “O Brasil fará o que for preciso para conter o fluxo de dólares.”

O texto do FMI recomenda a adoção das medidas como último recurso. Ainda assim, seriam “ferramentas” a serem usadas em economias emergentes sujeitas à valorização de suas moedas e desde que não discriminem o investimento nacional do estrangeiro. O Brasil se enquadra na primeira categoria, mas não atende à segunda exigência. O estudo teve lançamento discreto, com uma entrevista por telefone de dois técnicos do FMI. Anunciado como o primeiro conjunto de regras sobre fluxos de capitais, o documento mostrou-se parcial, ao se concentrar nos países que recebem capitais e poupar as economias responsáveis pela geração dos recursos, como os EUA, de uma avaliação mais profunda. Entre os países receptores de capitais analisados - Brasil, Indonésia, Coreia do Sul, Peru, África do Sul, Tailândia e Turquia -, a China foi omitida sem explicações.

A aprovação dos textos ocorreu durante tumultuado debate da diretoria do FMI, em 21 de março, no qual parte dos presentes se opôs à sua divulgação. “A administração dos fluxos de capitais é uma área na qual, historicamente, o Fundo encontra dificuldade em alcançar claro consenso”, disse o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

O presidente da Vale, “eleito” por Dilma, presidirá?

Leia editorial do Estadão:
Escolhido para assumir a presidência da Vale, a maior companhia privada brasileira, o executivo Murilo Ferreira terá de atender a dois objetivos possivelmente incompatíveis - cuidar do crescimento da empresa e de sua rentabilidade e, ao mesmo tempo, agradar ao governo. Se for obediente à presidente Dilma Rousseff e aos políticos por ela autorizados a dar palpites, comprometerá o desempenho econômico da Vale e perderá a confiança dos acionistas privados. Se assumir a função como um preposto do Palácio do Planalto, acabará entrando no jogo do aparelhamento partidário e do empreguismo. Mas, se levar em conta só os critérios profissionais e se concentrar na gestão dos negócios, entrará em conflito com o Palácio do Planalto, ficará sujeito a pressões políticas e terá de lutar duramente, como lutou seu antecessor, Roger Agnelli, para não ser defenestrado. Poderá resistir até por muito tempo, mas a derrota será quase certa.

Ao escolher o nome do executivo Murilo Ferreira, os controladores da empresa levaram em conta esse duplo desafio. O administrador foi funcionário do grupo, presidiu a Vale Inco, no Canadá, e é conhecido no mercado. Ontem mesmo já houve manifestações de investidores a favor de seu nome. Além disso, ele presidiu a Albrás, empresa fabricante de alumínio e grande consumidora de eletricidade. Nessa condição, reuniu-se várias vezes com a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. Murilo Ferreira, segundo fontes confiáveis, era o nome preferido da presidente da República para a sucessão de Roger Agnelli.

O problema do novo presidente da Vale, no entanto, não consistirá apenas em manter um difícil equilíbrio entre as demandas do mundo político e as do mercado. Muitos empresários importantes são forçados, ocasionalmente, a levar em conta os dois tipos de interesse. Mas o caso da Vale é especial. Como empresa privada, cresceu firmemente, multiplicou seus lucros e alcançou posições cada vez mais importantes no mercado global. Alimentou o Tesouro Nacional com volumes crescentes de impostos e tornou-se um fator de enorme importância estratégica para o País. Sem a Vale, a economia brasileira seria muito menos dinâmica e as contas externas, muito menos seguras.

Em outras palavras, a Vale, tal como foi administrada a partir da privatização, assumiu um papel cada vez mais importante para a realização dos objetivos nacionais. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, parece desconhecer esse fato.

Segundo ele, a Vale “precisa contribuir mais fortemente para os interesses do País”. “A produção de aço no País”, acrescentou, “é conveniente, é necessária ao povo brasileiro e à sociedade.” Ele não explicou a diferença entre o povo brasileiro e a sociedade, mas esse pormenor é pouco relevante, no meio desse discurso lamentável. A produção de aço é importante, de fato, mas a siderurgia brasileira tem cumprido bem esse papel - e com sobras, porque há capacidade ociosa no setor.

O ministro parece ignorar também esse fato. Isso é compreensível. Reconduzido ao cargo por influência do senador José Sarney, ele deve preocupar-se com assuntos muito mais importantes, como a sujeição da Vale aos interesses políticos do Planalto e de seus aliados. O simples fato de o ministro Edison Lobão falar a respeito das obrigações da Vale é preocupante não só para os acionistas privados, mas para todos os brasileiros sérios. A ocupação do setor elétrico estatal pelo PMDB é fato bem conhecido. Outras estatais têm sido usadas, também, para servir aos aliados do governo. As consequências tornaram-se públicas, em alguns casos, depois da exibição de vídeos gravados durante sessões de bandalheiras.

Será esse o destino da Vale? A pergunta é mais que razoável, diante da experiência brasileira. Mas as perspectivas já são assustadoras, mesmo sem a hipótese da distribuição predatória de cargos. O governo quer forçar a companhia a investir segundo critérios voluntaristas - por exemplo, aumentando a capacidade ociosa do setor siderúrgico ou substituindo o Grupo Bertin no consórcio da Hidrelétrica de Belo Monte. Terá o novo presidente algo razoável para dizer sobre essas pretensões?

Por Reinaldo Azevedo

Temer se recusou a dar explicação sobre propina, afirma PF

Por Breno Costa, na Folha:
Investigado por envolvimento em um suposto caso de corrupção no porto de Santos, o vice-presidente Michel Temer não respondeu a dois ofícios enviados pela Polícia Federal no ano passado. A Folha revelou ontem que tramita um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal), desde 28 de fevereiro, em que Temer é investigado sob a acusação de receber propina de empresas detentoras de contratos da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), que administra o porto. Os pagamentos, segundo o inquérito, ocorreram na gestão de Marcelo de Azeredo (1995-1998), investigado conjuntamente com o vice, e indicado para o cargo pelo PMDB paulista. Os ofícios da PF pediam que o então presidente da Câmara prestasse esclarecimentos. No inquérito, consta um ofício datado de 7 de janeiro de 2010, assinado pelo delegado Cassio Nogueira, da PF em Santos, destinado a Temer. No documento, o delegado solicita que ele escolha dia, horário e local para prestar depoimento.

Diante da ausência de resposta, o pedido foi reiterado em 14 de julho, tendo como destinatário o gabinete da Presidência da Câmara. O pedido era o mesmo: Temer, pelas prerrogativas do cargo, poderia escolher quando e onde responderia às perguntas da polícia. O já candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff (PT) não respondeu nem acusou recebimento. No inquérito, não há a confirmação de recebimento dos ofícios. Diferentemente de uma intimação, o documento não é levado por um oficial de Justiça, mas sim enviado pelos Correios. Segundo despacho ao qual a Folha teve acesso no inquérito que corre no STF contra Temer, o delegado Nogueira escreveu à procuradora da República Juliana Mendes Daun insinuando que a ausência de respostas seria uma “manobra” para retardar as investigações. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Lula: palestras milionárias na Microsoft, no México e em Londres. Depois, ele encontra o penúltimo marxista

Na Folha. Comento rapidamente.
Com um discurso sobre educação no Brasil em evento da Microsoft, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura hoje em Washington uma série de palestras internacionais, que promete manter sua agenda cheia por um bom tempo. Será sua primeira fala remunerada no exterior desde que deixou a Presidência. Nos próximos dias, fará outras duas: na sexta-feira, em Acapulco, para a Associação dos Bancos do México; e na próxima semana, em Londres, para investidores em evento da Telefónica. O valor da remuneração que ele vai receber pela palestra nos EUA não foi revelado, mas deve ser superior ao cachê previsto para o Brasil (em torno de R$ 200 mil).

Lula chegou à capital americana ontem, em avião emprestado pela Coteminas. Pela manhã, se encontrou com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno. Os dois discutiram a possibilidade de ações comuns entre o órgão e o Instituto Lula. Um ponto de interesse é a aproximação do Brasil com a África. O ex-presidente almoçou com o embaixador do Brasil em Washington, Mauro Vieira, e pretendia passar a tarde revisando o discurso de hoje e passeando -queria ver as cerejeiras locais. Lula deve partir hoje mesmo para Acapulco e viajar para Londres na próxima terça. Na capital inglesa, além de fazer o discurso a investidores, o ex-presidente pretende se reunir com o historiador Eric Hobsbawm. Aqui

Comento
Vão me dizer que essa gente não é divertida? No caso de Lula, além de divertido, rico! Hobsbawm é um dos últimos marxistas sérios ainda vivo — ou melhor, um dos últimos marxistas “a sério” a sério ainda vivos. Para quem gosta de sutilezas, já está bom, né?

Depois se pegar seus milhares de dólares na Microsoft, no México e na Inglaterra,  o Apedeuta milionário vai se purificar com Hobsbawm. No fim de janeiro, o historiador inglês deu uma entrevista ao Guardian em que nos ofereceu esta pérola:
“Um bom exemplo é o Brasil, que tem um caso clássico de partido trabalhista nos moldes do fim do século 19 - baseado numa aliança de sindicatos, trabalhadores, pobres em geral, intelectuais e tipos diversos de esquerda - que gerou uma coalizão governista notável. E não se pode dizer que não seja bem-sucedida, após oito anos de governo e um presidente em final de mandato [a entrevista foi feita no final de 2010] com 80% de aprovação. Ideologicamente, hoje me sinto mais em casa na América Latina. É o único lugar no mundo em que as pessoas fazem política e falam dela na velha linguagem - a dos séculos 19 e 20, de socialismo, comunismo e marxismo”

É isto: Lula foi aos EUA, ao México e à Inglaterra falar de socialismo, comunismo e marxismo…

Por Reinaldo Azevedo

Pais e filhos

Algumas considerações prévias antes que vá à questão que me mobiliza neste momento.

Tenho sido muito insultado nestes dias pelos admiradores do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) porque classifiquei de boçais algumas de suas considerações. Tenho sido ainda mais insultado pelos seus detratores porque defendo que ele tem o direito de fazê-las. Já expus, inclusive, a questão de natureza jurídica a que, entendo, o caso é pertinente. Parece-me inequívoco, fora de qualquer dúvida, que ou se pune Bolsonaro por aquilo que disse, ou se respeita a Constituição, incluindo o dispositivo que garante a imunidade parlamentar. Silenciá-lo por força de qualquer coerção legal ou puni-lo seria uma violência. Isso não guarda qualquer relação com o conteúdo de suas afirmações; tampouco o desculpa pela facilidade com que  apela à truculência verbal para tentar calar o oponente. E, a propósito, uns e outros perdem seu tempo com os insultos. Eu não me intimido com essas coisas.

Afirmei, desde o primeiro dia, que há muito de cálculo em suas investidas, nessamise-en-scène de quem parece estar numa guerra, em que só um dos lados pode sobreviver. Ao optar por isso, talvez até amplie seu eleitorado, pouco importando se sua atuação obscurece ou esclarece os temas em debate. Eu, por exemplo, oponho-me à tal lei da homofobia porque a considero autoritária, não porque veja o risco iminente de “gayzição” do país ou do mundo, o que é de uma tolice espantosa. Se Bolsonaro entrasse numa máquina do tempo e fosse dar na Grécia (no sentido em que uma personagem de Chico Jabuti foi dar em Budapeste, naturalmente), talvez exclamasse: “Esses gregos estão  perdidos! Esse Sócrates é um veado! Vejam aonde nos levou a degeneração de costumes!”

Ouso dizer que, para ele, a aprovação da tal lei é até positiva porque pode dizer à sua grei: “Viram? Não falei que nossos inimigos não terríveis? Precisamos resistir! O exército homo avança!” No fim das contas, os militantes gays mais autoritários e os bolsonaristas juramentados se parecem: cada grupo fornece ao outro a sua razão de existir. Apelar, no entanto, ao Estado para calar o deputado é uma violência de natureza institucional que entendo incompatível com a democrata.

Que outra opinião será julgada “inaceitável” amanhã? E depois de amanhã? Quem se propõe a liderar a ditadura dos homens virtuosos? Tenham paciência! Agora ao tema.

Pais e filhos
Defendo o direito de Bolsonaro dizer o que diz — e até se encontram palavras pertinentes no seu discurso, como o repúdio àquele absurdo material didático —, mas é claro que algumas de suas opiniões me incomodam: são desinformadas, canhestras, até cruéis. De todas, a mais cretina, a que convoca para o embate não necessariamente a minha condição de pessoa que participa do debate público, mas a de pai (embora uma coisa não exclua a outra), é a sua certeza de que não há gays em famílias estruturadas. Nem é preciso recorrer à ciência ou à história para provar que ele está errado. Basta o empirismo mais chão:  quantos de nós não conhecemos homossexuais cujos irmãos são heterossexuais, todos criados sob o mesmo teto, na mesma esfera de amor ou desamor? É até possível que a maioria dos pais e mães de gays preferisse um filho heterossexual; alguns tantos em razão do preconceito; a maioria, quero crer, porque sabe que os filhos encontrarão dificuldades adicionais. E isso certamente gera preocupação, dor, apreensão. O juiz Bolsonaro, com toda a sua carga de desinformação, ligeireza e indelicadeza, aponta-lhes o dedo e diz: “Vocês são os culpados!” Não! Eles não são! Não há culpas a apurar.

Desde que sou pai, há algo além do prazer e, às vezes, do sofrimento de ser quem sou: as minhas filhas! Conheci o amor incondicional, não sem certa dor durante um tempo: enquanto esperávamos a segunda, perdia o sono porque temia não conseguir dividir com a mais nova aquele amor que descobrira. Vão me dizer piegas, eu sei, mas não me importo. Eu tinha errado de operação: nessas coisas, o amor não se divide; multiplica-se o imensurável. Sejam elas o que forem em sua vida afetiva, o fato é que serão o que são e o que sempre foram. Bolsonaro deveria falar menos e estudar mais. Sugerir que se dêem uns petelecos no “filho gayzinho” ofende a minha condição de pai. Um garoto ou uma garota nessa condição estará certamente sofrendo, lutando contra os próprios sentimentos, contra um ordenamento do mundo que, com efeito, lhe é hostil porque a maioria esmagadora é outra coisa. Ele sugere uns tapas. Eu sugiro um abraço.

Lastimo a sua pantomima ao tratar de assunto tão sério, dando asas àqueles que usam a sua pregação estúpida para flertar com leis autoritárias. Nesses 16 anos em que sou pai, o meu amor mais se exacerbou não quando elas exibiram vitórias, conquistas, quando foram bem-sucedidas, quando brilharam, quando tive a chance, em suma, de exibi-las à família e aos amigos: “Vejam como são inteligentes, bonitas, interessantes…” Meu afeto mais se extremou foi no insucesso, na derrota, no sofrimento, na contrariedade. Não sou como Bolsonaro; não dou receitas. Eu sugiro apenas: amem os seus filhos como são — e tentem lhes ensinar tudo aquilo que eles podem aprender — porque o amor, com efeito, também sabe ser severo. E a gente se torna aquilo que a gente é mais o que a gente aprende.

Não trato sem certa graça algumas mentes apocalípticas, certas de que alguém pode “decidir” ser gay e que, no caso, o ambiente tem um peso definitivo nessa “escolha”. Pergunta: eles próprios, então, não são gays porque escolheram não ser, mas poderiam,  pressionados pelo meio, mudar de orientação, é isso? Tanta gritaria poderia ser interpretada como medo de cair em tentação? Assim, quanto mais distantes ficassem os “degenerados”, mais protegidos se sentiriam? Entendo que um homossexual não se tonará hétero entre héteros — e também não me parece que possa acontecer o contrário. Qual é a tese? Todo mundo teria em si um gay reprimido pelas leis e pelos costumes, à espera de uma boa oportunidade? O próprio Bolsonaro, então, não é um deles porque, segundo a sua teoria, seu pai foi devidamente severo, mantendo-o longe de ambientes “promíscuos”? Numa outra circunstância, com uma família mais relaxada, o mundo teria assistido ao  desabrochar de uma Madame Satã de olhos azuis? Cuidado, deputado! Nem o senhor está livre da lógica. Se o meio faz o gay, então há um gay enrustido em cada indivíduo à espera do meio. Nem o gayzismo mais sectário defenderia tese tão delirante

O meio em que vivemos interfere, sim, em certas escolhas que fazemos, embora não determine a nossa vida de maneira nenhuma. Sigo a máxima de que pouco importa o que fizeram de nós, mas sim aquilo que fazemos do que fizeram de nós. Eu acredito na vontade, mas a sexualidade não está entre as questões que podem ser reguladas por ela, ainda que alguns lunáticos, manipulando teorias de quinta categoria e achismos, defendam “terapias” de correção de comportamento ou coisa parecida. Outros, ainda, apelam à religião. Que sejam livres para defender as suas teses, assim como sou para criticá-las.

Sou um pai, acho, bastante severo. Acredito, já disse, em disciplina e hierarquia. Mas o amor que está em mim me obriga a tentar ajudar as minhas filhas a serem felizes com os recursos e aptidões que têm, sendo quem são. Não me comporto, elas sabem disso, como um de seus amigos. Trata-se de esferas diferentes de afeto. Eles não podem lhes dizer certos “nãos” que eu digo porque sinto ser a minha obrigação — às vezes, é o que os filhos  esperam de nós; o “não” até os pacifica. Mas, por Deus!, se estiverem sofrendo, eu quero ser o amparo generoso. Estão além do meu prazer e da minha dor; além, inclusive, do que sonhei pra elas. Porque ninguém sonha a vida do outro. E um filho somos nós mesmos que nos fizemos um outro!

Por isso morremos.

Por isso viveremos para sempre!

Por Reinaldo Azevedo

As declarações de Marcelo Tas e de Luíza, sua filha

Eu não assisti ao programa CQC ontem. Leio no Estadão o que segue. Comento em seguida. Reitero: não vi o programa. Trato do que leio.

Por André Mascarenhas, no Estadão Online:
A estudante de direito Luíza Athayde, de 22 anos, teve sua orientação sexual exposta na TV, pelo próprio pai, mas não viu problema nisso. Pelo contrário, até o incentivou a fazê-lo. Homossexual assumida desde os 15 anos, Luíza é filha do apresentador Marcelo Tas, do CQC, e protagonizou, na noite desta segunda-feira, 5, mais um capítulo da novela envolvendo o deputado federal Jair Bolsonaro, acusado de racismo e homofobia por outros parlamentares e entidades da sociedade civil. Em entrevista ao Radar Político nesta terça-feira, 5, ela defendeu o direito de Bolsonaro em expor suas opiniões e criticou as tentativas de criminalizá-lo pelas declarações.

“Quanto mais pessoas como o Bolsonaro aparecem na mídia e falam essas coisas, e mais discussão tem com relação a esse assunto, melhor”, disse ela, após garantir ter sido mais fácil pra ela do que para pai a decisão de colocá-la no programa. “A reação das pessoas a essas coisas que ele [Bolsonaro] fala, superpreconceituosas, é a melhor forma de ter esse diálogo. É um diálogo super importante que não existe no Brasil. No Brasil, a gente tem essa postura de todo mundo falar que não tem preconceito contra nada, e ninguém discute nada. Agora, esse diálogo está começando a ser criado.”

Após veicular uma nova entrevista com Bolsonaro, na qual o deputado voltou a atacar os homossexuais, Tas usou sua filha como exemplo de que pais de gays e lésbicas podem conviver muito bem com a questão. “Esta pessoa que está aqui comigo se chama Luíza. Ela é minha filha”, disse Tas, ao fim da reportagem, com uma foto da filha nas mãos. “Essa foto foi feita em Washington, onde ela vive hoje. Ela ganhou uma bolsa para estudar na American University, é estagiária da Organização dos Estados Americanos. Ela é gay, e eu tenho muito orgulho de ser pai da Luíza. Tá certo deputado?”

Bolsonaro foi um dos assuntos mais comentados da semana passada após dizer, em resposta a uma pergunta da cantora Preta Gil, no CQC, que não correria o “risco” de um filho seu se apaixonar por uma mulher negra por ter lhes dado uma boa educação. Nesta segunda, o programa veiculou uma nova reportagem com o deputado, que voltou a carga contra os homossexuais. “Ninguém tem o prazer de ter um filho gay. Ou eu alguém tem?”, diz o deputado em um dos trechos da matéria.

A iniciativa de expor a orientação sexual de Luiza foi uma reação à atitude do parlamentar, que mostrou uma foto do cunhado negro para garantir não ter preconceito de raça.

Comento
Eis aí! Luíza não é, evidentemente, porta-voz dos gays nem a estou tratando como tal. É um indivíduo homossexual que demonstra ser capaz de pensar além da sua condição sexual — porque essa é a obrigação de todo mundo. A informação de que ela mora e estuda nos EUA não deixa de ser importante: pátria do politicamente correto, Luíza sabe, no entanto, que seria impensável, naquele país tentar tolher , pela via legal, a liberdade de expressão, por mais boçalidades que a pessoa diga.

Não pretendo usar o caso de Luíza para calar aqueles que divergem dela e pedem punição ao deputado. Não é isso, não! Mas, como vêem,  há os gays que acreditam, a exemplo dela, que a discriminação existe —  e quem há de negá-lo? — e que seu combate deve se dar num ambiente de liberdade.

O testemunho de Tas é relevante porque serve como contestação efetiva, clara, inequívoca às opiniões de Bolsonaro: é pai de uma moça homossexual e se diz muito orgulhoso disso, coisa que o outro, em tese, considera impossível. Noto que Tas destaca as qualidades intelectuais da jovem, que parecem inegáveis. Ainda que ela não as tivesse, considero que, sem abrir mão de educar, de coibir os excessos, de tentar dizer o que considera certo e errado — filhos esperam isso —, a única coisa decente que um pai tem a fazer é amar seus filhos: héteros ou não, inteligentes ou não, capazes ou não.  Em grande medida, nós os escolhemos, mas não eles a nós.

O fato de Bolsonaro combater, por exemplo, a lei da homofobia por maus motivos não torna a lei boa em si; o fato de grupos organizados fazerem uma crítica de natureza autoritária ao que ele diz não torna boas algumas de suas opiniões absurdas. A questão central está em não ferir princípios constitucionais, que organizam uma sociedade democrática, porque alguém, no uso dessas prerrogativas, diz tolices.

Por Reinaldo Azevedo

Autoritarismo gay reúne 72 mil assinaturas, mas só 100 na praça

O Estadão dá com enorme destaque na sua homepage o seguinte título: “Quase 72 mil assinam petição contra Bolsonaro”. Parece uma massa gigantesca. No protesto convocado na Cinelândia, apareceram 100 pessoas. Cada um faça a petição que quiser. É do jogo democrático. Aquela para o Chico Buarque devolver o Jabuti (hoje, ele teria de devolver dois) reuniu 100 mil pessoas num estalar de dedos. Depois os esquerdopatas começaram a pichar a petição, e a coisa parou.  Petição online é petição online, não é?

O texto tem aspectos curiosos. Informa que 250 pessoas foram assassinadas no Brasil  no ano passado só por serem gays — não informa, nem teria como, como se chegou a essa constatação, que é falsa por uma penca de motivos de que não vou tratar agora. Se informarem a fonte, então debato o mérito. Mas dou uma pista: sem a identificação da autoria dos assassinatos, como saber a causa?

A petição deixa claro que o objetivo é “mobilizar a sociedade” para aprovar a tal lei que combate a homofobia. Ah, bom! Como afirmei no primeiro dia, as declarações destrambelhadas de Bolsonaro eram a melhor propaganda possível dessa estrovenga autoritária.

O texto da petição tem alguns mimos retóricos como este:
“Face ao crescimento dramático dos ataques e assassinatos de cidadãs e cidadãos LGBT brasileiros, precisamos de seu apoio imediato para aprovar a lei anti-homofobia (PLC 122/2006), assegurando a todos e todas as brasileiras e brasileiros a proteção igualitária perante a lei”.

O “crescimento dramático” está para ser provado. A “proteção igualitária” é falsa porque a lei se encarrega justamente de conferir uma proteção especial que, se exercida, tolhe o direito alheio à liberdade de expressão e à liberdade religiosa, por exemplo.

Segundo a petição, as idéias do deputado “não são uma questão de opinião pessoal, elas são perigosas (…) Enquanto já existem leis para proteger outras formas de discriminação, pessoas LGBT não têm nenhuma proteção legal. Vamos erguer nossas vozes mais alto que o Bolsonaro e mostrar que os brasileiros apóiam a lei anti-homofobia. Assine a petição agora.”

“Perigosas” costumam ser as idéias diferentes das nossas. A questão é saber se podemos proibi-las. Quanto ao mais, a afirmação é falsa: as “pessoas LGBT” gozam da proteção legal que cabe a todos os cidadãos. A expressão “pessoas LGBT”, diga-se, trai o desejo de ser uma categoria especial de brasileiros. Suponho que, então, a “pessoa hetero”, num dado momento, também possa reivindicar alguma lei para si…

Informa o Estadão:
“O presidente do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT do Rio, Claudio Nascimento, defendeu a cassação do mandato do deputado, classificado por ele de ‘Bolsonazi’. ‘Há uma confusão na sociedade de direito à opinião com incitação à violência. Sou negro e gay com muito orgulho. O Bolsonaro é o grande lixo humano, o que ele representa como projeto político precisa ser repudiado’, discursou.”

Eu não tenho a menor dúvida de que Cláudio foi aplaudido por aquela multidão de 100 pessoas e não tenho a menor dúvida, também, de que ele se considera bem mais democrático do que Bolsonaro. Com a ligeira diferença de que o deputado não apresentou nenhuma proposta para proibi-lo de falar na praça o que lhe der na veneta, mas ele está mobilizado para cassar o deputado.

Assim prossegue o circo brasileiro.

PS - Por mim, os gays casam, adotam crianças (sob certas condições), se elegem. Podem até ser idiotas, como quaisquer heterossexuais. Os militantes gays só não podem achar que receberam procuração divina para censurar aqueles de que discordam!

Por Reinaldo Azevedo

Bolsonaro contribuiu para que muita gente saísse do armário!

O caso Jair Bolsonaro (PP-RJ) contribuiu para que muita gente saísse do armário. Os gays? Não! Os autoritários amorosos! Serviu para que algumas cabeças coroadas da política e daquela tal “sociedade civil” dissessem o que realmente entendem por “liberdade de expressão”. Em muitos casos, essa liberdade, vemos agora, consistia no direito que o outro tem de dizer coisas consideradas aceitáveis e corretas. “Consideradas por quem?”, cara pálida? Ora, pelo consenso dos grupos militantes.

Atenção, hein!? Nem estou dizendo que sejam, necessariamente, maus consensos — em regra, sim!  Detestável é perceber que aqueles que o acusaram de intolerante, defendendo até a cassação do seu mandato, não são em nada diferentes não de Bolsonaro propriamente, mas daquilo de que o acusam.

“Ah, vejam o que este homem fala sobre o golpe militar!” É verdade! Algumas coisas são mesmo detestáveis. Mas olhem o que alguns dizem, por exemplo, sobre a VPR, a ALN, o MR-8… Qual é o ponto? Sua defesa do movimento militar de 1964, pretextando a salvação da democracia, faria dele um monstro, certo? Já a defesa que muitos de seus adversários fazem do terrorismo em nome da mesma democracia os transformaria em santos? Ora…

O Brasil aprovou uma Lei da Anistia não foi para desempatar a luta, não!, porque ela nem mesmo empatou. No confronto dos autoritarismos, ganhou o anticomunista. Aprovou-se uma Lei da Anistia — que não quer dizer “perdão” — para que o país aprendesse a conviver com as diferenças. E veio a democracia.

E, por causa dela, Bolsonaro pode dizer o que pensa, e os que o combatem são livres para dizer por que ele está errado em muita coisa — como, aliás, fez este escriba no primeiríssimo dia! — e, lamento pelos finórios!, certo em outras. A questão é saber se esses finórios não estão usando as batatadas do deputado como pretexto para calar o que há de correto na sua fala. O exemplo mais escandaloso é aquela barbaridade que o MEC preparou sobre a homofobia para distribuir nas escolas: aquilo não é material didático coisa nenhuma, mas peça militante, proselitismo, provocação!

Volto ao eixo! Os armários se abriram! Dia desses, Ophir Cavalcante, presidente da OAB,  insurgiu-se contra a proposta de instalar escutas telefônicas para monitorar a conversa entre os presos e seus advogados. Chamou de violação de direitos assegurados pela Constituição. E, posta a coisa daquela forma genérica, era mesmo! Quando menos, é necessário que se tenha algum indício de que o advogado atua como pombo-correio do crime e, de posse dessas evidências, solicitar a um juiz uma autorização. Ou, então, que se discuta uma lei específica segundo a qual os condenados pelos crimes A, B e C perdem o direito à conversa privada. Seria de difícil aprovação. Doutor Ophir estava certo em defender princípios da Constituição. Errado ele está quando emite uma nota em que, em vez de pedir uma apuração dos fatos no caso Bolsonaro, já anuncia uma sentença; errado ele está quando, no caso do Ficha Limpa, ignora dispositivos constitucionais alegando defesa da moralidade.

Relembro o que afirmei dia desses no seminário do Instituto Millenium sobre liberdade de expressão, pegando carona no pensamento de Ayn Rand: nas ditaduras, também é possível dizer “sim”. Só as democracias permitem que se diga “não”. E, com isso, não estou fazendo de Bolsonaro o paladino de um mundo melhor. Se pais de gays seguirem suas orientações e derem uns tabefes no filhos para corrigi-los, teremos um mundo pior. Defender o direito que ele tem de dizer suas tolices não significa concordar com elas. Não entender isso corresponde a não entender a essência do regime democrático.

É melhor que essa gente volte para o armário!

Por Reinaldo Azevedo

A palavra de um leitor homossexual

“Sherlock”, assim ele se identifica, é leitor habitual do blog. Destaco o seu comentário no post em que falo de Marcelo Tas e Luíza, sua filha.

Rei, deixei comentário no post anterior, mas acho que deveria ter postado neste…

Sou homossexual e subscrevo as palavras da Luíza. O Bolsonaro que diga o que bem entender. Ou agora todo mundo é obrigado a gostar de gays ou qualquer outra categoria que o politicamente correto nos obrigue?

Finalizando, mas não menos importante: se algum dia eu for agredido por ser homossexual (o que, espero, nunca aconteça), recorrerei à Justiça contra o agressor, mas não por ser homossexual, e sim porque a lei pune a agressão: contra héteros, gays, brancos ou negros.

Comento

Simples, objetivo, exato.

Por Reinaldo Azevedo
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Blog Reinaldo Azevedo (Veja)

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