Buenos Aires trava licenças para importação de maquinário agrícola brasileiro e atrai investimento de US$ 100 mi do Grupo Fiat

Publicado em 28/04/2011 08:53 278 exibições
A concorrência entre Brasil e Argentina no setor de máquinas agrícolas tende a ficar mais acirrada a partir de agora. O país portenho, que impôs novas restrições à entrada de maquinários e peças produzidas no Brasil no início deste ano, vai receber investimento de US$ 100 milhões da New Holland, que anunciou a construção de uma nova fábrica ampliando o complexo do Grupo Fiat em Córdoba, principal região produtora de grãos do país.

Na prática, a Argentina vai produzir novas máquinas para seus produtores. Não aceita mais que suas compras gerem empregos e impostos a outros países.

O Brasil ajuda a dobrar a indústria aos interesses argentinos. O investimento em Córdoba é um sinal de que o país continua perdendo competitividade, afirma Celso Casale, presidente da Câmara de Máquinas e Implemen-tos Agrí­colas da Associação Brasi-leira da Indústria de Máquinas e Equi­pamentos (Abimaq). Um dos principais motivos é o real desvalorizado, que torna o produto nacional mais caro no exterior.

“As empresas que se instalaram aqui enfrentam custo de produção local muito alto. Além disso, percebem que tem havido um descontrole do governo em relação ao câmbio e ao aumento de juros”, analisa Casale. O custo de produção de máquinas no Brasil é 40% maior do que nos Estados Unidos, conforme a Abimaq. “Muitas empresas estão cogitando abrir fábricas no Uruguai e Paraguai, onde os impostos são menores”, acrescenta.

Ao travar a emissão de licenças para importação – medida que bloqueia a compra de até 250 colheitadeiras e 750 tratores por mês –, a Argentina desacelera as exportações brasileiras. O país vizinho é o principal comprador externo das indústrias de máquinas agrícolas instaladas no Brasil. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Auto­motores (Anfavea), as exportações de colheitadeiras, tratores e retroescavadeiras caíram 10% só de fevereiro para março. A estimativa é nova redução de 5% nos embarques.

Enquanto as exportações brasileiras são reduzidas gradativamente, as importações de máquinas e implementos crescem, aponta o representante da Abimaq. Levantamento da entidade mostra que o país gastou US$ 33,4 milhões com compras desse segmento no mês passado, contra US$ 23 milhões registrados no mesmo período de 2010. Um salto, portanto, de 45%.

As restrições aos produtos brasileiros e os investimentos no país vizinho têm jogado cal sobre os planos de expansão das fábricas locais. Na semana passada, a Jonh Deere, outra gigante fabricante de máquinas, demitiu 230 funcionários da unidade de Horizontina, a 500 quilômetros de Porto Alegre (RS), alegando in­­segurança com o mercado argentino.

Por meio de sua assessoria, a New Holland garantiu que não fará demissões em nenhuma das fábricas do Brasil. Uma delas está instalada na Cidade Industrial de Curitiba (CIC) e conta com mais de 2,5 mil funcionários. O Sindi­cato dos Metalúrgicos pretende procurar a empresa na próxima semana para se certificar da situação.

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Fonte:
Gazeta do Povo

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