USP finaliza programa de melhoramento genético que aumenta ganhos de pecuaristas

Publicado em 06/05/2011 19:19 696 exibições

Com a técnica, o gado assume características interessantes ao criador

Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, realizaram uma pesquisa de mineração de dados junto à base do Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore (PMGRN), mantida pela Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP). Por meio dela, será possível aumentar a eficiência na identificação e rastreamento de animais com características genéticas interessantes aos criadores, como habilidade materna, maior crescimento, maior volume de massa muscular, período de crescimento mais curto, fertilidade e precocidade sexual.

O que difere a pesquisa, realizada pela professora Solange Oliveira Rezende, das anteriores é que esta transfere e disponibiliza seus resultados da universidade para o agronegócio, um dos principais pilares da economia brasileira. A pesquisa de Solange recebeu em abril o Prêmio Dr. Hélio Coelho de Mérito em Pesquisa e faz parte do programa de melhoramento genético da raça Nelore, que existe desde 1988, e é coordenado pelo professor Raysildo Barbosa Lôbo, do departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

Mineração de dados
Por meio da mineração dos dados , ou seja, o processo de exploração de grandes quantidades de dados à procura de padrões consistentes, o programa pode apoiar decisões relacionadas com perfil de animais mais interessantes às necessidades dos pecuaristas e consumidores, para iniciar o melhoramento genético do rebanho. O melhoramento genético é uma técnica que consiste na seleção e, posteriormente, na reprodução de animais com características desejáveis para tornar o rebanho mais apto aos interesses dos pecuaristas, por meio da prole dos animais selecionados.

Outra etapa da pesquisa foi a avaliação das forças de mercado que regem a comercialização de touros, que podem auxiliar o programa Nelore Brasil na gestão de relação com o cliente. Dentro desse contexto pesam alguns fatores como: ponto de venda (fazenda de origem), produto (touro), tipos do produto (categoria, variedade, idade) e qualidade do produto (perfil genético).

“A qualidade da base de dados tem sido confirmada pela certificação Global G. As fazendas certificadas que possuem gestão da qualidade dos dados aplicam de forma mais eficiente as técnicas de melhoramento animal e contribuem com o meio-ambiente. O Global G1 trata a qualidade da informação e isso, entre outros como a dedicação e aplicação dos criadores, agregam confiança à avaliação genética. Essa qualidade dos dados é fundamental para a mineração de dados. Todo animal é cadastrado no programa e pesado quatro vezes ao ano. Para se ter uma ideia, em 2008 eram mais de um milhão de animais cadastrados nesse banco de dados, de um total de 413 fazendas”, esclarece Solange.

A descoberta de conhecimento é realizada no Laboratório de Inteligência Computacional (LABIC), do ICMC, na USP. Os dados são analisados e processados por algoritmos automáticos para extrair conhecimentos. Um dos objetivos é identificar as forças de mercado para a comercialização de touros, de acordo com seus padrões genéticos que interessariam mais aos criadores e ao consumidor final. Esses padrões ajudariam o programa na gestão com o cliente.

A pesquisa também realizou análises temporais pretendendo verificar perfis genéticos comercializados em determinados anos e meses com maiores movimentações comerciais das fazendas, não caracterizando tendências temporais. “Os dados do programa podem ser usados para identificar uma característica de destaque no rebanho da fazenda, com isso criadores podem comprar sêmen de um touro com a característica diferenciada para a próxima geração. Por exemplo, um criador que possui um rebanho com fertilidade abaixo do esperado pode comprar sêmen de um animal que possua diferencial para este perfil, e assim melhorar essa deficiência de seu rebanho nas próximas gerações”, completa Solange.

Tags:
Fonte:
Agencia USP

0 comentário