Veja e G1: PR quer indicar Blairo Maggi para Ministério dos Transportes

Publicado em 07/07/2011 16:07 394 exibições
Preterido por Dilma, PR ameaça abandonar a base aliada. Presidente quer manter no Ministério dos Transportes o interino Paulo Sérgio Passos. Mas a legenda quer indicar outro nome. O mais cotado é Blairo Maggi.


O clima entre o Planalto e a cúpula do PR esquentou nesta quinta-feira. Parlamentares da legenda estão insatisfeitos com o fato da presidente Dilma Rousseff querer emplacar Paulo Sérgio Passos definitivamente para o Ministério dos Transportes -e já ameaçam até retirar o apoio ao governo. O senador Blairo Maggi (PR-MT), que é um dos mais cotados para assumir a vaga de Alfredo Nascimento, é um dos mais revoltados com a posição do Planalto. Nascimento deixou o cargo na esteira do escândalo provocado pela revelação, por VEJA, de um esquema de corrupção operado na pasta.

Segundo Maggi, representantes da legenda se reunirão ainda nesta quinta para decidir se o PR continua ou não como integrante da base aliada do governo. O senador não quis informar o horário e o local do encontro. “O partido vai criar uma comissão para tratar desse assunto com a presidente Dilma. Depois de reunido, o PR vai tomar uma posição a respeito, inclusive, da permanência ou não como aliado do governo”, ameaçou.

As declarações têm como objetivo convencer a presidente a aceitar o nome que o partido pretende emplacar. Dilma, porém, quer efetivar o ministro interino, Paulo Sérgio Passos. A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse nesta quinta-feira que a escolha levará em consideração os nomes indicados pelo PR, mas que a palavra final será do Planalto.

Maggi saiu indignado de uma reunião com Ideli, na quarta-feira. Criticou especialmente a demissão do então diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luís Antônio Pagot, - que era uma indicação sua. O senador também não gostou do fato de Nascimento não ter participado do encontro, ocorrido horas antes de sua exoneração. Maggi admitiu que está entre os cotados para assumir o cargo de ministro, mas disse que não recebeu nenhum convite da presidente Dilma.

O deputado Anthony garotinho (PR-RJ) também criticou a postura do governo. E duvidou do fato de Paulo Passos desconhecer o esquema de propina na pasta dos Transportes, revelado por VEJA. “O secretário- executivo era o segundo homem na hierarquia do ministério. Por isso ainda não consegui captar como podem acusar o número um, sem que o número dois soubesse de nada. Parece estratégia politica contra o PR.”, observou.

Nascimento – Alfredo Nascimento deixou o cargo de ministro dos Transportes nesta quarta-feira, após sucessivos escândalos envolvendo seu nome e o de sua família. O ex-ministro voltará a ocupar uma cadeira no Senado Federal. Mas deverá enfrentar, agora, os parlamentares que exigem esclarecimentos sobre as denúncias contra ele. “Ele deve explicações. Como senador, seria bom que o fizesse no Plenário”, afirmou o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

A bancada do PSOL no Senado vai apresentar, na tarde desta quinta-feira, à Mesa Diretora da Casa um requerimento pedindo a abertura de investigação contra o ex-ministro e, como consequência, a cassação do mandado do senador por quebra de decoro parlamentar. Se aprovado, o requerimento deverá ser encaminhado ao Conselho de Ética.

A assessoria de Nascimento informou que ele não comparecerá ao Senado nesta sexta-feira, nem participará de reuniões do PR para a escolha de seu substituto. 


'Tenho convicção da correção das 

minhas ações', diz diretor do Dnit


Luiz Pagot está afastado e deve ser exonerado quando voltar de férias.
Ele irá ao Congresso esclarecer denúncias: 'as coisas vão ficar claras'. (no G1)

Luiz Antônio Pagot em entrevista sobre rodovias brasileiras em setembro do ano passado (Foto: Agência Brasil)
Luiz Antônio Pagot em entrevista sobre rodovias
brasileiras em setembro do ano passado (Foto:
Agência Brasil)

O diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, disse ao G1 nesta quinta-feira (7) ter “convicção da correção de suas ações” no comando do órgão e afirmou que, após dar explicações à Câmara e ao Senado, “as coisas vão muito ficar claras”.

Pagot foi convidado a esclarecer no Congresso as denúncias de superfaturamento sua gestão. Ele estáafastado do cargo desde sábado por determinação do ex-ministro Alfredo Nascimento, que pediu demissão na quarta.

“Só vou me manifestar depois de fazer minha exposição de motivos na Câmara e no Senado. Mas tenho certeza de que depois das minhas falas as coisas vão ficar muito claras, tenho convicção disso, vão ficar muito claras”, disse o diretor do Dnit.

Pagot foi afastado da cúpula do ministério após reportagem da revista "Veja" relatar que representantes do PR, partido ao qual pertence o ex-ministro Alfredo Nascimento e a maior parte da cúpula do ministério, funcionários da pasta e de órgãos vinculados teriam montado um esquema de superfaturamento e recebimento de propina por meio de empreiteiras.

O diretor está de férias e conversou com o G1 por telefone. Na terça, o Palácio do Planalto informou que, quando ele retornar, deve deixar o cargo em definitivo. De acordo com o Planalto, ele havia pedido em novembro do ano passado férias de 30 dias a partir do dia 4 de julho. Ainda segundo a assessoria do Planalto, após este período ele pedirá exoneração ou será exonerado.

Perguntado se estaria convicto da legalidade das ações adotadas por sua gestão no órgão, Pagout disse que as ações do departamento são “colegiadas” e submetidas a um conjunto de ações de monitoramento.

“Tenho convicção da correção das minhas ações, estou no Dnit desde outubro de 2007, as decisões do Dnit são decisões colegiadas. O Dnit não faz políticas públicas, ele executa políticas públicas definidas”, afirmou Pagot.

Sobre a sucessão de aditivos em obras da pasta, um dos pontos apontados nas denúncias como indícios de superfaturamento, Pagout afirma que todas as ações do Dnit estão submetidas ao orçamento do Ministério dos Transporte, que tem a responsabilidade de aprovar a liberação das verbas.

“Obrigatoriamente, todos os projetos e obras têm que constar do orçamento. E esses orçamentos têm aprovação do Ministério dos Transportes. O ministério tem uma secretaria especial que faz uma espécie de acompanhamento dos projetos e tudo faz parte de uma decisão colegiada. Nós cumprimos o orçamento que é aprovado”, argumentou o diretor.

Pagout ainda listou uma série de diretorias que influenciam na elaboração de projetos para execução de obras, metodologia de trabalho que tornaria muito complicada a tentativa de superfaturar obras

“Os projetos nascem dentro das diretorias. Por exemplo, você vai fazer uma obra, primeiro tem que fazer o projeto na Diretoria de Pesquisa e Planejamento, depois tem que ser aprovado. Depois de aprovado, você recebe o projeto. Se aprovado, a Diretoria de Infraestrutura Rodoviária é responsável por montar o edital para fazer a obra”, explicou Pagout.

Convites
Na manhã desta quinta (7), a Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado aprovou convite para que Pagot preste esclarecimentos sobre suposto superfaturamento de obras sob responsabilidade do Ministério dos Transportes. O requerimento foi apresentado pelos senadores Blairo Maggi (PR-MT) e Aloysio Nunes (PSDB-SP). De acordo com Blairo Maggi, Pagot vai comparecer ao Senado na próxima terça-feira (12).

Na última terça (5), a comissão de Meio Ambiente já havia aprovado requerimento para convidar Pagot e outros suspeitos de participar das irregularidades a falar aos senadores.

Entenda as denúncias que levaram à saída de Alfredo Nascimento (Foto: Editoria de Arte / G1)

Mudanças no Ministério dos Transportes

O antigo secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, assumiu interinamente nesta quinta a pasta, anteriormente comandada por Alfredo Nascimento, que pediu demissão na tarde de quarta, após denúncias de superfaturamento em obras. A crise se agravou nesta quarta após suspeitas de que o filho do ministro tenha enriquecido ilicitamente em razão do cargo do pai.

De acordo com o Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff deve decidir "nos próximos dias" quem ocupará a pasta em definitivo. Passos ocupava o segundo cargo mais importante da pasta, a secretaria-executiva dos Transportes.


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veja.com.br

1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, vai entender esse imbróglio !. O PR , vai indicar o sucessor da vaga aberta, criada pela “ SITUAÇÃO INSUSTENTÁVEL “ do ministro dos transportes. Adib Jatene, no estadão (04/07/11) , cita os modelos de poder e, “ No poder compensatório o desempenho resulta em compensação. O salário é uma compensação. Em espectro menos correto, o fisiologismo e a chantagem caem nessa categoria. ... Como chegamos a uma República compensatória, na qual a barganha política é um de seus aspectos mais salientes ?. “

    Hoje, (08/07/11), Dora Kramer, com sua maestria literária, em artigo “ Síndrome da Saúva “, cita : “ Consolidou-se nas últimas décadas, desde a redemocratização, e aprofundou-se nos últimos anos a tese de que o governo de coalizão brasileiro não há outro jeito a não ser seguir a norma segundo a qual O EXECUTIVO É COMPRADOR, FORNECEDOR E DISTRIBUIDOR E O LEGISLATIVO ENTRA NA HISTÓRIA NO PAPEL DE MERCADORIA. ( destaque em maiúsculo é minha autoria ).

    A fim de que o fisiologismo não acabe por arrasar a democracia no Brasil, urge que se dê um jeito no fisiologismo. Mário de Andrade, em Macunaíma, usou a saúva – “ Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil “ – para ironizar politicagens em geral. " .... “ E VAMOS EM FRENTE ! ! ! “ ....

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