No Estadão: Bolsas dos EUA caem com temores globais sobre dívida

Publicado em 18/07/2011 19:45 e atualizado em 18/07/2011 22:34 355 exibições

As principais bolsas de valores dos Estados Unidos encerraram em baixa nesta segunda-feira, puxadas pelas ações do setor financeiro, que sofreram com a frustação de investidores devido à falta de habilidade dos governos em resolver as crises da dívida nos Estados Unidos e na Europa. O Dow Jones recuou 0,76 por cento, a 12.385 pontos. O Standard & Poor's 500 cedeu 0,81 por cento, a 1.305 pontos, enquanto que o Nasdaq teve desvalorização de 0,89 por cento, a 2.765 pontos. 

A cinco dias do prazo para que o presidente norte-americano, Barack Obama, obtenha um acordo para ampliar o teto da dívida do país, republicanos e democratas definiam um plano alternativo para evitar um default do país. 

Quanto mais tempo se passar sem uma resolução para o debate sobre o teto da dívida, maior o risco de volatilidade e novos declínios no mercado acionário. O índice de volatilidade CBOE subiu 7,8 por cento nesta segunda-feira após ter ganho de mais de 20 por cento na semana passada. 

Somando-se à pressão no setor financeiro, os testes regulatórios de estresse para os bancos foram vistos como excessivamente brandos e pouco realistas, dada a extensão da crise. 

"Não é um bom ambiente para o setor financeiro", disse Terry Morris, gerente sênior de equity da National Penn Investors Trust em Reading, Pensilvânia. 

"O mercado está realmente assustado no momento e temos uma economia frágil. Então, quando você coloca essas variáveis no panorama, vê investidores adotando posturas defensivas ou vendendo", acrescentou. 

Os papéis do Bank of America atingiram uma nova mínima em 52 semanas e encerraram o pregão em queda de 2,8 por cento, enquanto a ação do Citigroup recuou 1,7 por cento. O setor financeiro foi o mais fraco do S&P nesta segunda-feira, recuando 1,4 por cento.  

Com aumento do risco, preço do ouro bate recorde

O ativo, que é visto por investidores como um porto seguro, encerrou o pregão em alta de US$ 12,30, ou 0,77%, a US$ 1.602,40 por onça-troy - medida padrão utilizada para o ouro

Com o aumento da aversão ao risco - provocada pelas incertezas em relação aos Estados Unidos e Europa -, a cotação do ouro bateu recorde nessa segunda-feira. O ativo, que é visto por investidores como um porto seguro, encerrou o pregão em alta de US$ 12,30, ou 0,77%, a US$ 1.602,40 por onça-troy - medida padrão utilizada para o ouro. Trata-se de uma cotação recorde para o fechamento. Durante o dia chegou até o patamar de US$ 1.607,90 por onça-troy.

O balanço foi divulgado no fim da tarde, após o fechamento das bolsas europeias. Os bancos espanhóis foram os mais avaliados, com 25 companhias, e também os mais reprovados. Sem surpresa, as "caixas" se revelaram as mais frágeis: Caja Mediterraneo (CAM), CatalunyaCaixa, Unnim e CajaTres, assim como Banco Pastor, terão de se reestruturar. Nos testes de 2010, os espanhóis haviam se revelado os mais precários.

Operadores disseram que nesta semana o mercado estará concentrado na Europa, visto que os resultados dos testes de saúde financeira dos bancos não convenceu os investidores. Na sexta-feira, a Autoridade Bancária Europeia (ABE) informou que oito instituições financeiras fracassaram no teste de estresse. O objetivo dessa avaliação era provar a solidez do sistema financeiro do bloco, mesmo que a União Europeia atravesse sua mais grave crise desde o advento do euro. Para analistas do mercado financeiro, porém, o pequeno número de bancos reprovados, em um momento de grave crise na Europa, trouxe dúvidas sobre a credibilidade do teste.

Na Grécia, os bancos Eurobank e ATEBank - já reprovado no ano passado - não passaram no teste. Já as incertezas sobre o Banco Nacional da Grécia (BNG), o maior do país, foram, segundo a ABE, dirimidas. Completa a lista dos fracassados o banco austríaco Österreichische Volksbank.

Segundo o Credit Suisse, 27 bancos europeus precisariam levantar um total de 82 bilhões de euros em capital novo para manter o nível de segurança . Esse montante é bem maior do que a deficiência de 2,5 bilhões de euros dividida entre os 8 bancos anunciados como problemáticos no resultado do teste.

Estados Unidos. As negociações no Congresso dos EUA sobre o aumento no teto de endividamento do país também estão em foco. Muitos investidores estão preocupados com a possibilidade de os norte-americanos não conseguirem mais captar recursos no mercado, o que poderia levar os EUA a uma situação de default (calote) seletivo.

Os receios com as dívidas norte-americanas e europeias ajudaram o preço do ouro a superar US$ 1.600 por onça-troy e atingir um novo recorde. "Se você está preocupado com a zona do euro ou com os EUA, há motivos para comprar ouro", disse o analista David Jollie, do Mitsui.

Mesmo com o ouro em franco avanço, "os investidores veem incerteza suficiente no mundo para justificar mais aquisições do metal", disse George Gero, vice-presidente da RBC Capital Markets Global Futures. "Desconfia-se mais do processo político, estamos de olho na questão do teto do endividamento e na zona do euro", acrescentou.

A quantidade de ouro detido por fundos com cotas negociáveis em bolsas (ETFs), ferramentas populares para investidores ganharem exposição ao metal precioso, atingiu um nível recorde na sexta-feira, de 2.156,40 toneladas, de acordo com o Barclays Capital. "Tanto o interesse do curto quanto do longo prazo tornou-se significativamente positivo nas sessões mais recentes", afirmou Suki Cooper, analista do Barclays.

Senado dos EUA ficará em sessão até ter acordo sobre dívida

Teto da dívida deve ser elevado pelo Congresso até o dia 2 de agosto, caso contrário o Tesouro não conseguirá cumprir suas obrigações financeiras

Os líderes do Senado dos EUA anunciaram nesta segunda-feira, 18, que a Casa ficará em sessão até que um acordo sobre como elevar o teto da dívida pública seja alcançado, à medida que os formuladores de políticas públicas continuam a enfrentar um prazo final iminente para aumentar o limite para tomada de empréstimos em pouco mais de duas semanas.
O teto da dívida deve ser elevado pelo Congresso até o dia 2 de agosto, caso contrário o Tesouro não conseguirá cumprir todas as suas obrigações financeiras, incluindo a capacidade de pagar o serviço da dívida.

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, ameaçou no passado manter os formuladores de políticas públicas em Washington nos fins de semana quando a maioria viaja de volta aos seus Estados de origem, mas raramente cumpriu a ameaça. No entanto, o anúncio de Reid nesta segunda-feira foi rapidamente aprovado pelo líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, que disse: "precisamos ficar todos os dias, até resolver essa crise que o nosso país enfrenta".

Reid disse que, em uma reunião com os democratas do Senado na semana passada, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, alertou que a falta de acordo para aumentar o limite da dívida até ao prazo final provocará uma crise parecida com a registrada em 2008.

As negociações entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e líderes congressistas parecem ter sido interrompidas, sem reuniões agendadas nesta semana depois que o grupo se reuniu todo os dias na semana passada. Uma rodada de negociações anterior, liderada pelo vice-presidente Joe Biden, também não resultou num acordo.

Os líderes da Câmara dos Representantes esperam submeter à votação nesta semana um plano proposto pelos republicanos para aumentar o teto da dívida do país, reduzir os gastos e limitar gastos futuros. A proposta deverá receber aprovação da Câmara, controlada pelos republicanos, mas pode não passar pelo Senado, controlado pelos democratas, onde a votação deverá ocorrer provavelmente nesta semana.

A Casa Branca ameaçou hoje vetar a proposta, que elevaria o teto da dívida em US$ 2,4 bilhões e cortaria os gastos em um montante equivalente. O plano também limitaria gastos futuros a 18% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA. E o aumento do teto da dívida seria ligado a uma aprovação do Congresso a uma emenda constitucional que exija um orçamento federal equilibrado.


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Fonte:
O Estado de S. Paulo

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