Geadas atingem cafezais de Guaxupé, no sul de MG. Estragos estão sendo avaliados

Publicado em 05/08/2011 11:53 e atualizado em 05/08/2011 16:30 1450 exibições
Depois de 17 anos, fortes geadas atingiram uma das regiões mais valiosas de café do Brasil – a região de Guaxupé, Machado e Botelhos, no sul de Minas, divisa com o Estado de S. Paulo. Pelo amanhecer a temperatura desceu a menos 2 graus na região de Machado e Muzambinho. Um forte cheiro característico de geada, com as folhas sendo queimadas pelo frio, invadiu os cafezais, levando o pânico e desespero entre os produtores rurais daquela região. Do outro lado do Sul de Minas, na região de Varginha, o frio não foi tão intenso, mas as geadas pegaram mais o meio das ruas dos cafezais, queimando os botões florais.

Segundo Marcos Mendes Reis, diretor comercial da Minasul em Varginha, o departamento técnico da cooperativa ainda vai dimensionar os prejuízos nas plantações e apenas na segunda-feira terão dados efetivos. Porém já é possível avaliar que as perdas foram significativas. Nessa região, a temperatura chegou a 0 grau pela manhã. A geada atingiu altitudes de 950 metros e as plantas não atingidas, provavelmente, terão os botões florais afetados, o que vai comprometer a próxima safra.

Na região de Guaxupé até mesmo os cafezais de regiões mais altas ficam com os botões florais comprometidos. Os agrônomos das cooperativas estão a campo fazendo levantamento dos estragos. A definição nesse momento é que o evento climático sobre os cafezais está sendo considerado como “geada de capote”, aquela que atinge os galhos mais finos, os botões florais, impedindo o brotamento dos grãos de café da próxima safra.

Em Cabo Verde, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Reginaldo Roberto da Silva, foi a campo para avaliar os estragos causados pela geada. Ele afirma que, nessa cidade, as perdas não passam de 10%. O que de fato ocorreu foi que os agricultores se espantaram com as plantações cobertas de gelo pela manhã. Porém, as áreas realmente afetadas foram as de risco, com altitudes mais baixas. Já as lavouras consolidadas, de acordo com Reginaldo, não devem sofrer perdas.

Os preços em Nova York reagiram imediatamente, abrindo o pregão na bolsa com mais de 700 pontos de alta. Por volta das 12 horas a alta recuava para 565 pontos, com a libra peso sendo negociada a US$ 245,40. Na BM&F contratos para setembro apresentavam alta de mais de 2%, com a saca de 60 quilos sendo vendidas a US$ 320,10.

Posteriormente, por volta das 13 horas, o mercado financeiro pesou até mesmo sobre as geadas, e os preços do café recuaram, entrando em território negativo, com a libra/peso em N. York descendo para US$ 238,35. Na BM&F, apesar da mudança da bolsa americana, os preços para setembro continuavam em alta, sendo a saca negociada a US$ 315,00, alta de 0,64%.

O café era a única commoditie que apresentava preços em alta nesta sexta-feira, no momento em que o mundo vive o temor de uma recessão em escala planetária, com todos os preços das demais commodities em forte baixa. Enquanto os estragos estão sendo avaliados, as informações que chegam em nossa mostram que o desânimo toma conta da cafeicultura do sul de Minas.

Veja a entrevista com Armando Matielli:
GEADA: frio de 1 grau atinge o sul de Minas Gerais e perdas no café podem chegar a 15%

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Por:
João Batista Olivi
Fonte:
Notícias Agrícolas

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