Demanda recorde por fertilizantes

Publicado em 17/08/2011 07:35 394 exibições
A boa rentabilidade das principais lavouras de grãos do país na última safra de verão (2010/11) e a manutenção das cotações da maior parte das commodities agrícolas em elevados patamares continuam a impulsionar as vendas domésticas de fertilizantes a um novo recorde histórico neste ano.

Ainda ancorada em nutrientes importados, apesar dos investimentos liderados pela Vale para ampliar a produção nacional, a forte comercialização do insumo é considerada por representantes do segmento como um sinal importante de que, de fato, a área plantada de grãos deverá voltar a aumentar no Brasil na próxima temporada (2011/12), cuja semeadura terá início em setembro.

Se o clima colaborar, espera-se também que a maior adubação sirva para elevar a produtividade das lavouras já estabelecidas; se atrapalhar - e a tendência é que o fenômeno La Niña ganhe força nos próximos meses -, a expectativa é que a tendência de ampliação dos aportes nessa frente reduza as perdas.

Em julho, as entregas das misturadoras de fertilizantes (empresas que fabricam os produtos finais adquiridos pelos agricultores) às revendas espalhadas pelo país alcançaram 2,764 milhões de toneladas em julho e cresceram 21,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, conforme David Roquetti Filho, diretor-executivo da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

As importações brasileiras de fertilizantes intermediários foram de 1,951 milhão de toneladas no mês passado, 54,6% mais que em julho de 2010, e na mesma comparação, a produção nacional cresceu 1,6%, para 930 mil.

De acordo com a Anda, nos sete primeiros meses de 2011 as entregas somaram 13,936 milhões de toneladas, 27,8% mais que em igual intervalo do ano passado, as importações chegaram a 10,925 milhões, em alta de 51,5%, e a produção nacional atingiu 5,428 milhões, um incremento de 4,9%.

"Esse expressivo volume entregue ao consumidor final continua indicando uma forte antecipação das compras pelos produtores rurais, sustentada pela vantajosa relação de troca entre o preço do grão e o de fertilizantes", informou a Vale Fertilizantes em nota sobre seus resultados no segundo trimestre - quando o "expressivo volume entregue" em questão totalizou 11,17 milhões de toneladas no país.

A Vale Fertilizantes fechou o primeiro semestre de 2011 com receita de R$ 2,027 bilhões, 92% mais que no mesmo período de 2010. O resultado líquido das operações continuadas da companhia foi de R$ 229 milhões, ante menos de R$ 2 milhões entre janeiro e junho do ano passado. Os investimentos da empresa foram de R$ 363 milhões no intervalo, e os resultados tiveram a "ajuda" do encarecimento dos nutrientes vendidos, em linha com o mercado internacional.

Nesse contexto, a RC Consultores estima que as entregas vão totalizar 26,5 milhões de toneladas em 2011, 8,1% acima de 2010 (24,516 milhões de toneladas) e 7,7% mais que o recorde anual atual, de 2007 (24,609 milhões). A Heringer, terceira maior companhia do segmento no país, projeta as entregas totais deste ano em 26 milhões de toneladas.

Em entrevista ao Valor na quinta-feira, quando divulgou os resultados da empresa que preside no primeiro semestre, Dalton Carlos Heringer destacou o aumento das entregas para produtores de soja, milho e café. A empresa encerrou o período com receita líquida de R$ 1,609 bilhão, 35,7% mais que entre janeiro e junho de 2010, Ebitda positivo em R$ 65,086 milhões e lucro líquido de R$ 9,758 milhões.

Ainda que os resultados até o mês de julho tenham fortalecido no segmento a expectativa de um aumento entre 1,5% e 3% da área de grãos no país no verão da temporada 2011/12, é turvo, no momento, o horizonte para os negócios no ano que vem.

Heringer acredita que os preços das commodities agrícolas sofrerão menos que os de outros produtos em meio às turbulências financeiras no mundo desenvolvido, mas a RC Consultores já projeta quedas consideráveis nos preços médios internacionais de grãos como milho e soja em 2012 - o que, se confirmado, tende a enfraquecer a demanda por adubos.

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Fonte:
Valor Econômico

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