Exportações de fumo em recuperação

Publicado em 23/08/2011 07:28 392 exibições
O Brasil deverá recuperar neste ano parte do mercado internacional de fumo perdido em 2010, quando uma combinação entre a queda da safra e a alta dos preços dos produtos em dólares e reais derrubou em 25% o volume dos embarques ante 2009, para 505,6 mil toneladas. O país não chegou a perder a condição de maior exportador do produto, mas viu seu quinhão diminuir, já que no mesmo período o comércio internacional de tabaco recuou apenas 2,3%, para 2,238 milhões de toneladas, e outros fornecedores mundiais importantes, como Índia, China e EUA, elevaram seus embarques.

A expectativa de recuperação é do presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner. Segundo ele, os embarques devem crescer pelo menos 10% em 2011 - para pouco mais de 556 mil toneladas -, patamar acima do esperado para o comércio global do segmento. Em dólares, com base no preço médio de exportação de US$ 5,59 o quilo no acumulado até julho, a alta sobre os US$ 2,762 bilhões faturados pelo país em 2010 chegaria a 12,6%, influenciada pela valorização do real sobre o dólar no período.

O problema, diz Werner, é que a projeção deve-se, em parte, à queda de 22,4% nos preços médios pagos aos produtores no ciclo 2010/11, para R$ 4,93 o quilo (12,8% em dólar, para US$ 3,07), provocada pela alta de 20,4% na colheita deste ano na região Sul, para 832,8 mil toneladas. Foi o maior volume desde as 843 mil toneladas de 2004/05. No ano passado, quando a safra 2009/10 havia caído 7% em relação à anterior, para 691,9 mil toneladas (o menor volume desde 2003/04), os produtores receberam preços médios recordes de R$ 6,35, ou US$ 3,52, por quilo.

Com isto, a recuperação dos embarques pode ter fôlego curto. Insatisfeitos com os preços, os fumicultores da região Sul, que respondem por 96% da produção nacional, reduziram em 10%, para 335 mil hectares, a previsão de área cultivada na safra 2011/12, segundo a Afubra. A entidade chegou a defender uma queda de 20% no plantio, mas mesmo com o corte mais suave Werner crê que a oferta menor poderá puxar os preços médios pagos ao produtor para R$ 6 o quilo no ano que vem.

Conforme o dirigente, 30% das lavouras estão plantadas e a previsão da entidade é que a colheita de 2012 ficará em 672,2 mil toneladas. Se a estimativa se confirmar, a próxima safra terá uma retração de 19,3% ante 2010/11 e as exportações tenderiam a recuar novamente em 2012.

Em 2011, os embarques do Brasil também estão sendo estimulados pela redução da produção na África em função de problemas climáticos em regiões produtoras do continente. Conforme Werner, as informações são de que a safra no Zimbábue não deverá passar de 135 mil toneladas, ante 180 mil a 200 mil previstas inicialmente. O Malawe, que em 2010 exportou 134,5 mil toneladas, 4% a menos do que em 2009, também deve produzir menos, assim como a Tanzânia, que normalmente colhe 100 mil toneladas por ano.

As notícias sobre os problemas na safra africana já mexeram nos preços pagos aos produtores no Brasil. No período final da comercialização, na primeira metade de agosto, alguns agricultores chegaram a receber em torno de R$ 5,50 pelo quilo do fumo tipo Virgínia (que representa 85% da produção). Foi uma alta importante sobre a média anterior de R$ 5,01 nesta variedade, mas ainda assim o valor perde para os R$ 6,49 recebidos em 2009/10.

Procurado pelo Valor, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco) preferiu não comentar o assunto. Em sua página na internet, a entidade informa que em 2010 o principal mercado para o fumo produzido no Brasil foi a União Europeia, com 45% de participação nos embarques, seguida pelo Extremo Oriente (20%), África e Oriente Médio (13%), América do Norte (10%), Leste Europeu (8%) e América Latina (4%).

O maior produtor mundial de fumo é a China, com 2,9 milhões de toneladas colhidas em 2009, conforme a Afubra. O Brasil vem em segundo, mas é o maior exportador. Em 2010, outros exportadores como a Índia, a própria China e os EUA, elevaram os embarques em 7%, 4,4% e 17%, respectivamente, para 247,5 mil, 160 mil e 147,5 mil toneladas.

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Fonte:
Valor Econômico

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