Mercados agrícolas locais ganham força nos EUA

Publicado em 24/08/2011 08:05 212 exibições
Mais americanos passaram a comprar alimentos cultivados localmente e novos mercados de agricultores locais, em que os próprios produtores vendem ao público de sua região, vêm surgindo por todo o país.

Nos últimos 12 meses, mais de 1 mil mercados de agricultores, dentro de um total de 7.175, foram abertos no país, de acordo com números divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A maior parte do crescimento foi registrada fora de Nova York e Califórnia, que são os Estados com mais mercados do tipo nos EUA.

"O notável crescimento dos mercados de agricultores é um indicador excelente do poder de resistência dos alimentos locais e regionais", afirmou a vice-secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Kathleen Merrigan.

"Esses pontos de venda proporcionam benefícios econômicos para os produtores desenvolverem suas atividades e também para as comunidades, ao proporcionar-lhes acesso a frutas, vegetais e outros alimentos frescos."

Merrigan atribuiu o crescimento ao desejo dos agricultores de ter contato direto com os consumidores, para ganhar uma maior parcela dos dólares dos compradores, e à demanda dos próprios consumidores por alimentos de cultivo local e acesso direto aos produtores.

"Sempre que surge algum surto provocado alimentos, mais consumidores se dirigem aos mercados de agricultores", disse Dianne Eggert, diretora-executiva da Federação de Mercados de Agricultores de Nova York. "Eles podem perguntar mais questões sobre como seus alimentos são produzidos."

O Alasca teve o maior aumento, de 46%, com 35 novos mercados, seguido pelo Texas e Colorado, ambos com crescimento de 38%.

"De início, imaginamos que poderia ser uma tendência; e estamos tentando desenvolver todo o setor a partir dessa tendência e diversificar as oportunidades de mercado e os locais, para os consumidores terem acesso a esses produtos", comentou Cynthia Torres, da Associação de Mercados de Agricultores do Colorado, sobre o crescimento do número de mercados no Estado.

No Novo México, onde também houve aumento de 38%, com 80 novos mercados, a demanda pelos locais supera o número de produtores em condições de abastecê-los.

"Recebemos ligações de comunidades que querem iniciar seus próprios mercados, mas não há agricultores suficientes", disse Denise Miller, diretora-executiva da Associação de Comercialização dos Agricultores do Novo México.

Os mercados permitem aos agricultores locais vender seus produtos diretamente aos consumidores, o que intensifica o desenvolvimento da estrutura de comércio de alimentos do Estado e beneficia propriedades agrícolas familiares, além de criar comunidades. Também trazem a oportunidade de interação entre agricultores e seus clientes.

A demanda no Novo México elevou o número de produtores envolvidos, de 560, em 2005, para 959, em 2010, de acordo com a associação do Estado. A demanda, contudo, parece estar superando a oferta.

"O problema é que o número de agricultores antigos está encolhendo e não há novos agricultores substituindo-os", explicou Denise Miller.

Torres disse receber cerca de cinco ligações por semana de cidades e distritos interessados em iniciar mercados de agricultores.

"O valor econômico está definitivamente se consolidando e criando fluxos de receita", afirmou a representante da associação.

Nos últimos dez anos, a popularidade dos mercados de agricultores cresceu, à medida que o país passou por diferentes tendências quanto à saúde pública.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) começou a divulgar números sobre esses mercados em 1994, quando eram apenas 1.755 em todo o país. Dez anos depois, em 2004, havia 3.706 mercados de agricultores locais, quase a metade dos registrados neste ano, 7.175.

A atualização dos números é baseada em dados enviados no início do ano, de forma voluntária, pelos administradores desses tipos de mercados.

Tags:
Fonte:
Valor Econômico

0 comentário