Soja: preços reagem em Chicago com a diferença dos preços do milho

Publicado em 02/11/2011 18:21 e atualizado em 02/11/2011 19:17 693 exibições
A soja retornou ao patamar acima de 12 dólares/buschel nas negociações em Chicago nesta quarta-feira, dia 2, confirmando mais uma vez a escalada de alta que sempre se inicia no começo de novembro. 

Dados históricos dos últimos 11 anos mostram a soja sempre com preços firmes nesta época do ano, devido a posição dos produtores norte-americanos que costumam segurar as vendas na expectativa de cotações mais fortes na virada do ano. 

Nesta quarta-feira não foi diferente, pois a oferta nos EUA está bem restrita, contribuindo para estoques cada vez mais baixos. Do lado da demanda, leia-se China, também registram-se poucas compras, também pelo mesmo motivo: se os produtores não vendem, não há o que comprar. Os embarques, no entanto, estão dentro da normalidade com base nas compras realizadas antecipadamente. 

Segundo a Céleres Consultoria, de Uberlandia, 35% da safra já foi comercializada antecipadamente. Mato Grosso é o Estado líder nas vendas antecipadas, com 48% da safra, que está sendo plantada agora, já vendida quando os preços beiravam a 14 dólares (R$ 50 no Porto de Paranaguá).

Nas negociações desta quarta em Chicago, apesar da pressão do mercado financeiro, com a crise da divida dos países europeus  cada vez mais insolúvel, preponderaram as evidências de que a diferença de preço (spread) entre a soja e o milho estavam muito larga. Historicamente, a soja costuma valer mais do que o dobro do preço do milho; no entanto, a cotação do milho neste instante, devido à demanda chinesa e ao consumo de etanol à base de milho, mantém uma diferença acima de 1 dólar com a oleaginosa.

Para o analista Liones Severo, de Porto Alegre, esse diferencial com o milho fará o preço da soja subir acima de 13 dólares nas próximas sessões em Chicago. Para ele, a média deverá ficar em 13,50 dólares. O mesmo raciocinio vale para as negociações com o milho, pois a demanda deverá manter os preços acima de US$ 6,50/bu. A tendência é de uma valorização ainda maior para o cereal, com os produtores podendo ter lucratividade bem maior dos que insistiram com a soja.

Paulo Molinari, analista de grãos da Safras e Mercado, concorda com a previsão histórica, mas alerta que a safra de verão de Brasil e Argentina deverão recompor os estoques, juntamente com a próxima safra norte-americana. Adicionando-se provável retração mundial, devido à crise financeira norte-americana, Molinari alerta para uma provável diminuição das cotações a partir do segundo semestre de 2.012 - exatamente pelo aumento da oferta e diminuição da demanda. 

A incógnita continuará sendo as compras da China, onde o Governo insiste que continuará importando alimentos para suprir as quebras em suas safras, e impedir o aumento dos níveis de inflação.

No Estadão: 

China prevê continuação de pressões inflacionárias

Economia mundial em desaceleração e excesso de liquidez deve manter pressões, o que vai lançar uma sombra no crescimento econômico da China, disse vice-ministro


PEQUIM - A China ainda enfrenta muitos desafios, incluindo o aumento do protecionismo, a pressão inflacionária global e a crise da dívida soberana na Europa, declarou o vice-ministro das Finanças da China, Li Yong.

A economia mundial está desacelerando e o excesso de liquidez deve manter em alta as pressões inflacionárias globais no próximo ano, o que vai lançar uma sombra no crescimento econômico da China, informou Li em um fórum.

Li disse ainda que será difícil para a China encontrar o equilíbrio enquanto reestrutura a economia, porque as exportações provavelmente irão diminuir em razão da desaceleração da demanda externa e a valorização do yuan vai colocar os exportadores em grande desvantagem.

"O crescimento econômico, a reestruturação da economia e o controle de preços são tarefas difíceis para nós", afirmou, acrescentando que as medidas de controle macroeconômico continuarão a orientar a economia doméstica para a direção certa.

O vice-ministro declarou ainda que os mercados imobiliários continuarão a ser um grande desafio e que o governo tentará controlar os preços para evitar uma crise. (Com informações da Dow Jones).




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Redação NA

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