Mercado de açúcar: ABORRECIDO E SONOLENTO

Publicado em 05/11/2011 05:50 290 exibições
por Arnaldo Luis Corrêa, da Archer Consulting


A semana foi de queda no mercado de açúcar, com o vencimento março/2012 encerrando a semana cotado a 25,55 centavos de dólar por libra-peso, com queda de 60 pontos, equivalentes a 13 dólares por tonelada. Os demais meses também fecharam em quedas que ficaram entre 2 e 16 dólares por tonelada. Mercado está aborrecido e sonolento.

O plano de resgate europeu para tirar a Grécia do buraco negro no qual se enfiou repercute nas commodities, enquanto não houver notícias melhores. No início da semana passada, após a euforia inicial com os entendimentos na Europa sobre a situação crítica da Grécia, o mercado entendeu que a salvação daquele país representaria um enorme cavalo de Tróia que os europeus – principalmente os alemães - ganhariam de presente. O fato é que isso respinga nas commodities. O mercado financeiro estima que os bancos teriam que liquidar posições de 2 trilhões de Euros nos próximos 18 meses. Adivinhe o que isso vai significar para as linhas de crédito de commodities? E para a redução de prazo que as usinas terão para fixar seu açúcar junto às tradings? 

Não bastassem as “boas notícias”, o pedido de falência da Man Financial Global (sem nenhum vínculo com a trading de mesmo nome), na mesma data em que se comemorava o Dia das Bruxas, mina a confiança dos investidores, dá munição para maior intervenção dos governos no controle dos mercados de derivativos e aciona um volume de liquidações de posição em diversos mercados, que no frigir dos ovos dão de ombros para os fundamentos. É isso que ocorre com o açúcar também.

A volatilidade das opções despenca a olhos vistos. Bom para quem vendeu opções lá atrás, mas agora talvez não tão interessante para quem pretenda fazer novas estruturas que contemplem vendas de opções. Em um mês a volatilidade média derreteu 4 pontos percentuais. Na média de 50 dias ela está em 37,70%, a de 100 dias alcança 39,76% e a de 200, 43,69%. Percebe-se um achatamento rápido que pode ser explicado pela falta de noticias que tragam percepção de risco ao mercado e – portanto – empurra a necessidade de proteção com a barriga e a diminuição da exposição por parte de especuladores.

As correlações entre as cotações do açúcar negociado na bolsa de NY e o índice ESALQ para etanol anidro e hidratado caíram bastante essa safra comparativamente à safra anterior. O descolamento do preço do etanol acabou distorcendo a curva e prejudicando quem desejasse fazer hedge de etanol usando a bolsa de NY. De maio a outubro, a correlação do anidro com NY foi de 0,4987 enquanto que a do hidratado com NY atingiu 0,7444. Na safra passada, essa correlação atingiu 0,8112 e 0,8844 respectivamente. A correlação ótima de 250 dias corridos ocorreu entre fevereiro de 2010 e fevereiro de 2011 para o anidro (correlação de 0,9390) e entre final de janeiro de 2010 e fevereiro de 2011 para o hidratado (0,9171). Precisamos olhar com cuidado especial essas correlações para aproveitarmos oportunidades e alternativas de hedge para o etanol enquanto não existir uma bolsa líquida o suficiente para atender à demanda de proteção que o mercado procura.

O custo de produção do açúcar apurado pelo modelo da Archer Consulting, considerando o CONSECANA médio da safra e o dólar médio dos últimos 30 dias, está em 35,5382 reais por saca na usina, sem custo financeiro. 

O consenso do mercado em relação ao número final de moagem da safra do Centro-Sul parece girar em torno de 485-490 milhões de toneladas de cana, com produção de açúcar de 30,7 milhões de toneladas e 20,3 bilhões de litros de etanol. Para o ano que vem, mesmo que cresçamos 15% em cana e esperando uma melhora na ATR, com um viés maior para o açúcar, o Centro-Sul produziria para a 2012/2013, 5 milhões de toneladas a mais de açúcar e 2,7 bilhões de litros de etanol. No entanto, para enquadrarmos a oferta e a demanda, o número de veículos flex no Brasil que optam por etanol teria que cair para abaixo de 48%. Vamos voltar nesse assunto com maior abrangência na próxima semana.

Interessante: a revista The Economist trouxe em recente edição a lista dos melhores MBA’s do mundo e o salário médio dos novos graduados. O número 1 é o Dartmouth College e a média salarial obtida pelos recém-formados é de US$ 106,578 anuais. Isso equivale a um salário de R$ 14.000 mensais no Brasil. Começa a fazer sentido importar talentos de fora comparativamente aos salários pagos aqui?

Tenham um bom final de semana

Arnaldo Luiz Corrêa

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Archer Consulting

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