Mercado de açúcar: RECUPERAÇÃO TÍMIDA

Publicado em 04/12/2011 09:34 222 exibições
por Arnaldo Luis Correa


O mercado de açúcar em NY fechou a semana com ligeira apreciação depois de várias semanas em queda. O cenário macro ajudou e as commodities - com exceção do café e do cacau - encerram a sexta-feira em território positivo. O vencimento março 2012 em NY fechou com alta de 60 pontos (13,23 dólares por tonelada), a 23,50 centavos de dólar por libra-peso. Os meses que compõem a safra 2012/2013 fecharam entre 47 e 64 pontos de alta (entre 10 e 14 dólares por tonelada). Para a 2013/2014, houve acréscimo de 15 dólares por tonelada em média. Uma recuperação tímida.

Com o dólar médio dos últimos 30 dias e assumindo que o açúcar negociaria no mercado físico internacional sem prêmio, a média de liquidação para a safra 2012/2013, baseando-se no fechamento de sexta-feira é de R$ 43,23 por saca posto usina. Para a 2013/2014, a média pula para R$ 45,76 por saca posto usina. Os valores maiores desta última são em função de uma taxa de dólar mais alta ao longo da curva de preços.

A ICE, indo na contramão do que pensa a maioria esmagadora do mercado, quer estender o horário de negociação do contrato de açúcar, começando às 21 horas até às 15.30 horas do dia seguinte. Ou seja, o trader que tiver exposição na bolsa vai ficar mais zureta ainda. Um executivo de uma multinacional desabafou outro dia que as horas de negociação “são demasiadamente longas, matando a liquidez do mercado e destruindo meu casamento”. Precisa dizer mais? Lamentavelmente, a reputação que a ICE tem hoje no mercado é a pior que se tem noticia no passado recente das commodities. A desculpa que se ouve por parte deles é que extensas horas trariam maior liquidez para o mercado com a entrada de alguns participantes que passariam a fazer arbitragem entre a bolsa de açúcar da China com NY. Pouca gente acredita nisso. Vamos conferir.

A Archer Consulting teve acesso a um trabalho irreprochável elaborado pela BioAgência, estabelecendo vários cenários para a safra 2012/2013. Estabeleceram três cenários em que a safra de cana seria a mesma de 2011/2012 variando até 530 milhões de toneladas. Depois, combinou-se cada um dos cenários com variações do câmbio (imprescindíveis, como apresentado no nosso comentário da semana passada) entre 1,7000 e 1,9000; seguem-se mais 21 parâmetros de variação que impactam no preço (desde inflação, preço de etanol dos EUA, CIDE, etc). O que interessa é a linha de baixo do citado trabalho. Ou seja, o preço mínimo equivalente NY no pior cenário possível de todas as combinações dos parâmetros considerados. Vamos lá: 19,73 centavos de dólar por libra-peso equivalente FOB Santos.

O custo de produção do açúcar apurado pelo modelo da Archer Consulting, considerando o CONSECANA médio da safra e o dólar médio dos últimos 30 dias, está em 36,4635 reais por saca na usina, sem custo financeiro. 

Coisa de gângster: uma tradicional trading cujas operações de açúcar estão baseadas na Europa com participação de quase 40% em uma refinaria na Síria foi tomada de surpresa por uma ação legal claramente orquestrada por um elemento local que transferiu para si as ações dessa trading, declarando junto à Corte síria que agia com o consentimento dela. Enquanto isso, sua mulher também fazia a mesma trambicagem lesando outro acionista da mesma refinaria. Não foi dado o direito de apelação para ambas as vítimas, suspenso pela Corte antes mesmo que elas fossem notificadas. Inacreditável. 

A volatilidade do mercado continua caindo. Com menor interesse pelas commodities e volume declinante, parece difícil vermos uma recuperação nos prêmios. Por outro lado, fique de olho em oportunidades de compra de proteção contra queda ou contra subida de preços, pois pode ser atraente.

Tenham um bom final de semana

Arnaldo Luiz Corrêa

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Archer consulting

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