Praga quarentenária é registrada pela primeira vez em SP e leva à interdição de área em Mirassol
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Uma praga classificada como quarentenária foi registrada oficialmente pela primeira vez no estado de São Paulo. A confirmação da presença de Amaranthus palmeri, conhecido como caruru-palmeri, levou à interdição sanitária de uma área rural em Mirassol, no interior paulista, após a identificação de cerca de 50 hectares infestados, com maior concentração às margens de uma rodovia.
O caso foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A espécie é enquadrada como praga quarentenária presente no Brasil, o que exige medidas oficiais de contenção, monitoramento e controle.
Até então, os registros estavam concentrados principalmente em áreas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A ocorrência em solo paulista eleva o nível de atenção do sistema de defesa agropecuária, especialmente em uma região com forte produção agrícola.
Confirmação laboratorial e interdição
De acordo com informações da Defesa Agropecuária paulista, a identificação começou com uma observação de campo realizada por técnico do escritório regional de São José do Rio Preto, que percebeu uma planta com características diferentes das espécies comuns na região.
O material foi coletado e encaminhado para análise em laboratório oficial. O laudo confirmou, no início de fevereiro, tratar-se de Amaranthus palmeri. A partir da confirmação, a área foi imediatamente interditada por medida sanitária.
A propriedade passou a operar sob protocolo de quarentena, com restrição de circulação de máquinas, veículos, pessoas e equipamentos, justamente para evitar que sementes sejam transportadas para outras áreas produtivas. As plantas identificadas foram erradicadas, e equipes técnicas iniciaram o monitoramento no entorno para verificar a existência de novos focos além dos 50 hectares inicialmente mapeados.
Segundo a CDA, até o momento, apenas essa área está oficialmente afetada no estado.
Como a praga pode ter chegado
A hipótese técnica considerada pelos órgãos oficiais é de que a introdução da espécie tenha ocorrido por meio do trânsito de máquinas agrícolas, implementos ou caminhões vindos de estados onde a planta já estava presente.
O fato de o principal foco ter sido encontrado às margens de uma rodovia reforça a suspeita de que sementes possam ter sido transportadas acidentalmente. Sementes de Amaranthus palmeri são pequenas, leves e podem se desprender facilmente de equipamentos, sendo disseminadas tanto pelo vento quanto pela movimentação de maquinário.
Risco para soja, milho e algodão
O caruru-palmeri é considerado altamente competitivo. Apresenta crescimento acelerado, grande capacidade de adaptação e elevada produção de sementes. Técnicos destacam que uma única planta pode produzir mais de 1 milhão de sementes, o que dificulta o controle caso o foco não seja eliminado rapidamente.
Na prática, isso representa competição direta por luz, água e nutrientes com culturas de alto valor econômico como soja, milho e algodão. Em áreas extensivas, uma falha pontual no manejo pode resultar em infestação generalizada ao longo de poucas safras, elevando custos de controle e reduzindo produtividade.
Além da dispersão pelo vento, a movimentação dentro das próprias propriedades funciona como vetor de propagação. Máquinas, implementos, caminhões e até calçados podem transportar sementes para novas áreas sem que o produtor perceba.
Vigilância reforçada
Após a confirmação do caso, a Secretaria de Agricultura do Estado promoveu reunião técnica com profissionais do setor, equipes da defesa agropecuária e extensionistas para alinhar medidas de contenção e reforçar a vigilância.
O principal recado das autoridades é claro: qualquer suspeita deve ser comunicada imediatamente à Defesa Agropecuária. A partir da notificação, amostras são coletadas e encaminhadas para análise laboratorial oficial. A resposta rápida é considerada fundamental para impedir que a praga avance silenciosamente.
O caso de Mirassol evidencia que pragas quarentenárias não respeitam limites estaduais e podem se disseminar por detalhes operacionais aparentemente simples, como falhas na higienização de máquinas ou transporte entre propriedades.
Para os órgãos oficiais, a combinação entre identificação precoce, comunicação imediata e isolamento da área é a principal estratégia para evitar que Amaranthus palmeri se estabeleça de forma ampla no estado e comprometa lavouras de soja, milho e algodão.
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